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Sem redução no IPI e com menos crédito, setor automotivo terá 2013 mais difícil

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A Anfavea prevê encerramento de 2012 com expansão nas vendas de 4% a 5%

Por | 12.11.2012

 

 


Brasília – O ano de 2013 trará desafios ao setor automotivo, que este ano foi beneficiado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concedida em junho e prorrogada duas vezes pelo governo, a última delas até 31 de dezembro. Os fabricantes e revendedores de veículos não contarão mais com a desoneração – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a prorrogação mais recente deverá ser a última – e continuarão operando em um mercado com crédito mais restrito do que na época da primeira redução do IPI, em 2009. Esse fator contribuiu para mudar o perfil de quem adquire veículos, já que as financeiras fazem mais exigências e a classe C não é mais a vedete do mercado.

 

 

Apesar da perspectiva menos favorável do que a atual, a Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea) prevê que a comercialização de veículos continuará crescendo. “Entendemos que o mercado reúne condições de continuar em expansão”, afirmou a entidade por meio de nota enviada à Agência Brasil.

 

A Anfavea prevê encerramento de 2012 com expansão nas vendas de 4% a 5% no acumulado do ano ante o mesmo período de 2011. Além disso, projeta a venda de mais 669,3 mil veículos até dezembro, totalizando 3,8 milhões no ano. Atualmente, o estoque de veículos está em 316 mil unidades, número considerado razoável para abastecimento regular do mercado. Para 2013, entretanto, apesar da estimativa de crescimento, ainda não há previsão quantificada.

 

O economista e consultor de varejo automotivo Ayrton Fontes diz que não espera recorde para as vendas de veículos em 2013. O consultor destaca que a inadimplência no financiamento automobilístico está em 6%, enquanto há dois anos estava entre 2,4% e 2,5%. Por isso, afirma, os bancos continuarão impondo regras rígidas para a liberação de crédito. “Acabaram aqueles financiamentos em 60 vezes sem entrada. Para aprovar [o financiamento] o banco tem uma série de exigências, que são renda comprovada, casa própria, estabilidade no emprego. Além disso, privilegiam quem pode dar uma entrada mais alta”, destaca.

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O empresário Hélio Aveiro, dono de concessionária de veículos no Distrito Federal e vice-presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do DF (Sincodiv-DF), também relata uma situação de crédito mais restrito. “Está mais difícil. De setembro para cá melhorou um pouco, com a ajuda da redução do IPI. Mas não está mais como antes”, admite. Ele prevê um Natal bom, em função não apenas do benefício, mas do pagamento do 13° salário e das promoções de fim de ano. Aveiro diz ainda que, para 2013, a expectativa é de que a inadimplência recue e o crédito melhore.

 

Na avaliação de Ayrton Fontes, o cenário atual, mais restritivo em relação ao financiamento, levou as classes A e B a se beneficiaram mais da redução do IPI em 2012 do que a classe C, que em 2009 foi a protagonista da desoneração. “Naquela época, muitos adquiriram seu primeiro veículo. Agora, o que se tem é uma venda mais para as classes A e B. Eles têm condição de dar 20%, 40% de entrada e pagar um juro mais baixo nas prestações”, comenta. Para ele, mesmo que a inadimplência apresente algum recuo no ano que vem, não haverá alteração drástica na concessão de crédito no curto prazo e, portanto, a situação tende a continuar.

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Entre os consumidores que pretendem adquirir carro novo pagando um valor razoável de entrada está o técnico de segurança da informação Osvaldo Monteiro de Morais, morador do Distrito Federal. Na semana passada, ele esteve em uma concessionária pesquisando os preços, acompanhado do filho. Morais pretende trocar seu veículo, um Gol de 1998, por um modelo novo da mesma marca. “Inicialmente, pensávamos em levar um carro básico, mas pelo jeito vai dar para comprar um com alguns adicionais. Quero dar uma boa entrada agora e deixar o menor número de parcelas possível, umas três ou quatro no máximo”, contou.

 

Uma maneira de o setor automobilístico obter incentivos no ano que vem será o novo regime automotivo, lançado no início de outubro pelo governo e que entra em vigor a partir de janeiro de 2013. Para se habilitarem, as empresas terão que se comprometer com uma série de metas, dentre elas a redução de 12,08% no consumo de gasolina e etanol até 2017. Ao se habilitarem ao programa, as empresas conseguirão crédito presumido do IPI de até 30 pontos percentuais. Na verdade, as empresas que assumirem as metas vão escapar do aumento de IPI de 30 pontos percentuais, definido pelo governo no ano passado para as indústrias que não apresentarem índices mínimos de conteúdo local na produção.

 

 

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Economia forte faz Ford lançar no Brasil primeiro carro global

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BRASÍLIA – AGÊNCIA CONGRESSO – O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, falou da força da economia brasileira durante o lançamento do novo Ford EcoSport, o primeiro carro da Ford produzido no Brasil, que será exportado para mais de 100 países.

“Esse é um momento especial, vivemos um momento de crise mundial e ao mesmo tempo os investimentos no Brasil crescem. Isso mostra a força do nosso país que hoje é fundamental para a sustentação da economia global”, disse Mercadante, que representou a presidenta Dilma no evento.

 

Criado em Camaçari, na Bahia, o EcoSport de nova geração faz hoje sua pré-estreia mundial também na capital da Índia. Os eventos em Brasília e Nova Déli simbolizam a popularidade que a Ford espera alcançar nos grandes mercados emergentes globais e também o crescente papel que a área de desenvolvimento do produto da América do Sul.

Os investimentos do novo Ecosport fazem parte de um total de R$ 2,8 bilhões que a companhia pretende investir no Nordeste, até 2015

“O lançamento no Brasil e na Índia, dois países da BRICS, mostra a nossa força e importância na economia mundial. Em um momento de crise global continuamos crescendo e vamos investir cada vez mais em pesquisa, engenharia, crédito e incentivo fiscal”, acrescentou o ministro.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, também participou do lançamento e falou da importância do investimento para a economia da país e do seu estado.

“O Brasil começou na Bahia e o primeiro carro global da Ford também foi criado lá. A criatividade do nosso povo está nesse projeto que foi liderado por mais de mil engenheiros brasileiros na Bahia. É um orgulho ter um carro vendido em todo mundo com o carimbo do Brasil”, disse o governador.

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Com mais de 700.000 unidades produzidas desde o lançamento em 2003, o EcoSport é um caso de sucesso da indústria automobilística latino-americana. Desde então, tem sido o modelo mais vendido da categoria na região. O Centro de Desenvolvimento do Produto da Ford América do Sul fica localizado no Complexo Industrial Ford Nordeste, em Camaçari, na Bahia. Único do gênero na região, ele conta com mais de 1.200 engenheiros e designers que utilizam o estado da arte da tecnologia, incluindo avançadas ferramentas de design e engenharia baseadas em computação (CAD/CAE), para o desenvolvimento de veículos.


Ele é um dos oito centros de excelência da Ford no mundo e opera conectado em tempo real com outros centros nos Estados Unidos, Europa e Ásia.O complexo foi inaugurado em 2001 e trabalha junto com o Campo de Provas de Tatuí, em São Paulo, onde os novos veículos são testados e certificados. Ele é um dos dois únicos campos de provas existentes na América do Sul e um dos mais modernos do mundo.

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