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“Vai se f**”: motoboy entrega pedido e é ofendido em prédio de luxo; veja

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Agressão verbal
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Agressão verbal foi registrada em condomínio de luxo em Minas Gerais

O entregador do aplicativo  iFood, Maicon da Silva, foi vítima de agressões verbais e injúria, no início desta semana, por um morador de um condomínio de luxo na região metropolitana de Belo Horizonte, no município de Nova Lima.  “Eu marquei que era para entregar lá (na outra portaria). Procura outro emprego, filho. Vai se fu***. Eu vou comer comida fria por sua causa” disse o cliente, ao receber o pedido.

O xingamento foi gravado pelo próprio Maicon. No vídeo, ele espera pelo cliente na portaria do condomínio, que chega na sequência e ofende o motoboy. É possível ver que o morador alega ter pedido para entregar a comida em outra portaria. Após dizer isso, ele dispara ofensas contra Maicon. Veja o vídeo a seguir:


É possível notar, ainda, que o morador chega muito irritado para pegar a comida, afirmando que vai comer ela fria por causa do entregador.

Filmando tudo

O motoboy afirma que ele está gravando a cena, mas o morador não para com as ofensas. Pode gravar, vai se fu***, filho da p***, vai tomar no seu **”, diz o cliente irritado, que depois fechou o portão e voltou para dentro do condomínio.

Após as ofensas, Maicon afirmou ter ficado muito triste e até sem muita reação no momento, porque nunca imaginou passar por isso. “Ainda existem pessoas muito ruins no mundo (…) Isso foi muito ruim porque colocou minha imagem exposta em uma situação super ruim”.

Entenda o caso

O fato ocorreu na segunda-feira (21). Após buscar o pedido no restaurante, Maicon foi até o endereço normalmente e de dentro do prazo. Quando chegou lá, pediu ao porteiro do condomínio que ligasse para o morador, para o mesmo pudesse descer e pegar a comida. 

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O morador, entretanto, pediu para que o entregador subisse em sua residência, pois ele não queria descer. O porteiro avisou Maicon, que respondeu que não poderia subir porque sua moto estava sozinha na rua e, além disso, o aplicativo orienta os profissionais a deixarem a encomenda apenas na porta dos locais, para evitar o contato. 

O motoboy, então, pediu novamente que o cliente viesse e busca-se a comida na porta, fato que o irritou muito. Maicon contou que o porteiro o alertou sobre o fato de o cliente estar bravo.

“O homem é bravo”

“O porteiro falou para mim que o cliente estava bem nervoso e disse: ‘O homem é bravo’ (…) Aí como o porteiro falou que o morador estava vindo nervoso, resolvi filmar para provar que eu entreguei o pedido, caso ele me denunciasse no aplicativo”, disse Maicon.

E completou: “Assim que ele chegou já começou a me xingar e me ofender e a falar que ia comer comida fria por minha causa”.

Maicon disse que ficou muito desconfortável com a situação e que nem sabia o que fazer direito. “Eu nem sabia o que fazer, se eu ia embora com vergonha ou não”.

Boletim de ocorrência

O entregador chegou a registrar um boletim de ocorrência contra o morador do condomínio por conta das ofensas. “Alguns amigos meus entregadores me orientaram a fazer um BO porque mostrei o vídeo para eles. Eles diserram que isso não era certo”.

Após o ocorrido, o entregador fez uma publicação em sua rede social em que falou sobre o assunto. Veja: 

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Boa noite,Como algumas pessoas não sabe, eu trabalho com aplicativo e a norma da plataforma que eu trabalho,e nos entregadores entregar o pedido para o cliente na portaria. Não somos obrigado a entrar em condomínios, edifícios ou subir em apartamentos. Mais graças a Deus tenho uma saúde perfeita e duas perna que Deus me deu, e quase sempre eu entro ou subo em apartamentos Por gentileza,pra ganhar uma boa avaliação e até msm pra adiantar meu lado, mas tem lugares igual esse do vídeo que não dar pra ir pq é um condomínio grande de várias torres e o porteiro não deixa a gente entrar com a moto, nesse caso eu evito a subir pelo fato de não deixar a moto sozinha na rua pra evitar roubo, e Tbm por prevenção do covid19 pelo fato do elevador ser um local de fácil contaminação e como minha mãe faz parte do grupo de risco e eu preciso trabalhar, ai nem sempre dar pra eu ficar entrando em elevador.Só que ontem esse rapaz ai me humilhou desse jeito e me deixo numa situação constrangedora, ainda mais que tinha várias pessoas perto e ele me xingar desse jeito, e até xingou minha mãe, que não tinha nada aver com a história. Pouco tempo atrás aconteceu algo parecido com um entregador em Sp, ontem aconteceu isso cmg, e amanhã ou depois pode acontecer com outros entregadores Tbm pq infelizmente existe pessoas assim?????. @entregadorifood @ifoodbrasil

A post shared by Maicon Silva (@maicon_silva_ofc) on Sep 22, 2020 at 6:19pm PDT


Ações na Justiça

O advogado da vítima, Pedro Zattar Eugênio, que trabalha no Sindicato dos Motoristas de Aplicativo de BH, afirmou que vai entrar com duas ações na Justiça contra o morador do condomínio. “Nós temos claramente um crime de injúria, porque ele (morador) ofendeu a honra do Maicon e uma violação ao direito da personalidade, porque ele foi desqualificado”.

“A gente vai entrar com uma ação cívil, que busca a reparação da imagem do Maicon por meio de uma indenização, e uma ação criminal pelo crime de injúria, porque ele foi desmoralizado”, complementou.

O advogado ainda completou que a ideia é que os processos possam servir de exemplo para que outros profissionais do setor não passem pela mesma situação novamente.

“Essa ação cívil visa a reparação e o pagamento de alguma indenização, tanto pelos danos que ele sofreu em sua imagem quanto pelo caráter pedagógico para que se sirva de exemplo”, afirmou Zattar.

A reportagem tentou contato com o morador do condomínio, que é corretor de imóveis, mas não obteve sucesso.

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Economia

Advogada fecha conta no Nubank, viraliza e quer atitude do banco contra racismo

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Brasil Econômico

Tania Sanches
Arquivo pessoal

Tania na Universidade de Lisboa, onde estudou; profissional viralizou ao mostrar o cancelamento da conta no Nubank nas redes sociais

“Sofri muito racismo na rede, tive que cancelar os comentários no post. Sou uma mulher preta de pele clara, com 55 anos, head-trainer, advogada. Tenho personalidade, sei bem o que eu quero. E não quero viver e ter os meus netos num país racista”, diz Tania Sanches. O post ao qual se refere foi publicado no LinkedIn e viralizou: teve quase 5 mil reações. Nele, Tania relatava o cancelamento da conta que tinha no Nubank  depois que Cristina Junqueira, cofundadora do banco, disse no programa Roda Viva que é  difícil contratar profissionais negros para grandes cargos.


Tania Sanches
Reprodução LinkedIn

O post de Tania, em que expôs o cancelamento da conta no Nubank, gerou quase 5 mil reações; ela teve de bloquear os comentários para não sofrer ataques

“Quem nivela meu povo por baixo não merece meu CPF”, escreveu Tania, em referência à  fala da sócia do Nubank.

Tania nasceu e foi criada na periferia do Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Assim ela se descreve durante a entrevista, como também no seu perfil na rede social profissional. Seu sonho de infância, que era trabalhar no banco Itaú, se realizou em 1986, depois de trabalhar como faxineira. “Meus pais vieram do Rio Grande do Norte e não tiveram condições para me dar estudos”, conta ela. Mas, pela boa caligrafia e escrita, fruto do hábito da leitura, ela conquistou a vaga no maior banco privado do país. Ela foi uma das três pessoas contratadas no processo seletivo.

Assim, Tania se inseriu no mundo financeiro como assistente de administração e chegou ao cargo de operadora de ações de debêntures. Aos 30 anos, finalizou o ensino médio, depois cursou direito na Universidade São Judas e fez pós-graduação em direito empresarial e previdenciário. Já num alto patamar da carreira, Tania sofreu racismo.

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“Um dia, eu ganhei muita grana numa operação. Eu já tinha fechado a operação, me levantei, e um colega falou em voz alta na mesa: ‘como uma negrinha dessa ganhou essa operação?’. O meu diretor na época falou para esse operador: ‘não fale assim com a Tania. Ela não merece, é uma das melhores operadoras que a gente tem aqui’. Foi a resposta do meu diretor”, lembra Tania.

Assistindo ao Roda Viva da segunda-feira (19), quando Cristina Junqueira (Nubank) disse que não daria para “nivelar por baixo”, referindo-se a uma dificuldade em contratar pessoas negras para grandes cargos no banco, Tania relembrou o episódio de racismo que sofreu no mercado financeiro.

“A Cristina Junqueira só me fez reviver o que eu tinha passado. Naquela época, eu não estava tão empoderada da pauta racial para reclamar na mesa. Naquela época, eu não dei a resposta, foi outra pessoa. Mas agora, eu lembrei que eu tinha conta no Nubank. Parece que foi uma faca em mim. Quer dizer, nós não temos condições de trabalhar no Nubank? Eu conheço tanta preta com mestrado, doutorado, três línguas, como não consegue trabalhar no Nubank ?”, questiona.

A leitura que a profissional faz do acontecimento é que falta uma desconstrução nas maneiras de se expressar e pensar, já que o racismo é naturalizado na sociedade brasileira.   

“Obviamente, foi um ato de falta de letramento racial com um racismo estrutural. Falta letramento racial para todo mundo, para todos nós. Nós estamos num país machista, sexista, que não reconhece o povo negro, não dá oportunidade. Estamos começando essa revolução. Eu fui uma das primeiras mulheres pretas a estar no LinkedIn falando sobre racismo, sobre as minhas dores.”

No LinkedIn, Tania apresenta seu vasto currículo, que hoje é focado em treinamento e desenvolvimento humano. Além das formações em direito, ela também é pós-graduada em psicologia positiva aplicada pela Universidade de Lisboa. Como advogada, Tania faz parte da Comissão de Diversidade e Inclusão da OAB-SP.

Tania Sanches LinkedIn Nubank
Arquivo pessoal

Tania na Universidade de Lisboa, apresentando trabalho de encerramento de uma das cadeiras de Psicologia Positiva Individual

“Quem não é preto, quem nunca sofreu racismo – e eu ainda tenho privilégio de ser negra de pele clara, então eu ainda tive alguns privilégios que uma mulher negra de pele retinta não tem – não sabe o que é isso.”

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Por outro lado, a reação à fala de Junqueira não significa ignorar os pontos positivos do banco e admirar o trabalho do Nubank e da empresária, diz Tania.

“A Cristina Junqueira fez isso sem querer, ela não faria isso propositalmente. Ela é uma pessoa digna, uma empresária. Eu reconheço muito a capacidade dela, não a menosprezo, muito pelo contrário. Mas hoje em dia, é preciso olhar para esse viés do inconsciente , da narrativa “.

O boicote ao Nubank com cancelamento de contas

Questionado sobre o número de cancelamentos de contas na última semana, como consequência da fala de Junqueira, o Nubank disse não revelar esses dados. “Nossos dados de cancelamentos são confidenciais. Neste momento, estamos dedicados a desenhar nossa agenda real com ações concretas e ambiciosas sobre diversidade racial”, afirmou a assessoria.

Na resposta, o Nubank também divulgou a carta de desculpas sobre a fala da cofundadora, mostrando compromisso com a questão racial e a reestruturação de planos da empresa. 

“Ficamos acomodados com o progresso que tivemos nos nossos primeiros anos de vida que se refletia em algumas estatísticas relativas à igualdade de gênero e LGBTQIA+, por exemplo, que, repetidas, mascaravam a necessidade urgente de posicionamento ativo também na pauta antirracista. Deixamos de nos questionar. Ignoramos o grande caminho que ainda tínhamos pela frente (…) Perdemos a humildade “, diz o comunicado. Leia a carta completa do Nubank aqui .

Tania Sanches diz que a repercussão negativa pode trazer muito progresso à fintech.

“O que aconteceu foi bom para o Nubank, para melhorar essa pauta, esse letramento. Às vezes a gente tem que errar, descer alguns degraus para a gente subir com toda a força. E é isso que eu desejo para o Nubank e para todas as empresas que estão trabalhando para fazer um melhor país para os nossos netos no futuro”, diz Tania, que apresenta diariamente um podcast disponível no  Spotify sobre desenvolvimento pessoal, o Chá Positivo.

A ex-cliente afirma que “nunca dirá nunca” sobre reabrir sua conta no Nubank. Ela espera para ver como serão as próximas medidas que o banco tomará pela diversidade e inclusão racial.

Sobre o letramento racial, Tania recomenda a leitura de obras de Djamila Ribeiro, Sílvio de Almeida e Laurentino Gomes. “Hoje em dia, estamos com uma gama de conhecimento na internet. Não dá mais para falarmos besteiras, principalmente sobre o racismo “.

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