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Promotor de Justiça do Gaeco e delegado da Deic dão detalhes da Operação ‘Lobo de Wall Street’

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O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Sul), e a Polícia Civil do Estado do Espírito Santo, por meio da Delegacia Especializada de Investigação Criminal (Deic) de Cachoeiro de Itapemirim, com o apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, deflagraram na quarta-feira (09/06) a primeira etapa da chamada Operação “Lobo de Wall Street”. O objetivo é desarticular uma associação criminosa suspeita de atuar ofertando investimentos financeiros fraudulentos, com possível crime contra a economia popular, por meio das chamadas “pirâmides”.

Em entrevista coletiva, os promotores de Justiça do Gaeco-Sul, do MPES, Luiz Agostinho Abreu da Fonseca e Jeferson Gonzaga Ribeiro, e o delegado da Deic, Rafael Amaral, explicaram que as operações suspeitas semelhantes às de pirâmides financeiras movimentaram pelo menos R$ 68 milhões em cerca de 800 contratos identificados.

O promotor de Justiça do Gaeco-Sul do MPES Luiz Agostinho Abreu da Fonseca disse que a empresa utilizava consórcios verdadeiros, de empresas registradas e com autorização para atuar no setor, para dar credibilidade à fraude. “O que chamou à atenção foi a oferta de ganho elevado em pouco tempo atraindo investidores. Quanto mais consórcios eles vendiam, mais gente entrava e mais dinheiro eles faziam”, analisou.

O modus operandi se dava com o oferecimento de cotas de contrato de consórcios que serviam de vitrines para atrair novos investidores, captando recursos com a promessa de ganhos futuros. As diligências, em um primeiro momento, indicam que os investigados estariam oferecendo o investimento financeiro a curto prazo, com ganhos muito acima do percentual praticado pelo mercado financeiro nacional. Existem indícios de venda de cotas de consórcios, utilizadas de forma fraudulenta como investimentos, com a promessa de lucro de 20% a 50% em 30 dias. Após receberem a comissão pela venda, segundo as investigações, os suspeitos rompiam com o vínculo do título negociado sem o conhecimento prévio do investidor. Com isso, o dinheiro do consumidor ficava em mãos da suposta organização criminosa e não era usado para honrar as parcelas do consórcio.

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Ainda não é possível saber dentre os cerca de 800 contratos assinados com clientes identificados pelo Gaeco-Sul e pela Polícia Civil, quais aqueles que foram vítimas e quem se beneficiou do suposto esquema. Os investigados também têm vínculos com empresas com características de serem de fachada, já que as forças policiais não encontraram movimentação ou rastro de atividades em alguns dos endereços visitados.

Denúncias anônimas

O delegado da Deic Rafael Amaral contou que as investigações começaram a cerca dois meses, após o recebimento de denúncias anônimas. Disse também que a empresa está em funcionamento pelo menos desde outubro de 2019, mas há suspeita de que o esquema aplicado pelos empresários era anterior à abertura oficial do negócio. Ele avaliou que, na busca do lucro rápido, as pessoas podem não ter dado conta da fraude. “Os investidores tinham o retorno dentro de 30 dias, mas eles não tinham ciência de quantos consórcios tinham no seu CPF”, ponderou.

“A finalidade da operação é a busca de outros elementos de convicção para alimentar o procedimento que tramita aqui no Gaeco, para que se possibilite uma possível ação penal. Mas ainda temos que aprofundar as investigações. Em princípio, temos oito pessoas envolvidas, a maioria residente em Cachoeiro”, informou o promotor de Justiça.

Mandados

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão deferidos pela 4ª Vara Criminal da Justiça Estadual de Cachoeiro de Itapemirim nas residências e endereço comercial e de trabalho dos investigados. Computadores, notebooks, celulares e documentos foram encaminhados para o Gaeco. Serão posteriormente enviados ao Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) do MPES para extração de informações e encaminhados para a Deic para análise.

Foram apreendidos R$ 103 mil, seis armas irregulares, sendo uma pistola Glock, calibre 9mm; um revólver, calibre 357; dois revólveres, calibre 38; uma espingarda, calibre 12; uma espingarda, calibre 38; e mais 135 munições, calibre 9mm; 17 munições, calibre 38; 99 munições, calibre 357; e 31 munições, calibre 12. Duas pessoas foram presas em flagrante, por porte de arma de fogo sem registro, e conduzidas para a Deic.

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Também foram apreendidos os veículos: uma BMW X1, um Honda Civic, duas Toyota Hilux, uma S10, um Golf GTI, um Tracker, um Fiat Toro, duas motos Ducati Monster 1200cc, uma moto kawasaki Z1000, um quadriciclo e duas motos elétricas.

Participaram da operação promotores de Justiça do Gaeco-Sul, os delegados de Polícia Civil da 7ª Delegacia Regional de Cachoeiro de Itapemirim (Deic, Denarc, Dipo e o Regional) e os delegados de polícia dos municípios de Guaçuí e Castelo, policiais civis e policiais militares do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES.

Entenda o caso

A Operação Lobo de Wall Street foi deflagrada após cooperação e prévia investigação da Polícia Civil e do Ministério Público. As diligências iniciais indicaram que os investigados estariam oferecendo investimentos financeiros a curto prazo, com ganhos muito acima do percentual praticado pelo mercado financeiro nacional, com o pretenso argumento de que os investidores estariam adquirindo cotas de consórcio.

As investigações apontam para a oferta de ganhos expressivos, a curtíssimo prazo, como forma de atrair potenciais novos investidores que retroalimentam os ganhos dentro da cadeia de quem deu origem ao esquema. A situação, porém, não se sustenta, podendo se tratar de prática de pirâmide financeira.

Lobo de Wall Street é um filme de 2013, dirigido por Martin Scorsese, com o ator Leonardo DiCaprio, baseado nas memórias de Jordan Belfort, um corretor de investimentos que realiza fraudes envolvendo investimentos no centro financeiro dos Estados Unidos, Wall Street, em Nova York, e levava uma vida de ostentação até ser preso.

Veja as fotos da operação

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Caso Ramona: MPES recorre de decisão que negou pedido de prisão preventiva para motorista

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O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vila Velha, recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES) da decisão que negou o pedido de prisão preventiva de Wilker Wailant, denunciado pelo MPES pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio duplamente qualificado e por condução de veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool.

Wilker conduzia um veículo em alta velocidade e sob influência de álcool, na Avenida Carlos Lindenberg, em Vila Velha, na noite de 4 de março de 2020. Ele perdeu a direção, passou sobre o canteiro central da via e invadiu a pista contrária, atingindo um poste semafórico, um ônibus, um automóvel e a motocicleta pilotada por Ramona Bergamini Toledo, que morreu em razão das lesões causadas pelo choque.

O MPES requer que a decisão do Juízo da 4º Vara Criminal de Vila Velha seja reformada e que seja decretada a prisão preventiva de Wilker Wailant, para garantia da ordem pública, com fundamento no art. 312 e ss. do Código de Processo Penal, considerando a gravidade concreta da conduta e dos delitos por ele cometidos.

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Wilker chegou a ser preso em flagrante no dia dos fatos, mas a prisão veio a ser revogada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O recurso ministerial sustenta que, após o cumprimento de diligências requisitadas pelo MPES para a apuração do ocorrido, verificou-se que os elementos colhidos, muitos deles depois da decisão do STJ, apontaram induvidosamente para a ocorrência de delitos dolosos e hediondos. Nessa hipótese, o próprio STJ, além de outros tribunais, inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF), admitem a decretação da prisão preventiva, diante da gravidade concreta do caso.

Para o MPES, a gravidade concreta ficou evidentemente configurada, porque o denunciado praticou dois homicídios qualificados, um deles consumado, e expôs a risco várias pessoas, com sua conduta. O recurso sustenta, ainda, que a gravidade é constatável não somente porque o motorista dirigiu sob influência de álcool, conforme comprovado pelas provas dos autos, inclusive depoimentos transcritos, mas também em razão da análise do estado dos veículos envolvidos.

Veja o recurso

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