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Saiba como Temer usou carta de Bolsonaro para reposicionar sua imagem política

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O atual presidente da República, Jair Bolsonaro e o ex-presidente Michel Temer
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O atual presidente da República, Jair Bolsonaro e o ex-presidente Michel Temer


Ao elaborar uma mensagem de pacificação de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) após os atos de 7 de Setembro com pautas antidemocráticas, o ex-presidente Michel Temer fez uma jogada de duplo efeito. Baixou, por enquanto, a temperatura da crise institucional, estimulada por Bolsonaro, e também capitalizou o papel de apaziguador para reposicionar a própria imagem.

Temer deixou o governo como o presidente mais impopular da história, com apenas 7% de aprovação. Quase três anos depois, tenta agarrar uma oportunidade de obter um reconhecimento tardio de sua gestão e se notabilizar como uma espécie de conselheiro da República, chamado a palpitar em momentos cruciais. O excesso de exposição nos últimos dias, porém, suscitou a especulação de que o ex-presidente esteja traçando uma candidatura ao Planalto, o que ele nega até agora.

Interlocutores de Temer no MDB dizem que o ex-presidente, que completa 81 anos na próxima quinta-feira, não demonstra disposição para uma corrida presidencial. Outra avaliação é que o emedebista seria um alvo fácil em uma eventual disputa com Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Lula (PT), dado que tem uma rejeição maior que os outros dois, apesar do investimento na reconstrução de imagem.

Uma disputa eleitoral, portanto, só seria considerada, segundo pessoas próximas, se houvesse uma aclamação e convergência de pelo menos cinco partidos e do empresariado pelo nome dele. Um interlocutor lembra que Temer, feito presidente após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, é “fruto do destino”.

Aliados também consideram remotas as chances de Temer se lançar a uma disputa a outro cargo, seja uma cadeira no Senado ou na Câmara, que ele presidiu três vezes. Um importante quadro do MDB pontua que ele é cioso da posição de ex-presidente e prefere trabalhar pelo legado do seu governo e cristalizar em sua biografia a posição de “oráculo”, procurado pela relevância de suas opiniões.

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“É natural que surjam especulações em torno da nova oportunidade de Temer, que demonstrou ter agilidade não só intelectual, como também física para se posicionar novamente no campo político. Porém, hoje ainda não existe nenhum tipo de manifestação dele no sentido de aceitar voltar ao cenário político”, afirmou Carlos Marun, ex-ministro do governo Temer.

Depois de ter sido chamado às pressas a Brasília para ajudar a construir a “Declaração à Nação”, Temer assumiu o protagonismo do episódio. Em uma estratégia traçada pelo publicitário Elsinho Mouco, emendou uma sequência de entrevistas e turbinou suas redes sociais, nas quais já vinha investido para suavizar a imagem. No Instagram, publicou um vídeo caminhando em direção ao avião da FAB que o buscou em São Paulo por determinação de Bolsonaro; postou uma imagem em que está diante da bandeira do Brasil com a palavra “diálogo”; compartilhou elogios sobre sua atuação e acrescentou na descrição do seu perfil: “Em um relacionamento sério com a democracia.”

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No dia seguinte à divulgação da carta assinada por Bolsonaro, Temer foi aplaudido ao chegar para um almoço em um restaurante em São Paulo, surpreendendo aliados que o acompanhavam. A interlocutores, o ex-presidente não escondeu a satisfação e contou das inúmeras mensagens de parabéns que recebeu por intervir para distensionar a relação do Planalto com o STF. No domingo, durante a manifestação organizada pelo Movimento Brasil Livre (MBL) contra Bolsonaro na Avenida Paulista, surgiram placas de #voltatemer em pontos de maior circulação. Segundo aliados, a ideia foi do marqueteiro de Temer.

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Elsinho Mouco também foi o responsável por gravar o jantar em que Temer aparece rindo do humorista André Marinho, que imitava Bolsonaro falando de ministros do STF. A cena causou constrangimento não apenas pela chacota, mas porque o ex-presidente está cercado de empresários e desafetos de Bolsonaro, como o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o empresário Paulo Marinho, ex-bolsonarista e hoje próximo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Pai do humorista, Marinho distribuiu o vídeo.

Temer telefonou para Bolsonaro para minimizar o episódio e contornar o constrangimento, lembrando que outros políticos também foram imitados no jantar. Em seguida, o marqueteiro fez circular um vídeo em que o humorista replica os gestos de Temer, Doria, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), do presidente americano Joe Biden e de seu antecessor Donald Trump.


Pessoas próximas a Temer dizem que a situação está superada, mas reconhecem que o episódio foi desastrado e repercutiu mal. A tendência agora é que o ex-presidente diminua as aparições públicas e adote uma postura mais discreta nos próximos dias.

“O presidente Temer nunca deixou de atuar na política. A atuação dele na crise institucional só causou maior visibilidade. Foi um gesto de um ex-presidente da República. Não dá para levar isso como um movimento de pré-candidatura. Ele nunca mencionou isso “, diz o líder do MBD na Câmara, Isnaldo Bulhões (AL).

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Senadores da CPI criam roteiro para manter capital político após relatório final

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Senadores da CPI criam roteiro para manter capital político após relatório final
Reprodução/Agência Senado

Senadores da CPI criam roteiro para manter capital político após relatório final

Com a iminência do fim da  CPI da Covid, senadores que integram a comissão buscam formas de manter o capital político e as alianças formadas durante os quase seis meses de trabalho. O anúncio de uma frente parlamentar sobre a pandemia, composta por oposicionistas e independentes do grupo majoritário chamado G7, esbarra em divergências políticas históricas. Paralelamente, congressistas se unem em parcerias que vão desde o lançamento de um livro até alianças eleitorais.

Além de ganhar visibilidade e se consolidar como um dos principais opositores ao presidente Jair Bolsonaro, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), construiu pontes no Senado através da CPI, esforçando-se para buscar consenso entre aliados novos e antigos. Ele não descarta usar isso para viabilizar, em 2023, uma eventual candidatura à presidência da Casa, cargo que já ocupou por quatro vezes.

Nos últimos meses, Renan se aproximou do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), com quem protagonizou uma briga no passado. Em 2009, Renan chamou Tasso de “coronel”, e o tucano revidou chamando o alagoano de “cangaceiro de terceira categoria”. Outro antigo desafeto de Renan é o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), hoje aliado de primeira hora na comissão.

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Randolfe anunciou na última semana o desdobramento da CPI da Covid em uma frente parlamentar. O intuito, de acordo com ele, é acompanhar e cobrar soluções para o pós-pandemia. Além disso, Randolfe prepara um livro, que será lançado em 2022, com o senador Humberto Costa (PT-PE).

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“Já tem dois capítulos escritos. A ideia é abordar um pouco algumas avaliações políticas da CPI e bastidores também”, afirmou Costa.

Para o petista, embora a frente sugerida por Randolfe deva servir de acompanhamento das denúncias propostas pela CPI, o consenso do bloco só deve ser mantido em temas relacionados à pandemia. Na visão dele, é possível haver articulações em assuntos envolvendo a Covid-19, mas outros temas terão abordagens diferentes. A visão é compartilhada pela maioria da comissão. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que ressaltou também a adesão dos suplentes ao chamado G7, cita uma união “forte” em temas da pandemia.

“A formação da frente parlamentar é bastante razoável, o tema comporta, mas a gente também tem que confiar nos últimos atores desse roteiro: Ministério Público, Justiça, Câmara e nós mesmos senadores na nossa atividade de legislar. Mas é mais um espaço de fala”, avaliou Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Alguns senadores também usam a visibilidade com foco na eleição de 2022. Em setembro, Vieira anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República. A senadora Simone Tebet (MBD-MS) é outra que tenta viabilizar a sua pré-candidatura pelo partido, mas ainda enfrenta resistência interna.

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