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Ricardo Kotscho: Por que não criar um CNJ para a imprensa?

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Por uma feliz coincidência, poderiam aproveitar até a mesma sigla do CNJ da Justiça criando o Conselho Nacional de Jornalismo.

Por | 12.02.2012

 

 

Foram praticamente unânimes os aplausos na imprensa para a corregedora Eliana Calmon pela vitória que conquistou esta semana no STF em sua batalha contra o corporativismo e a impunidade dos magistrados. Tanto nos comentários dos leitores deste Balaio como em outros sítios, os brasileiros comemoram a coragem desta mulher que resolveu abrir a caixa preta da Justiça.

Por Ricardo Kotscho


Em comentário enviado às 6h59 deste domingo ao blog do meu colega Ricardo Noblat, no portal Globo.com, que reproduziu no sábado meu post de sexta-feira sobre o julgamento do CNJ no STF (?6 a 5: a sofrida vitória de Eliana Calmon?), o leitor Julio Cezar Noia Mattos levantou uma interessante questão, na qual também já vinha pensando:

?Poderiam aproveitar o clima para criar um órgão de controle externo para a imprensa, derrubando mais uma caixa preta, pois é mais que um direito dos cidadãos receber as informações sem manipulações e partidarismos?.

Por uma feliz coincidência, poderiam aproveitar até a mesma sigla do CNJ da Justiça criando o Conselho Nacional de Jornalismo. Foi mais ou menos essa a reivindicação que os presidentes da Federação Nacional dos Jornalistas e de 26 sindicatos estaduais levaram ao então presidente Lula, em 2004, quando eu era o Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República.

Na época, os mesmos órgãos da grande mídia, que agora defendem o controle externo do Judiciário, uniram-se contra a proposta dos jornalistas, acusando o governo de querer censurar a imprensa.

Sugestão endossada

Enviado ao Congresso Nacional em forma de projeto de lei, a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalistas acabou sendo retirada pelo próprio governo pouco tempo depois, após um verdadeiro massacre promovido por colunistas e editorialistas dos jornalões, que não admitem qualquer regulamentação da atividade, hoje transformada numa terra de ninguém.

A formação deste CNJ da imprensa poderia ser feita nos mesmos moldes e com os mesmos objetivos do CNJ, encarregado de fiscalizar o Judiciário, ou do Conar, o órgão de autorregulamentação da publicidade, criado há mais de 30 anos e integrado por representantes de veículos, agências e anunciantes.

Por que não? As entidades patronais, hoje reunidas no Instituto Millenium, sequer admitiram discutir o projeto ou qualquer outro que proteja a sociedade dos abusos cometidos por veículos e jornalistas. No ano passado, o projeto de lei apresentado em 2004, com algumas modificações, voltou a ser debatido no Congresso Nacional e esta é uma boa oportunidade para estendermos ao chamado quarto poder os mesmos instrumentos de regulação e fiscalização que defendemos para o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Trata-se de um assunto que interessa a toda a sociedade e não apenas aos diretamente envolvidos na atividade jornalística. Fica a sugestão do leitor Julio Cezar Noia Mattos, que eu endosso.

Precisamos urgentemente de uma Eliana Calmon também para a imprensa.

Reproduzido do blog do autor

 

 

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Ao esperar por Ferraço, políticos mostram que não há projetos para governar Cachoeiro

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É de estarrecer essa cena trágica que Cachoeiro volta a ver, como ocorre em toda véspera de eleições: as reuniões (ou entrevistas coletivas) comandadas pelo deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) para se posicionar diante do quadro eleitoral.

Nada contra o deputado, que a rigor já cumpriu, e bem, seu papel na cidade como político. Mas chega a ser assustador quando jovens políticos de outra geração que não a do deputado ainda se agarram na dependência de um aval político dele. É de lascar!

Esse cenário mostra que até agora não há projetos alternativos à reeleição de Victor Coelho. Existe, de um lado, uma proposta de continuidade administrativa e, do outro, projetos isolados que tentam ocupar os espaços deixados pela falta de lideranças. Tipo assim, “se Ferraço não for candidato, eu serei”.

Para dar exemplo. Bastou Alexandre Bastos desistir da disputa para começar aparecer nomes como o do presidente da Câmara de Vereadores Alexon Cipriano (PROS), o da vereadora Renata Fiório (PSD), entre outros, além dos que já existiam.

Nada contra pré-candidaturas. Respeito a legitimidade delas e, quem sabe, de fato nas ruas, uma delas possa vencer. Mas a pergunta é: existe um plano para administrar e desenvolver Cachoeiro?

As perguntas seguem. Existe um grupo político que vem amadurecendo há tempos ideias e ideais para nesse momento pré-eleitoral lançar ao povo essa carta de intenções administrativas? Existem homens e mulheres pensando diuturnamente em soluções para os gargalos municipais?

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A resposta é essa: não. Não existe.

No Cachoeiro de tempos idos, e isso não é nada longínquo, existia o grupo do poder, que governava, e um outro que se reunia permanentemente na construção de projetos alternativos para tomar o poder e fazer diferente. Não eram reuniões em cima da hora. Eram homens de ideias convictas de como administrar a cidade. Essas disputas não se verificavam a poucos meses do pleito, mas tão logo terminavam as eleições. Ou seja, terminava uma e começava outra.

Foram assim as velhas e clássicas disputas do grupo do MDB (Roberto Valadão, Hélio Carlos Manhães, Gilson Carone…) contra Ferraço.

Assim também foram as insistentes investidas do grupo do PT de Cachoeiro para chegar ao poder. Os petistas, hoje em desgraça na boca de muita gente, deram excelente contribuição ao histórico eleitoral de Cachoeiro porque ensinaram como construir e manter um projeto político, sabendo esperar várias eleições até ganhar duas consecutivas e sepultar os grandes caciques eleitorais da cidade.

Em 2004 existe outro caso bem sucedido de projeto eleitoral que não foi construído em cima da hora e deu certo pela sua persistência e consistência: a eleição de Roberto Valadão.

O grupo valadonista observava Ferraço governar duas vezes consecutivas e já se preparando para fazer o sucessor Jathir Moreira. Mas bem antes do pleito lançou uma série de reuniões nos bairros de Cachoeiro.

Nessas reuniões noturnas, semanais e ininterruptas, enquanto discutiam política e questionavam pontos da administração ferracista também apresentavam um modelo novo de administrar. Modelo este que seria mostrado de forma mais ampla à população nos programas eleitorais. Tratava-se de Um Plano Para Cachoeiro. Deu certo e Valadão virou prefeito.

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O caso de Glauber Coelho também é clássico. Desde vereador ele se preparava para governar um dia. Foi secretário municipal mais de uma vez, tomando desde cedo conhecimento amplo da máquina administrativa. Estudava Cachoeiro e seus gargalos. E em 2012 por pouco não se elegeu. Apesar da derrota manteve seu capital político e ampliou, e chegava como franco favorito para 2016. Sua força e projeto político eram tão fortes que mesmo morto trouxe à tona seu irmão, até então um desconhecido.

Essas histórias não são tão antigas, mas muito eficientes. Mostram que projetos consistentes sem serem feitos em cima da hora podem dar excelentes resultados. Lamentavelmente não é o que vemos hoje para Cachoeiro.

Vivemos um salve-se quem puder, projetado em cima de nomes sem planos administrativos construídos a partir de estudos aprofundados dos problemas cachoeirenses.

O que há de real é um modelo administrativo atual com resultados consideráveis e bem aceitos pela população. E que para derrotá-lo será preciso muito mais que coletivas vazias…ou tão inovadoras quanto um museu de velhas novidades.

Aos homens que sonham uma vida inteira, a glória de serem imprescindíveis. É isso que tem faltado a Cachoeiro de Itapemirim nos tempos atuais.

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