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Se comparado ao Emergencial, Auxílio Brasil está defasado em R$ 125

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Auxílio Brasil de R$ 600 já 'nasce' defasado em R$ 125; no Rio não paga a cesta básica, que está em R$ 723,55
Agência Brasil

Auxílio Brasil de R$ 600 já ‘nasce’ defasado em R$ 125; no Rio não paga a cesta básica, que está em R$ 723,55

O recém promulgado reforço de R$ 200 no programa Auxílio Brasil , que vai passar a R$ 600 até dezembro, já nasceu defasado em R$ 125 quando comparado ao extinto auxílio emergencial no mesmo valor, pago de abril a agosto de 2020. Isso ocorre porque a inflação corroeu o poder de compra dos brasileiros nos últimos dois anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do país medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve alta de 20,7% de abril de 2020 até junho deste ano. O alerta foi feito pelo economista e planejador financeiro Bruno Mori, da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), ao portal UOL. Somente de janeiro a junho deste ano, a inflação teve alta de 5,49% e, nos últimos 12 meses, de 11,89%, segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE.

E a situação piora: o novo Auxílio Brasil, que atualmente atende a 18,1 milhões de famílias, não compra, sequer, uma cesta básica em algumas capitais do país , segundo levantamento de maio do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese). Para se ter uma ideia, a cesta passa dos R$ 600 em São Paulo (R$ 777,93), Florianópolis (R$ 772,07), Porto Alegre (R$ 768,76) e Rio de Janeiro (R$ 723,55). Nas cidades do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente das demais capitais, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 548,38) e João Pessoa (R$ 567,67).

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O economista e professor da Faculdade Hélio Alonso (Facha), Ricardo Macedo, chama atenção para a eficácia desse incremento de R$ 200 no valor da renda básica. Ele avalia que o que fica visível nesse lançamento é criar uma “memória” (para o eleitor) do que está sendo feito pelo atual governo, mas sua eficácia é questionável.

Ele pontua que no início da crise sanitária era consenso de que seria preciso consolidar os benefícios, como o extinto Bolsa Família, e dar um valor nominal maior, o que foi feito com o auxílio emergencial de R$ 600. No entanto, agora com o Auxílio Brasil o valor não foi corrigido, o que limitou seu poder de compra e o incremento de R$ 200 terá pouco reflexo na qualidade de vida da população em situação de vulnerabilidade social.

“Em termos reais, já que não acompanha a inflação, o objetivo do Auxílio Brasil não vai ser cumprido. O Brasil tem uma inflação que tem subido constantemente, e que agora está sendo desacelerada de forma artificial, e isso vai comprometer resultados futuros”, avalia o economista, que alerta sobre o caráter eleitoreiro dessa decisão: “Potencialmente, a PEC (Eleitora) é inconstitucional em função do período muito próximo às eleições. E, pelo lado econômico, o valor é abaixo do necessário, mas implica na memória de quem recebe a renda”:

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“O beneficiado pelo auxílio está preocupado em ter recursos para tentar sobreviver.”

Macedo acrescenta que, por melhor que seja o resultado da taxa de desemprego verificada pelo IBGE, a qualidade da recuperação dos empregos no país é muito ruim. Principalmente porque existem distorções regionais onde a renda é muito baixa e a qualidade do emprego é precarizada, e isso foi levado em conta para liberação do recurso extra do Auxílio Brasil.

“A aprovação dos R$ 200 até dezembro somente mostra o caráter eleitoreiro da medida. Muito em função do desespero observado em função dos indicadores das pesquisas de intenção de votos, onde o presidente está em desvantagem. A principal ideia do governo é ganhar ou recuperar terreno em termos de votos em regiões onde o outro postulante ao cargo tem uma nítida vantagem”, avalia e acrescenta:

“Ou seja, é uma forma de dar dinheiro ao povo que necessita do auxílio, mas não no valor que realmente deveria ser. E essa ajuda pode refletir numa melhora dos índices eleitorais do atual candidato, que tenta levar a eleição para o segundo turno.”

Fonte: IG ECONOMIA

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Economia

Dívidas atingem quase 80% das famílias, maior nível em 12 anos

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Quase 80% das famílias brasileiras têm dívida, maior patamar em 12 anos, mostra pesquisa
José Cruz/ Agência Brasil

Quase 80% das famílias brasileiras têm dívida, maior patamar em 12 anos, mostra pesquisa

Quase 80% das famílias brasileiras tinham  dívidas em julho, o maior índice registrado nos últimos 12 anos. Houve aumento de 0,7 ponto percentual na comparação com o mês anterior e de 6,6 ponto percentual em relação a julho do ano passado, indica a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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O levantamento aponta ainda que a segunda metade de 2022 começou com 29% das famílias brasileiras com algum tipo de conta ou dívida atrasada. É o maior percentual de inadimplência registrado desde 2010, quando a pesquisa iniciou a apuração mensal.

No entanto, o percentual de comprometimento da renda permanece no mesmo valor, em 30,4%, desde abril, mas 22% dos brasileiros estão com mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas.

“A alta dos indicadores de inadimplência, após queda nos meses de abril, maio e junho, indica que as medidas extraordinárias de suporte à renda, como os saques extras do FGTS e a antecipação do 13º salário aos beneficiários do INSS, aparentemente tiveram efeito momentâneo no pagamento de contas ou dívidas já atrasadas, concentrado no segundo trimestre deste ano”, analisa o presidente da CNC, José Roberto Tadros.


Fonte: IG ECONOMIA

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