DEPUTADOS DISCURSAM

Tragedia de Aracruz repercute na Assembleia Legislativa do Espírito Santo

Foto : Lucas S Costa

Nas fases de discursos dos deputados, o atentado às escolas de Aracruz também deu o tom da sessão. Vários deputados utilizaram seu tempo na tribuna para prestar homenagem às vítimas e trazer a discussão sobre o ataque a tiros em duas escolas, uma pública e uma particular, em Coqueiral de Aracruz.  

O deputado Sergio Majeski (PSDB), que é professor e mestre em Educação, foi um dos que fizeram uma reflexão sobre o atentado. Ele discursou por 25 minutos sobre o tema. “A educação é a causa da minha vida. O choque para quem é da educação é maior”, iniciou.

Segundo Majeski, as soluções para o problema são profundas: “Não é fácil de ser entendido. Não é só colocar detector de metal ou guarda armado que vai resolver”, comentou. 

Para ele, uma das questões que precisam ser solucionadas é a presença de equipes multidisciplinares nas escolas. Ele, que vem defendendo essa causa há muito tempo, usou como exemplo o agravamento das doenças mentais no pós-pandemia. 

“Depois da pandemia há ainda mais alunos com depressão, síndrome do pânico, ansiedade. Há muito tempo que escolas, professores e alunos estão clamando por socorro. Um apoio e um socorro que não chegam”, disse. 

Ataques aos professores

Um dos principais pontos do discurso do deputado tucano foi o ataque direto aos professores. Na Escola Estadual Primo Bitti, três professoras foram assassinadas. “Ele se dirigiu imediatamente para a sala dos professores. Para quem é professor, a sala dos professores é uma espécie de refúgio. É um momento de respirar, trocar uma ideia com os colegas, tomar um cafezinho, rir um pouco, fazer uma ligação (…). Eu nem imagino a situação que é você estar naquele momento de repouso e entrar um assassino armado”, comentou. 

Majeski ressaltou que, nos últimos anos, as escolas e professores vêm sendo atacados. “É um tal de acusar escolas de ideologizar alunos, de sexualizar alunos, de que professores são comunistas. Chegaram a inventar que nas escolas estão sendo distribuídos kits gay”, disse.   

“Enquanto muita gente fica gritando que os professores são comunistas, não sabem o que seus filhos estão fazendo dentro de seus quartos. Não é na escola que adolescente está tendo acesso à arma de fogo e aprendendo a atirar. Não é nas escolas que estão aprendendo a admirar movimentos nazistas e neonazistas”, criticou o parlamentar. 

“Em um mundo cada vez mais individualista, com discursos cada vez mais radicais, a escolas têm insistido enormemente em um trabalho de humanizar os alunos, de formar cidadãos, mas, com as reformas que vêm por aí, as principais matérias que trabalham isso são retiradas dos currículos, como história, sociologia, filosofia, artes”, apontou. 

Saúde mental 

O deputado retomou a questão da saúde mental, alegando que os professores percebem os problemas dos alunos, mas não têm o que fazer. “Os professores detectam alunos com depressão, ansiedade, síndrome do pânico. E o que eles podem fazer? Quase nada. Porque não existe política de saúde mental adequada no país. Se um professor detecta que um aluno está com problemas psicológicos para onde ele encaminha?”, questionou. 

“No caso específico desse rapaz que cometeu essas atrocidades em Aracruz, não é filho de uma família desestruturada. Ele tinha saído da escola em julho. A educação no Brasil é obrigatória até os 17 anos. Como ele teve acesso a armas? Com quem ele aprendeu a manusear armas? Quem o ensinou a dirigir?”, perguntou Majeski. 

Por fim, o deputado fez um apelo ao governo do Estado para que encerre o ano letivo o mais rápido possível. “Não há nesse estado um único professor que não esteja abalado”, salientou. 

Valores humanos 

O deputado Bruno Lamas (PSB) também discursou sobre o atentado às escolas. Ele relatou um “luto profundo” diante das “cenas fortes, dias difíceis e perdas enormes.” 

Ele ressaltou o fato de o adolescente que cometeu os assassinatos estar trajando uma roupa com símbolo nazista.  “Essa mão tem muitos dedos, o dedo do silêncio, o dedo da omissão. O símbolo de uma ideologia. Ideologia essa que o pai admirava. Pai que tinha uma arma em casa. Filho que tinha abandonado a escola com a concordância dos seus pais”, comentou Lamas.   

Leis mais duras 

Vários deputados falaram, ainda, sobre a necessidade de se rever a legislação penal no Brasil. Para o Delegado Danilo Bahiense (PL), os ataques em Aracruz reacendem o debate sobre a redução da maioridade penal para crimes hediondos. Já para Freitas (PSB), é necessário debater sobre a previsão de prisão perpétua no Brasil. 

“A gente não imagina que isso vai acontecer no nosso estado, no nosso município, na nossa escola. É um menino de 16 anos. Mas é um menino com todo preparo para manusear armas de diferentes calibres. E é claro que teve preparo para isso. Não é a primeira vez que isso acontece no nosso país. É preciso estabelecer previsão de punição severa. Por que o país não pode discutir prisão perpétua?”, questionou Freitas. 

Por sua vez, Capitão Assumção (PL) disse que há uma grande falha de segurança nas escolas. “Como se entra em uma escola sem ter um vigilante para ser a primeira barreira? As falhas são gritantes. As irresponsabilidades são enormes. A segurança no ambiente escolar tem que ser total”, alertou.

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