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Viaduto do Amarelo e a falta que ainda fará

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Camilo Cola era um homem além do seu tempo, disso ninguém tem dúvidas. O império construído fala por si e dispensa justificativas para ratificar essa obviedade.

Se algumas de suas ideias fossem colocadas em prática certamente Cachoeiro, o Sul do Espírito Santo e quiçá o próprio estado seriam outros.

Dia desses, refletindo sobre a pasmaceira econômica cachoeirense, um amigo relembrou a importância da Viação Itapemirim e que no seu auge algo em torno de mil uniformes desciam dos platôs todos os dias e se espalhavam pela cidade. Aos sábados, essa gente toda vinha para o centro de Cachoeiro visitar lojas e, claro, comprar.

Tempos idos e marcas deixadas por um homem cujas ideias têm o poder de transcender o tempo. E é sobre uma dessas ideias que retomo agora: o viaduto do bairro Amarelo.

Em resumo, era uma obra que permitiria que os veículos vindos do bairro Amarelo sentido bairros Paraíso e São Geraldo, ou vice-versa, não impactassem o trânsito da Avenida Lacerda de Aguiar, principal chegada de Cachoeiro.

Então deputado federal, Camilo Cola viabilizava recursos federais para a grandiosa intervenção, argumentando principalmente que o crescimento econômico daquela região causaria, em curto tempo, um grande impacto no trânsito local e, por conseguinte, em toda a adjacência.

Aparentemente de simples compreensão e adesão, a ideia encontrou resistência por parte de moradores que usaram o mesmo argumento para contrapor: o impacto, mas não no trânsito e sim na vida dos moradores, já que a grandiosidade da obra atingiria as residências próximas, sem contar com as desapropriações que seriam feitas na região.

Corria também uma conversa que a ideia do deputado não era apenas beneficiar o trânsito, mas ganhar dinheiro com a desapropriação de uma pequena área que pertenceria a ele mesmo. Outros diziam que o viaduto valorizaria a região onde estava sua empresa.

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Outros já questionavam a necessidade da obra, uma vez que a cidade merecia (e merece ainda hoje) um viaduto em outras regiões como no trevo do IBC. Sobre a necessidade de outras intervenções Camilo não discordava, mas considerava ser a obra do Amarelo algo para o futuro vislumbrado exatamente o crescimento atual. Sem contar que era uma realização menos complexa que outras, e logo, mais rápida. Tanto que foi apresentado um outro projeto minimizando os impactos locais, mas ainda assim não avançou.

O Viaduto acabou morrendo antes de nascer. A Justiça acatou uma ação MPF que pedia a suspensão por conta de irregularidades no projeto e existência de desvio de finalidade. Decisão da Justiça, cumpre-se. Mas o fato é que Cachoeiro ficou sem essa e sem outras obras no seu caótico trânsito. Quem poderia ter tido uma sem deixar de lutar pelas outras, ficou sem todas.

O retorno ao tema me ocorre no dia em que vejo mais um novo e importante investimento do Grupo Perim exatamente na mesma avenida e próximo aos bairros Amarelo, Paraíso e São Geraldo. Um pouco antes, o próprio grupo empresarial fez um outro supermercado logo acima. Ou seja, já são dois.

Nessa mesma região já tem o Shopping Sul, a Faculdade São Camilo, um pouco mais a frente outra faculdade, a Multivix. No bairro São Geraldo abriu uma grande escola particular, e tem um loteamento novo e gigante chamado Vila da Mata. Em frente a Viação Itapemirim, ou do que restou dela, estão preparando um mega loteamento. Hotel Rinkão e Bristol, os dois mais importantes da cidade, estão nesta mesma região, coladinhos.

Somado a isso, não custa lembrar que colado nesses três bairros já citados temos ainda um outro, que é o que mais cresce no município: o Gilberto Machado e seus inúmeros prédios, residenciais e médicos, onde dezenas (Ou já seriam centenas?) de consultórios, clínicas e laboratórios funcionam. E onde também funciona o maior clube social do Sul do estado, o Jaraguá, e a rodoviária.

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Para fechar, no Gilberto Machado também funciona a Unimed, com seu Pronto Atendimento e seu prédio administrativo. Sem contar que para se chegar ao grande Hospital Unimed, recém inaugurado perto do bairro União, o cidadão precisa passar pela mesma avenida, a Lacerda Aguiar.

Então, imagina você podendo passar pela Lacerda de Aguiar, saindo ou chegando em Cachoeiro, sem a necessidade de parar no semáforo? Ou você indo para os bairros Paraíso e São Geraldo passando por cima da mesma avenida sem atravessar o trânsito?

A ideia do viaduto, tão combatida por uns e pouco abraçada por outros, sobretudo pelos empresários cachoeirenses que deveriam ter um pensamento mais avançado, virá à tona, não tenho dúvidas. E será lembrada, se é que já não está sendo, quando o cidadão se encontrar nessa região querendo fazer compras, pegar seu filho na escola, ir às pressas ao hospital, ou simplesmente tentar chegar em casa ou no trabalho.

Que bom que a vida de muitos moradores não foi impactada pela obra que não existiu. Que pena que outros milhares de cachoeirenses não tiveram o benefício de um viaduto que só faria bem à região que mais cresce em Cachoeiro.

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“Os tempos idos nunca esquecidos / Trazem saudades ao recordar / É com tristeza que eu relembro / Coisas remotas que não vêm mais” – Tempos Idos (Cartola)

 

 

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À Praça Manoel Fricks Jordão

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“Quando nas praças se eleva/ do povo a sublime voz…/ Um raio ilumina a treva / o Cristo assombra o algoz…” – O povo ao poder (Castro Alves)

Há sempre uma praça, ou muitas, dentro de nós. E estar na Manoel Fricks Jordão mais uma vez é reacender a minha velha paixão por Presidente Kennedy, uma cidade que amo por razões que sequer conheço.

E sem procurar entender as razões desconhecidas do peito, caminho por ela no dia da sua reinauguração como um jovem feliz ao encontro da namorada. Aliás, uma bela namorada!

A praça revitalizada está tão linda que nem mesmo a inútil paisagem de uma velha rodoviária carcomida ao seu redor consegue tirar-lhe o brilho. Nos seus recantos  passeio, acariciando-a, num namoro secreto que mistura desejos antigos com sonhos novos.

Voltar a Presidente Kennedy em dia tão significativo é rejuvenescer. Rever velhos amigos e ouvir deles boas lembranças é ter a certeza que minha passagem por lá não foi em vão. E sempre que vou me reinvento, passando calmamente por suas ruas e observando a mudança que chega, ainda que lentamente.

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Sentado na praça me ocorre que o rio Muqui, que banha Presidente Kennedy e Itapemirim, minha cidade natal, talvez seja o segredo dessa minha ligação com seu povo. Comemos o mesmo camarão pitu das suas águas. As preás gordas saídas das suas barrancas de capim Angola fortaleceram nosso laços.

Levanto e ando mais um pouco como se estivesse entre as barracas da feira livre comprando tripa de porco frita. A feira do agricultor que funcionava ali também é uma boa lembrança porque unia o povo na tarde de quinta-feira. Era o povo junto, sorrindo, feliz. Com feira ou sem feira, espero que essa praça mantenha a unidade popular.

Não há força nem beleza maior que todo o povo, junto, sorrindo e feliz. Só as praças têm o poder de unir as raças na mesma esperança por dias melhores. E elas são do povo como o céu é do urubu.

É na praça Manoel Fricks Jordão onde o coração kennedense bate melhor e mais forte. Onde todas as mãos e sorrisos se encontram, unindo sonhos para construir um tempo novo!

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