Notícias em Geral

Tragédia que matou 154 pessoas completa 10 anos

Publicado em

Por | 00.00.

 

Foto: Arquivo/Fato

 

Ailton Weller

 

Uma viagem que deveria ser de descanso e lazer acabou vitimando 154 pessoas, entre elas um grupo de 10 amigos de Cachoeiro de Itapemirim que voltavam de uma pescaria no rio Madeirinha, Amazonas. Em 29 de setembro de 2006, o voo Gol 1907 de rota comercial doméstica partiu do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, com destino ao Galeão, no Rio de Janeiro.

 

Enquanto sobrevoava o estado de Mato Grosso, colidiu com o jato Legacy e caiu. Ninguém da aeronave sobreviveu. Na época, o acidente comoveu todo o Brasil, e parou o Espírito Santo.

 

Isso, porque na lista dos 154 mortos divulgados pela a empresa aérea, 14 deles eram moradores do Estado. Dez moravam em Cachoeiro.

 

Repercussão

 

O caso que ficou conhecido mundialmente como um dos piores na história da aviação civil brasileira foi registrado em uma área de mata no Estado do Mato Grosso. O avião caiu na região de Peixoto de Azevedo, a 692 km de Cuiabá.

 

Dor e recordação

 

“Passaram 10 anos, mas parece que foi ontem”. Assim, Andreia da Cunha Ferri, viúva do publicitário Ricardo Leandro de Souza, em conversa com a reportagem do ES de FATO, define a tragédia vivida pela família.

 

Ela conta que a cada ano, nessa época, as lembranças ficam cada vez mais ‘vivas’ em decorrência da procura por parte da imprensa e das matérias divulgadas em rede nacional relembrando o acidente, os conflitos dos aspectos jurídicos e a consequência da reexposição de um fato que marcou a vida de centenas de famílias.

 

Sobre o contato com os integrantes da Associação dos Familiares e Vítimas do Voo 1907, Andreia disse que a comunicação foi ficando escassa com o passar dos anos, mas ainda conversa com algumas pessoas dos estados de Pernambuco e Bahia.

 

“Também, vez em quando, via WhatsApp, com o pessoal do Rio de Janeiro e São Paulo, mas não existe uma relação mais ampla, pois foi se desgastando com tempo”, explica.

Leia Também:  Operação Verão registra 15 autuações em Marataízes

 

“Muita coisa vai mudando em nossa vida. Por exemplo, meu filho tinha, na ocasião do acidente, sete anos. Hoje já está um rapaz com 17 anos. A gente acaba tendo que aprender a conviver com isso, mas esquecer, jamais”, conclui.

 

Advogado de vítimas fala do aspecto jurídico

 

O advogado cachoeirense Orlando Novaes Filho conta que, de forma direta, representou um total de oito vítimas, sendo cinco famílias de Cachoeiro e duas de Manaus, sendo uma dessas com duas vítimas.

 

“Mas, indiretamente acabei auxiliando no fechamento de outros acordos, em função dos contatos pessoais que acabei fazendo ao longo da jornada”, revela. 

 

Em breve conversa com a reportagem, ele apontou outros detalhes da questão sob o aspecto jurídico.

 

FATO – Como aconteceram as negociações para indenizações às famílias das vítimas? Tudo foi quitado ou existem pendências?

 

Orlando Novaes Filho – As negociações foram demoradas e muitas vezes desgastantes, ocorrendo entre incontáveis idas e vindas. Levaram entre um a pouco mais de três anos.  No meu caso ocorreram na maioria das vezes em escritórios da assessoria jurídica da Holding, que então controlava a GOL localizados no Rio e em São Paulo, com participação, grande parte das vezes, de representantes do corpo jurídico da seguradora da empresa, que se localizava em alguns países da Europa e da América Central. Ocorreram indenizações em todos os casos.

Como foi lidar com esse episódio traumático e de repercussão internacional?

 

Do ponto de vista pessoal, trabalhar em situações onde existe uma tragédia envolvida sempre será desgastante para qualquer pessoa. Por mais técnico que se consiga ser, ninguém fica indiferente a tanto sofrimento.


Passados 10 anos, qual sua sensação da perda de tantos filhos de Cachoeiro de Itapemirim de uma só vez?

Leia Também:  Delegada explica crime de importunação sexual e conta como agir contra o ato

 

A sensação ainda é, e será sempre, de lamento. Nada, indenização nenhuma irá repor as vidas que se foram. O público lembra em geral esse tipo de acontecimento nessas datas específicas de um, cinco, dez anos de passagem, mas para as famílias das vítimas a saudade será sempre diária e eterna.


Entre as vítimas existiam amigos do senhor?


Eu conhecia e tive contato pessoal, seja em alguma relação profissional ou meramente em eventos do cotidiano, com todos os dez cachoeirenses vitimados. De todos, guardo boas lembranças e teria boas histórias para contar. Todos os dez eram vencedores que tiveram a vida abruptamente interrompida naquela tragédia.

 


Capixabas mortos no acidente

 

Foto: Arquivo/Fato

 

Erthelviane Bortolozo Nunes – auditora ambiental, morava na Grande Vitória.


Eteuvino Lins – morador da Grande Vitória.


Eugênio Carlos Lesqueves – engenheiro agrônomo aposentado, 58, era casado e tinha duas filhas. Havia viajado com um grupo de amigos para pescar em rios do Amazonas. Morava em Cachoeiro de Itapemirim.


Hélio Antônio Godoy – dono de uma loja de caça e pesca, 50 anos.


Huederfidel Viana – médico anestesista, 46 anos. Era casado e tinha dois filhos.


João Leal – sócio-proprietário da agência Pantanal Turismo, João Leal era o responsável pela excursão que levou o grupo de pesca ao Amazonas.

Júlio Guidi – empresário do setor de mármore e granito, 39 anos. Era casado e tinha dois filhos.

Luiz Albano Vieira Custódio – dentista aposentado, 68, era casado e tinha cinco filhos.


Luiz Rogério Benedito Lobato – empresário da concessionária da Volkswagen, separado, três filhos.


Marcelo Ferreira Machado – morador da Grande Vitória.


Marlon Machado – secretário Municipal de Serviços Urbanos de Cachoeiro do Itapemirim, 44 anos.


Mozart Sant’Anna Junior – radiologista, 56 anos.


Ricardo Leandro de Souza – dono da revista Sociedade Capixaba, 33 anos.


Ronaldo Noé – proprietário de uma ótica, 53 anos. Era casado e tinha três filhos.

fonte http://www.jornalfato.com.br/

 

 

COMENTE ABAIXO:

Advertisement
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Notícias em Geral

Procon do ES divulga balanço e telefonia lidera reclamações

Published

on

By

Proteção e Defesa do Consumidor

As principais demandas estão relacionadas a cobrança indevida e descumprimento de contratos.

Por | 06.02.2020

 

Em 2019, a telefonia móvel liderou o ranking de atendimentos no Instituto Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-ES). No mesmo período de 2018, bancos foram o assunto mais demandado. As principais demandas estão relacionadas a cobrança indevida e descumprimento de contratos.

No último ano, 52.204 atendimentos foram realizados pelo Procon-ES. Desse total, mais de 5 mil atendimentos estão relacionados à telefonia móvel. Ocupa a primeira posição do ranking a telefonia móvel, seguida das financeiras, bancos, energia elétrica, telefonia fixa, cartão de crédito, aparelho de telefone, água e esgoto, TV por assinatura e, em décimo lugar, móveis.

Os segmentos que lideraram os atendimentos foram, com 19.961 registros, os assuntos financeiros; seguido por serviços essenciais, com 13.572 queixas; produtos (7.518); serviços privados (4.962); saúde (906); habitação (211) e alimentos (200).

O diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, ressaltou que diferentemente do ranking de atendimento dos últimos anos, que foram liderados por bancos e empresas de cartão de crédito, a telefonia móvel ocupou a primeira posição em 2019.

“Cobrança indevida, incluindo lançamentos de serviços não solicitados na fatura e a mudança unilateral nos contratos com reajuste no valor do serviço são as queixas dos consumidores quando se trata de telecomunicação”, disse.

Leia Também:  Delegada explica crime de importunação sexual e conta como agir contra o ato

Para evitar problemas, o consumidor deve ter atenção redobrada antes da contratação de serviços. “É preciso ler atentamente o contrato, tirar todas as dúvidas e só assiná-lo se estiver de pleno acordo com as cláusulas estabelecidas. É preciso sempre conferir os lançamentos cobrados nas faturas. Em caso de dúvidas, procurar o Procon”, afirmou Athayde.

Negociação de dívidas

Rogério Athayde ressaltou ainda que grande parte das demandas de bancos, operadoras de cartões e financeiras estão relacionadas a cobrança indevida e a negociação de dívidas. “No ano de 2019, realizamos 5.261 atendimentos no setor de cálculo e negociação de dívidas do Procon-ES”.

Os atendimentos do setor são realizados de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas, presencialmente na sede do Procon-ES, localizada na Avenida Princesa Isabel, 599, Ed. Março, 9º andar, Centro, Vitória. Também disponibilizamos o mesmo atendimento na unidade localizada no Faça Fácil Cariacica.

Fornecedores

Em relação aos fornecedores mais demandados no Procon-ES em 2019, em primeiro lugar no ranking, está a Vivo, em segundo aparece a concessionária de energia elétrica EDP, seguida do Banco BMG, Telemar, Banco Bradesco, Caixa Econômica Federal, Dacasa Financeira, Banco Itaú, Claro e, em décimo lugar, aparece a Oi Móvel.

Leia Também:  Sem regra rígida para consignado, bancos mantêm assédio a idosos

“A maioria dos atendimentos realizados pelo Procon-ES é solucionado de maneira preliminar, ou seja, sem necessidade de abertura de processo e realização de audiências. Esse número demonstra o alto índice de resolução das demandas que chegam ao órgão e a rapidez com a qual os problemas dos consumidores são solucionados”, informou o diretor Rogério Athayde.

Reclamação

Os consumidores poderão registrar suas reclamações pelo aplicativo Procon-ES (disponível para Android) ou pessoalmente, na sede do Procon Estadual, na Avenida Princesa Isabel, 599, Ed. Março, 9º andar, das 9h às 17 horas, de segunda a sexta. Os consumidores podem procurar ainda a Unidade Faça Fácil, em Cariacica, que atende também aos sábados, até às 13 horas.

Existe também uma plataforma online, do Ministério da Justiça, para o registro de reclamações. Por meio do site www.consumidor.gov.br é possível registrar queixas e solucionar os problemas de consumo diretamente com as empresas em até dez dias.

Para atendimento é preciso que o consumidor tenha disponível o RG (Carteira de Identidade), CPF, além de documentos que possam comprovar a reclamação, como faturas, comprovante de pagamento, contrato, entre outros.

 

 

COMENTE ABAIXO:
Continue Reading

BLOG DO ILAURO

POLÍTICA

POLÍTICA NACIONAL

ECONOMIA

CIDADES

BLOG DO ILAURO

MAIS LIDAS DA SEMANA