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Setor pet cresce na pandemia e empreendedores aproveitam oportunidade

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Para especialista, transição de carreira ou abertura de negócio são benéficas, mas devem ser feitas de forma planejada
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Para especialista, transição de carreira ou abertura de negócio são benéficas, mas devem ser feitas de forma planejada

A pandemia da Covid-19 desestabilizou a economia mundial e fez muitos setores sofrerem com quedas nas vendas devido a diversos fatores como perda de poder de compra da população e as restrições de circulação com o isolamento social.

Contudo, um setor em específico que surpreendeu ao, diferente da maioria do mercado, mostrar crescimento mesmo durante o período de pandemia foi o do universo pet. 

O setor de produtos, serviços e comércio de animais de estimação registrou alta de 27% no faturamento em 2021, o que resultou em R$ 51,7 bilhões, segundo levantamento do Instituto Pet Brasil divulgado em março deste ano. O crescimento foi puxado pelo segmento de pet food, que representou 55% do total do valor – cerca de R$ 28 bilhões.

O levantamento apontou ainda que pet shops pequenos e médios são o principal canal de acesso aos produtos, – como em anos anteriores -, representando quase a metade de todas as vendas do setor (48%).

Eles são seguidos por clínicas e hospitais veterinários (18%); agrolojas (9,8%); varejo alimentar (8,6%); pet shops de grande porte (8%); e-commerce (5,4%); e outros como clubes de serviço e lojas de conveniência (2,1%).

Diante deste cenário de oportunidades, alguns empreendedores não perderam tempo e resolveram apostar tudo no ramo de pets. Este é o caso da empresária Natália Castilho Belfort, 28. Antes de resolver apostar no ramo dos animais de estimação, ela conta que trabalhou “de tudo um pouco”.

“Já entreguei panfletos, trabalhei em call center, fui recepcionista, monitora em buffet infantil, entre outras funções, porém eu sentia que faltava alguma coisa”, afirma a empreendedora, que diz que encontrou sua vocação quando foi trabalhar em um pet shop.

“Resolvi fazer um curso de auxiliar de veterinário e foi a melhor experiência da minha vida. Só que eu não conseguia emprego na área e acabei desistindo do meu sonho de trabalhar com animais. Daí, resolvi fazer um curso de banho e tosa”, diz.

Natália explica que logo nas primeiras aulas do curso já começou a trabalhar e que, depois de passar por alguns pet shops, se firmou em uma empresa onde ficou por oito anos, até ser demitida na pandemia.

“Eu entrei como banhista nessa empresa e depois que fiz um ano, a tosadora pediu as contas, deixando os nossos chefes na mão. Acabei ocupando o lugar dela por saber a função só de observar, mas fazia de tudo um pouco: era auxiliar de veterinária, atendia a loja, entre outras funções”, relembra a jovem.

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Abrindo um negócio na pandemia

Após a demissão, a empresária resolveu oferecer seu próprio serviço de banho e tosa, além de hotel pet, nos fundos de casa. Ela afirma que a experiência foi “muito desafiadora”.

“Banho, tosa e hotel pet não eram serviços essenciais durante a pandemia, e ainda havia o isolamento social e a crise econômica. Tive muita dificuldade também com o número de clientes que oscilava devido às restrições”, afirma.

Embora os empecilhos fossem inúmeros, a empreendedora não se deixou abater e afirma que usou sua longa experiência no ramo ao seu favor.

“Saber fidelizar meus clientes, trabalhando sempre com muito amor, paciência, respeitando cada animal fez toda a diferença”, diz Natália, que conta que adotou uma estratégia contrária a outros estabelecimentos para fidelizar ainda mais os tutores dos pets: “Os comerciantes do setor de pet têm a mania de visar apenas a quantidade. Com meu próprio negócio, decidi priorizar a qualidade acima de tudo e o respeito aos animais”.

Para o futuro, a empreendedora pensa grande e tem o desejo de expandir ainda mais o negócio.

“Pretendo abrir um espaço maior oferecendo creche, hotel para animais deficientes e idosos, banho, tosa e natação. Esse é meu grande sonho, conseguir atender todos aqueles animais que ninguém quer atender. Aquele animal idoso, com alguma questão de saúde, o pet bravo… também quero ofertar alimentos naturais para pet um dia”, finaliza.

Outros empreendedores que também resolveram apostar no setor pet durante a pandemia foi o casal Andreia Geronimo e Eder dos Santos, ambos com 42 anos. Assim como Natália, o casal também foi demitido durante a pandemia.

Apenas Andreia tinha a carteira assinada, porém nenhum dos dois recebeu indenização, além de durante todo o período de trabalho – que foi de três anos – não terem tirado férias, segundo a empreendedora.

“Fomos questionar nossos direitos para o dono do pet shop e ele nos disse que não tinha dinheiro para pagar. Ficamos desesperados. Os dois estavam desempregados bem no meio de uma pandemia. Foi assustador”, relembra Andreia.

A empreendedora revela que o casal cogitou entrar na Justiça para ter seus direitos pagos, porém o empregador “é cheio de processo trabalhista”. Para resolver a questão, Andreia e Eder fizeram um acordo.

“Pegamos dois secadores, dois sopradores e começamos a trabalhar na garagem de casa, no Itaim Paulista. Os clientes eram do Tatuapé e ficavam nos ligando querendo saber da gente, mas eles não queriam trazer os animais até nós. Começamos então a buscar os pets para fazermos o serviço na nossa casa. Ficamos cerca de dois meses fazendo este trajeto”, diz.

Andreia explica que o percurso era muito cansativo e que se tornou inviável com o tempo. Daí então surgiu a ideia do casal pegar um empréstimo para investir no negócio.

“Conseguimos alugar um espaço mais próximo dos clientes, além de comprar outros equipamentos que precisávamos. Estamos trabalhando dia após dia. É muita peleja. Nosso sonho é expandir cada vez mais. Isso é o que amamos fazer”, finaliza a empreendedora.

Especialista traz dicas para quem quer empreender ou mudar de carreira

Pet shops pequenos e médios são o principal canal de acesso aos produtos, segundo Instituo Pet Brasil
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Pet shops pequenos e médios são o principal canal de acesso aos produtos, segundo Instituo Pet Brasil

A psicóloga Claudia Danienne, especialista em RH e Gestão de Pessoas, com mais de 25 anos de experiência no mercado, explica que o primeiro passo para quem busca empreender ou realizar uma transição de carreira é se qualificar. Ela traz dicas para quem está, ou pretende se inserir, no mercado de pets.

“É importante compreender que atividades ligadas aos animais necessitam de preparo e informação, além de muita habilidade relacional, empatia, afetividade e planejamento para lidar com os bichinhos. Há inúmeras observações que o profissional que vai lidar com animais precisa saber e ser treinado previamente”, diz. 

A especialista também salienta que, além das habilidades técnicas específicas, as experiências do passado também contribuem significativamente para abrir um negócio ou uma transição de carreira. Para esta técnica, ela utiliza o termo ‘lifelong learning’ (aprendizagem ao longo da vida, em tradução).

“O lifelong learner é todo indivíduo que passa pela vida aprendendo além da formação formal educativa. Observador, curioso, humilde em reconhecer o que não sabe e desejoso de aprender, entende que a pluralidade dos temas, experiências e conexões é que estrutura uma bagagem que faz toda a diferença na vida”, explica.

Outro ponto que a psicóloga aponta como importante para ter sucesso na carreira no setor pet é o de trabalhar a escuta ativa: “Ouvindo com atenção, primando por entender o cliente – humano e seu respectivo pet – a experiência será outra. Pontos de atenção, mimos e responsabilidades rotineira são informações fundamentais para se estabelecer confiança e um serviço de excelência”.

Para finalizar, a especialista em RH afirma que a transição de carreira, ou a abertura de um negócio, são benéficas para uma trajetória profissional, mas que não podem ser “meramente intuitivas”.

“Elas devem acontecer de forma planejada, mesmo que chegue abruptamente. Busque compreender cada detalhe possível, fazer uma análise com as suas forças e fraquezas pessoais, e avaliar o saldo desta apreciação. Se há mais pontos sinérgicos do que pontos de distanciamento, se permita”, conclui.

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Fonte: IG PET

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Vídeo de grupo de “cães introvertidos” viraliza

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Cães introvertidos ficam parados em parque
Reprodução/TikTok

Cães introvertidos ficam parados em parque

Um vídeo do TikTok fez sucesso entre os internautas ao mostrar um grupo de cães que parecem “introvertidos” interagindo em um parque. 

Ao invés de perseguir bolas, cheirar e correr, como cachorros comuns, os pets permanecem parados e parecem muito inseguros com a situação.

O vídeo foi compartilhado pelo perfil que recebe o nome de QILA, um antigo cão de rua da Rússia que atualmente vive no Suécia. O post tem 21 segundos e o momento inusitado entre os “cães introvertidos” pôde ser visto por mais de 23,7 milhões de vezes e recebeu mais de 4,4 milhões de curtidas no perfil @qilastiktok. 

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“Meu cachorro é introvertido, então fomos a um encontro com outros cachorros que pensam da mesma forma. Foi isso que aconteceu”, escreveu um dos tutores na legenda. “É como um pasto de vacas”, acrescentou.

Na gravação, há noves cães que podem ser vistos sentados ou em pé, perto de seus tutores, confusos e sem saber como se comportarem. 

Outros usuários do TikTok deixaram no post comentários sobre esse comportamento: “Eles não sabem o que fazer”, escreveu uma pessoa. Outra acrescentou: “Estou morto, eles são como humanos”. “Cada um deles está apenas curtindo sua própria companhia e solidão. Tão fofo”, acrescentou um terceiro. As informações são do site Vida de Bicho. 

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Fonte: IG PET

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