Na corrida pelo Senado como pré-candidato, o deputado estadual Wellington Callegari (DC) tem dado forma a um eixo político claro: o cooperativismo. À frente da Comissão de Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, o parlamentar passou a usar o espaço como ponte direta com cooperativas de diferentes ramos, reunindo demandas do setor e convertendo parte delas em mudanças na legislação estadual e encaminhamentos políticos.
Ao longo do último período legislativo, Callegari intensificou reuniões com cooperativas de crédito, saúde, transporte, agropecuária, educação e produção. A estratégia foi ouvir dirigentes e cooperados em suas regiões e organizar uma agenda construída a partir dos problemas relatados por quem atua na ponta.
“Tenho me reunido com cooperativistas de todo o Espírito Santo para ouvir as dores e entender onde o sistema trava. A política precisa partir da realidade de quem gera trabalho, renda e serviço”, afirmou o deputado.
Demandas que viraram ação
Essa escuta direta resultou em iniciativas concretas. Um dos principais exemplos foi a aprovação do Projeto de Lei nº 809, elaborado pela Comissão de Cooperativismo em parceria com cooperativas médicas e de transporte, com apoio técnico da OAB-ES e da Procuradoria da Assembleia. O texto autoriza a inversão das fases de habilitação e julgamento em licitações de serviços médicos, hospitalares e de transporte, com foco em eficiência, segurança jurídica e qualidade técnica.
“O que ouvimos foi que muitas cooperativas perdiam tempo e recursos em processos que acabavam anulados lá na frente. A proposta nasceu dessa conversa direta com o setor”, explicou Callegari.
Outro avanço foi a modernização da Política Estadual do Cooperativismo, que resultou na Lei nº 12.689. A nova legislação atualizou regras, reforçou a segurança jurídica das cooperativas, fortaleceu a atuação do Sistema OCB/ES e ampliou a presença do cooperativismo em políticas públicas e na educação.
Crédito, saúde mental e agricultura na agenda
Nas audiências públicas do Circuito COOP, realizadas em diferentes regiões do Estado, temas sensíveis ao setor passaram a ganhar encaminhamento político. Entre eles, a situação das cooperativas de crédito impactadas por mudanças federais no consignado, a ampliação de parcerias para atendimento em saúde mental e o fortalecimento da agricultura familiar nas compras públicas.
Durante uma das audiências, Callegari afirmou que a falta de regulamentação federal que afeta cooperativas de crédito seria formalmente cobrada junto aos órgãos competentes. “Estamos falando de cooperativas pequenas, que muitas vezes atendem o trabalhador mais humilde. Precisamos entender por que essas normas estão travando o sistema e o que pode ser feito para corrigir isso”, disse.
Na área da saúde mental, o deputado destacou a ausência de políticas estruturadas em escolas, forças de segurança e no meio rural. “Falta suporte psicológico para quem está na linha de frente e para quem vive no campo. Isso precisa entrar no debate público com seriedade”, afirmou.
Circuito COOP e projeção política
Criado no âmbito da comissão, o Circuito COOP percorreu municípios do Sul, Serrana, Norte do Estado e a capital, reunindo cooperativas, vereadores, parlamentares e representantes do poder público. O objetivo foi aproximar o Legislativo das cooperativas e organizar uma agenda comum a partir das demandas regionais.
“O cooperativismo não é um setor isolado. Ele é um eixo da economia, da sociedade e da cultura, que conecta crédito, produção, saúde, educação e trabalho”, afirmou Callegari durante um dos encontros.
A agenda de debates deve continuar, com nova edição do Circuito COOP prevista para Linhares, mantendo a estratégia de interiorização e escuta regional.

