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Veja as suspeitas da PF no caso de Milton Ribeiro e pastores no MEC

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Ex-ministro da Educação foi preso nessa quarta-feira (22)
Valter Campanato/Agência Brasil – 29/11/2021

Ex-ministro da Educação foi preso nessa quarta-feira (22)

Ao pedir a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro , a Polícia Federal apontou a existência de uma “organização criminosa” infiltrada no Ministério da Educação (MEC) para a suposta prática de crimes contra a administração pública. No requerimento enviado à Justiça Federal, os investigadores citam que Ribeiro cometeu “façanha criminosa” ao agir em conjunto com os pastores lobistas Arilton Moura e Gilmar Santos ao “utilizar verbas públicas em contrapartida a benefícios próprios”. A defesa do ex-ministro nega qualquer irregularidade.

A investigação detectou transações financeiras suspeitas da mulher do ex-ministro, Myriam Ribeiro, do ex-assessor do Ministério da Educação Luciano Musse e do genro do pastor Moura, Helder Bartolomeu . Musse e Bartolomeu também foram presos na operação, mas liberados ontem. A investigação da PF cita três indícios do que seriam pagamentos de propina ao grupo. Um deles foi a venda de um veículo Kia Sportage pela mulher do ex-ministro para a filha de Moura , pelo valor de R$ 60 mil . Outros dois se referem a transferências bancárias de R$ 20 mil a Musse e de R$ 30 mil a Bartolomeu. Segundo a PF, esses pagamentos foram feitos por solicitação de Moura em troca de acesso facilitado ao ministro e a verbas da pasta.

Os pedidos de recursos, segundo a investigação, foram feitos ao empresário José Edvaldo Brito , que preside o partido Avante de Piracicaba (SP) . Brito disse ter conseguido uma reunião com o então ministro na sede do MEC depois de encontrar Musse em um hotel de Brasília. Na reunião, segundo o dirigente partidário, Ribeiro gravou um vídeo para anunciar uma visita ao município paulista de Nova Odessa , cidade de 60 mil habitantes a 40 quilômetros de Piracicaba . Em troca de ter viabilizado o evento, Moura solicitou a emissão de passagens aéreas “para sua comitiva particular, da qual fazia parte Luciano Musse”, além de uma propina de R$ 100 mil “a título de colaboração”, segundo o MPF. Musse era apontado como interlocutor dos pastores dentro do MEC e foi demitido logo após a saída de Ribeiro do governo. A cerimônia em Nova Odessa ocorreu em agosto do ano passado e reuniu autoridades de 70 municípios da região. Ao GLOBO, Brito disse que durante o evento recebeu novo pedido de dinheiro por parte de Moura e relatou a um integrante do MEC. A denúncia foi então comunicada a Ribeiro, que decidiu levar o caso à Controladoria-Geral da União (CGU). O empresário, porém, disse que os pagamentos que já havia feito não se tratavam de propina, mas contribuições para atividades religiosas. Dos R$ 100 mil solicitados, ele afirmou ter tranferido R$ 67 mil a pessoas ligadas ao pastor. “Somos cristãos e houve um pedido de doação missionária, passaram as contas e fizemos depósito”, afirmou ao GLOBO: “Para mim isso foi um golpe, porque a gente agiu de boa vontade”.

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Veja as evidências levantadas pela PF

Transações financeiras suspeitas envolvendo mulher do ministro, assessor do MEC e genro de pastor fundamentaram as prisões cumpridas ontem.

TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS A investigação cita três pagamentos como indícios de propina Pagamento 1

QUEM:  Helder Bartolomeu, genro do pastor Arilton Moura e ex-assessor da prefeitura de Goiânia. O QUE:  Recebeu depósito de R$ 30 mil do empresário Danilo Felipe Franco a pedido do pastor Arilton Moura.

QUANDO:  5 de agosto de 2021. Pagamento 2

QUEM:  Luciano Musse, ex-gerente de Projetos da Secretaria Executiva do Ministério da Educação. O QUE:  Recebeu depósito de R$ 20 mil do empresário Danilo Felipe Franco a pedido do pastor Arilton Moura. QUANDO:  Não há

Pagamento 3

QUEM:  Myrian Pinheiro Ribeiro, esposa do ex-ministro Milton Ribeiro.O QUE:  Vendeu o veículo Kia Sportage 2016 por R$ 60 mil para Victoria Bartolomeu, filha do pastor Arilton Moura, casada com Helder Bartolomeu. QUANDO:  22 de fevereiro de 2022. Um dos indícios do que seria pagamento de propina foi a venda de um veículo Kia Sportage pela mulher do ex-ministro para a filha de Arilton Moura, pelo valor de R$ 60 mil

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PEDIDO DE PROPINA Segundo o empresário José Edvaldo Brito, o pastor lobista Arilton Moura pediu R$ 100 mil para “auxílio a obras missionárias desenvolvidas por sua igreja” por intermediar encontro entre o empresário e o ex-ministro Milton Ribeiro no Ministério da Educação. Aos investigadores, Brito disse que foram depositados R$ 67 mil a pessoas ligadas ao religioso. Segundo o empresário José Edvaldo Brito, o pastor lobista Arilton Moura pediu R$ 100 mil para “auxílio a obras missionárias desenvolvidas por sua igreja” por intermediar encontro entre o empresário e o ex-ministro Milton Ribeiro

RESPALDO DO MINISTRO

Com base na investigação, a PF afirma que o então ministro da Educação conferia prestígio da administração pública à atuação dos pastores, dando respaldo ao comentimento dos supostos crimes

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Bolsonaro não responde se já fez ‘rachadinha’: ‘É meio comum’

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Jair Bolsonaro (PL)
Isac Nóbrega/PR – 07.06.2022

Jair Bolsonaro (PL)

presidente Jair Bolsonaro (PL) evitou responder diretamente se já fez “rachadinha “ao ser questionado sobre o assunto durante entrevista a um canal de YouTube neste sábado. A prática consiste em obrigar os seus funcionários a devolver parte do seu salário. O presidente disse que a “prática é meio comum” em gabinetes de políticos, mas afirmou que não iria falar do seu próprio caso.

Um dos filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é investigado por essa suspeita. O Ministério Público também investiga um possível esquema de “rachadinha” no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Além disso, como o GLOBO revelou, alguns dos servidores suspeitos de serem fantasmas no gabinete de Flávio e de Carlos também trabalharam para Bolsonaro quando ele era deputado federal.

Bolsonaro falou sobre o assunto durante entrevista neste sábado ao canal Cara a Tapa, no Youtube. Perguntado inicialmente se “sobraria” alguém na política que não cometeu a “rachadinha”, o presidente disse:

“Sobra pouca gente”.

O entrevistador, então, questionou diretamente se o presidente iria “sobrar”.

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“Não vou falar de mim. Sou suspeito para falar de mim. Você não tem servidor meu falando que, denunciando”.

Perguntado, por fim, se havia “convivido” com a situação, disse que a prática é “meio comum”, inclusive em outros Poderes.

“É uma prática meio comum, concordo contigo. É meio comum. Não só no Legislativo, não. Também no Executivo. Até no outro Poder também. Cargo de comissão, você pode colocar quem você bem entender”.

Flávio foi denunciado pelo MP Flávio Bolsonaro passou a ser investigado por “rachadinha” em 2018, após o relatório Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações suspeitas na conta bancária do assessor de Flavio na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Fabrício Queiroz.

Em novembro de 2020, as investigações do MP do Rio resultaram na denúncia de Flavio, Queiroz e mais 15 pessoas por crimes como peculato e lavagem de dinheiro, com base em provas como a movimentação financeira dos funcionários do gabinete e uma colaboração de uma ex-funcionária. O senador foi acusado de liderar da organização criminosa.

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Para tentar anular as investigações, a defesa do senador apresentou diversos recursos aos tribunais. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) acabou anulando as quebras de sigilo bancário e fiscal determinadas pelo juiz Flávio Itabaiana, sob o entendimento de que ele não fundamentou adequadamente a justificava para autorizar as quebras.

Na sequência, o STF também determinou a anulação de parte dos relatórios do Coaf usados na investigação. A interpretação é de que os documentos foram produzidos de forma ilegal, o que acabou esvaziando as provas da denúncia. Por isso, o MP do Rio entendeu que não é possível o prosseguimento da acusação e que as investigações precisariam ser refeitas.

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Fonte: IG Política

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