Análise Política

Por que Ferraço espera pelo PMDB?

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“…se há tanto interesse de Ferraço na convenção é porque ele ainda espera alguma coisa para fazer algo provavelmente para si mesmo” – Por Ilauro Oliveira

Por | 23.06.2012

Ilauro Oliveira

Escrito originalmente para o Jornal Aqui Notícias 

Entre todas as dúvidas que ainda podem haver para acreditar ou entender o apoio do presidente da Assembleia Legislativa Theodorico Ferraço (DEM) a Glauber Coelho (PR) para a prefeitura de Cachoeiro, há uma pontual e intrigante: por que ele precisa esperar a convenção do PMDB, de amanhã, para anunciar?

 

 As outras descrenças são gerais, como, por exemplo, por que o democrata ajudaria a entregar uma prefeitura importante nas mãos do partido de um senador (Magno Malta) do qual ele nunca fora amigo, e que, mais à frente, pode medir forças com o seu filho, também senador Ricardo Ferraço (PMDB), na disputa por projetos maiores?

 

São dúvidas pequenas ou grandes, mas que fazem acreditar desacreditando nesse casamento Ferraço/Glauber. Se voltarmos um pouquinho só no tempo, o democrata andou tão puto com o republicano que chegou a dizer que apoiaria até o PT, menos ele. Então não é verdade que estejam felizes para sempre, embora em política o sempre é até a próxima eleição.

 

Mas voltando ao PMDB, se há tanto interesse de Ferraço na convenção é porque ele ainda espera alguma coisa para fazer algo provavelmente para si mesmo. Esse algo, ainda que meio incerto, pode ser a sua própria candidatura a prefeito, mas para isso depende que Camilo Cola não ganhe a disputa interna. Ele precisa do tempo de televisão do PMDB, coisa que o ex-deputado a princípio não lhe daria de jeito nenhum. Já no caso de outras vitórias essa chance se torna maior.

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Mas que interesse teria Ferraço ao estimular ainda mais a já consolidada candidatura de Glauber ao dizer que lhe dará apoio se estaria ensaiando um vôo próprio à prefeitura? Talvez exatamente para que ela exista e divida votos com a candidatura de Carlos Casteglione (PT). As pesquisas já publicadas mostram que o presidente da Assembleia, num cenário com essas três candidaturas, lidera com folga, enquanto os outros permanecem meio que empatados. E o democrata vem medindo esses números de maneira reservada, e sabe que eles permanecem quase que inalterados.

 

Num cenário de três nomes, Glauber polarizaria a briga com Casteglione, deixando o cenário como aquele do saco cheio de caranguejos: um segura na perna do outro e ninguém consegue subir. Enquanto isso o democrata continuaria olhando de cima. Uma quarta candidatura, no caso a de Dr. Abel (PV) também seria bem-vinda, porque dividiria ainda mais esses votos que não estão consolidados. Os votos consolidados até agora são os votos de Ferraço, isso é histórico embora haja pequena oscilação para baixo.

 

A sua espera pela convenção do PMDB também pode ser para propor uma parceria ao grupo liderado por Camilo, que tem siglas importantes como o PV, o PSDB, e outras quatro menores. Neste cenário o grupo do ex-deputado indicaria o seu vice (possivelmente Dr. Abel) apaziguando todas as arestas peemedebistas e eles, tendo Ferraço como o nome de consenso desse grupão suprapartidário, seguiriam juntos enquanto Glauber e Casteglione brigariam pela segunda posição. Ainda dentro desse campo, outra situação seria o democrata apoiar o candidato do PV, indicando o seu vice.

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Se há riscos numa eventual candidatura do DEM? Claro, faz parte da vida. O voto útil sempre vem à tona nesses casos. Poderia neste cenário repetir o que já aconteceu em 2008, por exemplo, quando os votos do ex-prefeito Valadão migraram para Casteglione e foram vitais para derrotar Ferraço? Sim, mas agora há uma pequena diferença: o prefeito atual não está mal avaliado como o anterior.

 

Possivelmente não haveria migração e nem o PT relaxaria para isso acontecer, porque acima da eleição está a própria sobrevivência política dos petistas. Se forem mal avaliados nas urnas sepultam o seu futuro. A migração dos votos de Glauber para a outra candidatura derrotar o democrata também é remota porque o republicano precisa sair da disputa maior do que entrou. Isso é vital para suas pretensões futuras.

 

Talvez por isso, ou por um pouco disso tudo, é que ainda não dá para acreditar que Ferraço esteja totalmente fora da disputa. A convenção de amanhã é um pedaço da chave. Enquanto isso, permanece o direito de só acreditar no casamento com Glauber depois de ver as flores no altar.

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Poética – “Ele faz o noivo correto / E ela faz que quase desmaia / Vão viver sob o mesmo teto / Até que a casa caia / Até que a casa caia” O Casamento dos Pequenos Burgueses (Chico Buarque)

 

 

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Em Mimoso do Sul, o dinamismo do jovem Peter Costa!

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Não é tarefa difícil encontrar com o jovem gestor pelas ruas da pacata cidade de Mimoso do Sul. Com perfil diferente dos habituais “prefeitos de gabinete”, Peter Costa está sempre presente no dia a dia do cidadão e nas ações desenvolvidas pela gestão mimosense.

Em apenas seis meses de mandato, Peter já “deu outra cara” para o município. Hoje é praticamente impossível apontar um ponto fraco da gestão, que tem promovido uma verdadeira transformação da maneira mais austera possível.

Secretários, seguindo o mesmo modelo de trabalho do prefeito, colocam a mão na massa (literalmente), utilizam mão de obra própria, fomentam parcerias com associações, e isto tem sido fator importante no momento agradável que a cidade vive.

A verdade é que uma cidade bonita e bem cuidada contribui para um ambiente de negócios favorável. Aumenta a autoestima do cidadão e impulsiona o comércio.

Peter encontrou um desafio gigante na saúde, que é a gestão da pandemia. É desafiador sanar qualquer demanda reprimida quando as cirurgias eletivas estão reduzidas ou até suspensas. O foco central de qualquer secretaria de saúde do país é controlar a doença que vem abalando não só a saúde, mas a economia. Em paralelo é preciso cuidar das outras doenças, atuar na prevenção e no atendimento emergencial. A tarefa não é simples, mas tem sido administrada com profissionalismo e seriedade.

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Cerca de 50% da população da cidade já foi vacinada com a primeira dose, 5.440 pessoas já estão completamente imunizadas.

Em um momento onde novos caminhos políticos surgem, vale a pena observar o trabalho de Peter. Não se admire de encontrá-lo em cadeiras ainda mais importantes no Estado em poucos anos.

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