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TARDIA MEMÓRIA

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Por | 19.01.2012

 

Joaquim Neiva, comissionado na Secretaria de Cultura, me pede para encaminhar-lhe memória de fatos e eventos construídos no período em que fui Secretário de Cultura e Turismo de Cachoeiro, no longínquo janeiro/2001 a agosto/2002 (vinte meses exatos). Difícil reconstituir, vez que, passados anos, sem que ninguém falasse no assunto, a memória se apaga.

Disse-lhe que uma das excelentes funcionárias da época poderia me ajudar ? Míria Márcia Jorge. Ajudou. Agora recebo torpedo de Joaquim, me apressando: ?Higner, preciso dos dados sobre sua gestão na Cultura, para aquele documento/memória de que te falei. Só falta o seu material. Joaquim Neiva?. Eu não tinha tantos ?documento/memória?, Míria tinha. Optei, para atender a Joaquim (?só falta o seu material?), por fazê-lo a partir de pequenos registros escritos, já que os outros estão perdidos, para rememorar 20 meses nos quais fui Secretário de Cultura e Turismo.

Faço o que posso e não invento, publico. BERNARDINO MONTEIRO: Quando um cidadão famoso me criticou, dizendo que o Bernardino Monteiro era subaproveitado quando fui secretário, me possibilitou fazer levantamento das atividades culturais que se realizaram (no meu período) no que chamam de Palácio, levantamento que publiquei em jornal local (janeiro/2006). Listei realizações que vieram à mente, observando, à época, que escrevia ?baseado na memória, sem remeter-me a arquivos?, como novamente faço. São elas: (1) aulas e campeonato de xadrez, que se realizaram enquanto fui secretário; (2) Gibiteca, que existiu enquanto fui secretário; (3) aulas de ensino de violão, idem, idem; (4) aulas de Desenho (Ricardo Ferraz), idem, idem; (5) aulas de música com pios Maurílio Coelho em orquestra que montávamos, com o maestro Davi Evangelista (não tivemos sucesso que esperávamos); (6) aulas de dança com Jeremias Scheidegger que lotava todos os dias o grande salão onde agora está o gabinete do prefeito. Dançarinos de todas as classes, principalmente crianças que estudavam gratuitamente graças à generosidade de Jeremias, a qual generosidade permanece, mas não as aulas no Bernardino; (7) exposições mensais fotográficas temáticas com acervo de fotos da Secretaria, acervo o qual, disseram, não mais existe (espero que seja informação falsa, vez que outro me disse que ele está no museu ferroviário).

Concomitantemente, a exposição de fotos do mês anterior no Bernardino era aproveitada no Mourad?s. Mourad´s que até hoje abre portas para mim, não cobrando nada, como sempre. Como a prefeitura não quis seguir com as exposições, fi-las e as faço eu mesmo, com meu dinheiro e acervo, aproveitando, inclusive, fotos da Coleção Gil Gonçalves, da qual, por bondade de seus herdeiros, sou guardião; (8) exposições históricas diversas, inclusive a do Prof. João Eurípides Franklin Leal, que trouxe e teve a consideração de deixar em nossas mãos, relíquias centenárias como as vestes do primeiro Bispo do Espírito Santo, D. Fernando Monteiro, irmão de Jerônimo e Bernardino Monteiro (até hoje fico admirado de como João Eurípides deixou aquele material sagrado em nossas mãos, confiança que muito me orgulha e orgulhou a meus excelentes funcionários que não faltavam ao serviço e não ficavam fazendo politicagem no serviço público); (9) oficinas de trabalhos culturais para centenas de professores municipais, cujo responsável era professor municipal, cujo nome me falha a memória (foi embora de Cachoeiro, ainda em meu período ? também tenho orgulho dele); (10) reuniões do início e fundação do primeiro consórcio de turismo regional integrado (Rota Sul), hoje Consórcio dos Vales e do Café, do qual fui o primeiro Vice-Presidente; (11) o Bernardino servia como suporte à Feira do Artesanato que funcionava na Praça, com barracas que adquirimos. Era feira regional, abarcando municípios do Consórcio Rota Sul; (12) Ali funcionavam oficinas pedagógicas para professores, da Secretaria de Educação, à qual dávamos suporte; (13) Tinha lá instalada TV de 33 polegadas com TV a Cabo (Adelphia, hoje Via Cabo), sempre ligada em canais de cultura. A TV a cabo, consegui sem pagar mensalidade; o aparelho de TV, eu mesmo doara quando vereador (o aparelho de TV que tinha em minha casa, era bem menor). Tinha mais planos para o Bernardino. Infelizmente, não pude mais exercer a Secretaria ao lado da advocacia. Fui cuidar da advocacia. Trabalhos inconciliáveis, naquela hora. (2) TEATRO RUBEM BRAGA: Ao lado das atividades desenvolvidas no Bernardino, o Teatro Rubem Braga fervilhava de ações culturais, mas o teatro, confesso, ficou essencialmente nas mãos de Luciá Sampaio. Não sendo o teatro especialidade minha, ficou bem entregue a ela; muitas peças e apresentações foram realizadas.

Um dia sento com ela para completar este rápido relatório, o que não faço agora dada a urgência de Joaquim Neiva. Quanto a atividades fora do Bernardino e do Teatro, puxo da memória. BONDE DA CULTURA ? Utilização de ônibus doado pela Flecha Branca, com dois tours diários, média de 40 alunos por tour, que visitavam a Casa dos Braga, Fábrica de Pios, Teatro Rubem Braga, Bernardino Monteiro, etc. Milhares de cachoeirenses aproveitaram. A auto-estima da cidade também.

Pretendia e não tive tempo, levar mais entidades, como o pessoal da melhor idade, dos asilos e de outras entidades. A primeira ideia do ônibus partiu de Luciá Sampaio, que o queria para visitas de estudantes ao Teatro. Lendo livro de Antonio Palocci, que fora prefeito de Ribeirão Preto, complementei a ideia. Entendera, com Palocci, que só gosta de sua cidade quem a conhece. Esse espírito norteou o projeto: o cachoeirense precisava conhecer sua cidade. Pelo custo/benefício foi o projeto mais barato da secretaria; lamento não tenha tido continuidade. (No governo Valadão o projeto retornou por 10 meses, atendendo cerca de 10 mil pessoas. Por falta de compromisso público, foi mais uma vez enterrado).

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LANÇAMENTO DE LIVROS E CDs DIVERSOS (PROJETO POESIA VIVA) – mensalmente, umas doze vezes. Lembro-me do lançamento da (1) primeira biografia de Sérgio Sampaio (?Eu quero é botar o meu bloco na rua?, de Rodrigo Moreira ? Ed. Muiraquitã, atualmente em segunda edição); (2) livro ?Florentino Avidos, um Homem à Frente de seu Tempo?, de Marien Calixte; (3) livro ?Visão e Revisão?, cartuns de Ricardo Ferraz; (4) fanzine ?Vertigem?, editado por Bruno Garschagen; (5) livro ?O Segredo da Granfina?, do cronista Marcos Alencar; (6) , livro ?Poesias (A)fiadas?, de Silvio Carvalho e outros. De cada obra, adquiríamos 10 exemplares para o acerco da Biblioteca Municipal Major Walter dos Santos Paiva (Casa dos Braga). O Projeto Poesia Viva, copiei-o, inclusive o título e de forma desavergonhada do grande João Moraes, subsecretário na administração anterior. Sabem como eram feitos os salgadinhos para recepção aos convidados desse projeto? Míria fazia-os em casa, para economizar dinheiro público. Sabe quanto custavam? Nunca mais de trezentos e poucos reais. Míria, dedicada ao serviço, tinha também esse ?dever de casa? que poderia recusar, e nunca recusou. Ela é a principal responsável, senão a única, pela memória deste título.

SONGBOOK/CD DE RAUL SAMPAIO ? Em 21 de junho de 2001 a Secretaria patrocinou, juntamente com diversas empresas locais, o lançamento do importante acervo/memória do grande Raul Sampaio, que se deu no Teatro Rubem Braga. Hoje o songbook é considerado preciosidade.

LEI RUBEM BRAGA ? a primeira vez que funcionou efetivamente foi no nosso tempo. Modesta, mas nós a fizemos, abrindo caminho para o futuro. Selecionados onze obras, foram completadas oito. Entre as obras selecionadas: ?Anauê?, romance de Marcelo Grillo; ?A Dama e o Vagabundo?, balé de Denise Prates; ?Pelas Cidades?, livro de urbanismo de Paulo Mendes Glória; ?João Moraes e a Patuléia?, vídeo do próprio e CD de Aroldo Sampaio. Quase todos em começo de carreira, todos grandes talentos hoje. São os que lembrei. O Maestro José Nogueira foi selecionado para gravar seu CD, mas desistiu. Saí e não pude prosseguir.

ILHA do MEIRELLES ? É a maior ilha do Rio Itapemirim, situada próxima ao Bairro Café Guandu, a 3 km do centro da cidade, com quase 100.000 m2. Pertencia a Newton Meirelles, aposentado do Banco do Brasil. Em 06/06/1988 fui ?co-patrocinador? na doação da Ilha ao Município de Cachoeiro de Itapemirim, gestão do Prefeito Valadão. Quando eu era Secretário de Cultura, através da Lei 5332/2002, o município ? pelo Prefeito Ferraço, concedeu à União Social Camiliana ? USC/São Camilo, concessão de uso para que a ilha fosse conservada em favor das crianças e da comunidade. Foi a maneira que o município encontrou de, ao mesmo tempo, preservar a memória de Newton Meirelles, manter intacta a bioflora local e dar utilidade científica a esse patrimônio. Missão cumprida.

OBRAS DE ALFREDO HERKENHOFF ? Com vista a um futuro Museu da Cidade, adquirimos um busto em bronze e dois quadros desse autor cachoeirense. Não consegui ir à frente com esse projeto.

EDIÇÃO de LIVRO de POETAS CACHOEIRENSES ? 1999: ?Concurso de Poesia João Motta?, da administração anterior de Ferraço, trabalho de Ilauro de Oliveira e Pedro Ernesto Fagundes. Assumi o compromisso de publicação. Cumpri: editamos e distribuímos 1.000 livros, com poesias de 18 jovens escritores cachoeirenses.

LEVANTAMENTO das ATIVIDADES CULTURAIS e TURÍSTICAS do MUNICIPIO (atividades e atores), com a parte da Cultura a cargo de Isabel Bastos e a do Turismo a cargo de Fabíola Depes, excelentes ambas. Incluímos cadastros dos artesões, dos músicos e dos artistas plásticos.

AQUISIÇÃO de LIVROS para a BIBLIOTECA MUNICIPAL ? Dei mui especial atenção à biblioteca, aliás, o meu ?bunker? em matéria de cultura, biblioteca que tinha e ainda tem servidores públicos de alto gabarito. Propus-me investir o mínimo de mil reais por mês para aquisição de livros para a biblioteca (valores de 2001). Cumpri a meta, fui além, creio. A escolha dos livros era dos frequentadores da biblioteca (muitos naquele tempo), ou por mim mesmo. Guardei alguns bilhetes de leitores que pediam aquisição de livros, como o que pedia dicionários de grego, aramaico e hebraico. Adquiri o que existia no mercado ? o grego. Relatório do primeiro trimestre de 2001, da excelente servidora Maria das Graças, do qual guardei cópia, informa que nesse trimestre, recebemos em doação 756 livros. A Secretaria de Cultura, diz o relatório, adquiriu 72 livros e outros 4 foram comprados com dinheiro de multas por atraso na devolução de livros. A Secretaria, diz o relatório, assinava os jornais Folha do Espírito Santo, Diário Capixaba, A Tribuna, A Gazeta e Jornal do Brasil.

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Assinávamos, também, revistas semanais, tudo para frequentadores da Biblioteca, nada para gabinetes. No mesmo trimestre, diz o relatório, foram feitas quase 11 mil consultas a livros, jornais e revistas, sendo 8 mil no mês de março, inicio das aulas. Ao menos um relatório semanal guardei: na semana de 28/05 a 01/06/2001 foram emprestados 188 livros. Desnecessário dizer que continuei a doar livros e assinaturas de revistas à biblioteca, em caráter pessoal (ou seja, independente de ser secretário). Fiz antes e enquanto secretário. Fiz depois, até quando desanimei.

Na última enchente, 2011, a secretaria de cultura e arte deixou perder mais de 10.000 livros, muitos dos quais comprados por mim, como secretário, ou doados, como cidadão. Continuo doando, mas para bibliotecas de escola, inclusive da prefeitura.

LEI JOÃO INÁCIO ? Os estudos iniciais da lei, aprovada logo após minha saída da secretaria, são de quando eu era secretário. Mas devo dizer: quase nada fiz, exceto incentivar Genildo Hautequestt (que, pelas suas qualidades dispensa e dispensava incentivos) a fazer o trabalho. A lei só veio funcionar nesta administração, não por ela, mas pela dedicação do mesmo Genildo: ele fez todo o trabalho inicial, quando fui secretário em 2001/02 e fez valer a lei no atual governo. Secretários, eu e a atual, nada fizemos, a não ser não atrapalhar.

ORGANIZAÇÃO do CONSÓRCIO TURÍSTICO ROTA SUL, outro trabalho quase exclusivo de Genildo. A matéria está no relatório sobre o Bernardino, acima.

ASSOCIAÇÕES do FOLCLORE e de ARTESANATO, ainda em funcionamento, foram criadas em minha gestão. Reuniam-se no Bernardino. Movimentos com essencial participação de Genildo, o qual, para demérito da atual administração, pediu demissão.

FANFAJUMA ? Banda Marcial do Anacleto Ramos ? renovamos praticamente todos os instrumentos musicais e financiamos viagem da banda a outras cidades, para participação em concursos culturais.

CASA DE ROBERTO CARLOS: ? ABERTURA AOS SÁBADOS E DOMINGOS: Antes não funcionava aos sábados, domingos e feriados. Funcionar foi decisão pessoal minha, com decisivo apoio do Prefeito Ferraço, contra vontade de alguns. De pequena visitação diária, fizemo-la multiplicar por 10 ou mais vezes a frequência à Casa do Rei. Ao lado de visitação dirigida (Bonde da Cultura), aumentou muito o número de turistas, pelo fato de que… turistas viajam, em maior parte, em fins de semana. Abrimos possibilidade de os cachoeirenses trabalhadores poderem visitar a Casa. –

AQUISIÇÃO DE MOBILIÁRIO: Boa parte do mobiliário da Casa do Rei foi adquirida quando fui secretário. – ANIVERSÁRIO DO REI: Por duas vezes comemoramos o aniversário do Rei, o que, parece, começou a ter maior intensidade e divulgação nesse período, obra do Sidney Jordão, grande servidor. –

 FOLHETERIA ? Confeccionamos 1.000 cartazes grandes, com a Casa de Roberto Carlos e distribuímos por toda a região e em algumas operadoras de turismo no Brasil; confeccionamos milhares de folders (A4 ? frente e verso), com pequena história de Roberto Carlos e com informações prestadas por Raul Sampaio, sobre como compôs o Hino da Cidade (?Meu Pequeno Cachoeiro?). Ao mesmo tempo, mandamos imprimir milhares de cartões postais da cidade, inclusive da Casa de Roberto Carlos (há muito tempo não temos mais cartões postais da cidade). As fotos da cidade foram cedidas, sem custo, pelo fotógrafo José Carlos de Oliveira. CONCLUSÃO Ao fim desse relato pedido pelo Joaquim Neiva, registro o apoio incondicional que recebi dos servidores públicos da época, comissionados ou não. Quando cheguei à secretaria tínhamos 50 servidores; ao sair, 20 meses depois, eram 33. A máquina funcionava melhor que antes. Quem não se adaptou, inclusive alguns arredios ao trabalho (nem todos), coloquei à disposição da Administração. Alguns saíram porque cresceram, o que foi muito bom. Tenho outros orgulhos. Tive excelentes colaboradores, aos quais peço desculpas por não citá-los nominalmente. Por todos, homenageio-os na pessoa de Dona Eliane, exemplar servidora, ainda lotada na Cultura, cujo cafezinho, dedicação e capricho com a limpeza eram e são sua maneira de contribuir para o bem público; e na pessoa de Márcio Guimarães Fontes, secretário administrativo eficientíssimo e confiabilíssimo. Parente não trabalhou comigo. Amigo, só por ser amigo, também não. Gastei pouco do dinheiro público. Não gastei um centavo que não fosse exclusivamente em cultura e turismo ? honrei Cultura, Turismo e Erário Público. Não enriqueci ninguém, não me enriqueci. Aparelho de som? Compramos um, bom e barato. Tendas, palcos e iluminação? Não precisávamos: as atividades eram realizadas nos prédios municipais ou em outros cedidos graciosamente. Ao fim, seria injusto se não dissesse que o que pedi ao Prefeito Ferraço, ele deu. Não pedi mais, por medo de não receber. Passados 10 anos, acho que deveria ter pedido mais; ele não negaria. Azar meu, poderia ter apresentado mais atividades. Outro Secretário, no futuro, resgatará essa frustração. (?Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.? Tiago 2:17-18)

 

 

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Eterna Aprendiz – Por Flávia Cysne*

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Que a vida é uma escola não é novidade né? E eu tenho constatado esse fato todos os dias. Especialmente em relação às mulheres, que têm a capacidade impressionante de se reinventar.

A constatação é realmente diária. Muitas histórias são parecidas com a minha, outras diferentes, mas todas se entrelaçam na resiliência e capacidade de seguir em frente, superando muitos desafios, sempre aliados à criação dos filhos, ao trabalho em casa e fora dela e à gestão da família, nem sempre com o apoio do companheiro, o que felizmente não é o meu caso.

Tenho convivido nos últimos meses com muitas mulheres que sempre foram empreendedoras, mas que não enxergavam o valor de sua atividade, o que felizmente mudou a partir do trabalho do conscientização e apoio como o realizado pela Aderes junto a mulheres de todo o Estado.

Numa das agendas que cumpri como representante do escritório regional sul do órgão ouvi algumas histórias que mostram a importância do nosso trabalho. Uma produtora rural contou que sempre trabalhou na roça ao lado do marido. Mas que o retorno financeiro do seu trabalho não passava pela sua mão. Era da família,  o que era enxergado até com certa naturalidade, já que com sua mãe era exatamente igual.

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Ela falava da importância de encontros como o que estávamos promovendo porque foi participando de um deles que descobriu que poderia ter sua própria renda fazendo as geleias, bolos e outras delícias que eram tradição de família e agradavam a todos. A mulher me contou, feliz, que o trabalho continua intenso e que agora, como dona de uma agroindústria com produtos bastante requisitados no mercado.

A diferença é que tem dinheiro no fim do mês e já comprou muitas coisas para si e sua casa que eram sonhos da vida toda. Por que estou contando isso? Porque é gratificante perceber que o nosso trabalho é muito importante para valorizar o  de tantas outras mulheres que, como eu (que tenho uma produção de flores) estão sempre em atividade.

Trabalhando pelo bem-estar da família, mas também para alcançar sonhos e projetos pessoais nem sempre valorizados.

Neste trabalho é fundamental fortalecer e valorizar outras mulheres naquilo que fazem com excelência. Mas que nem sempre veem como uma atividade empreendedora e sustentável.  Estou realmente muito feliz porque aqui ninguém solta a mão de ninguém. Juntas somos mais fortes.

  • Flávia Cysne é ex-prefeita de Mimoso do Sul e atualmente gerente da Aderes no Sul do Espírito Santo
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