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PL tenta evitar boicote em convenção de Bolsonaro no Maracanãzinho

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PL disponibilizou ingressos em site para convenção que vai oficializar a candidatura de Bolsonaro à reeleição
Reprodução – 20.07.2022

PL disponibilizou ingressos em site para convenção que vai oficializar a candidatura de Bolsonaro à reeleição

Após opositores do governo federal criarem uma estratégia para esvaziar a convenção que irá confirmar a candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro, o PL alterou as regras para retirada de ingressos do evento, que será realizado no próximo domingo, no Maracanãzinho, no Rio. A ideia é fazer uma espécie de filtragem para garantir que apenas apoiadores de Bolsonaro obtenham de fato os convites.

Na manhã desta terça-feira, opositores de Bolsonaro passaram a incentivar nas redes sociais a retirada de ingressos. A proposta era esgotar todos os convites, para que os partidários de fato do presidente não consigam ir na convenção, marcada para domingo. Uma estratégia semelhante foi realizada em um evento de campanha do então presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em 2020.

A retirada de ingresso podia ser feita por qualquer pessoa, pela internet, com a apresentação de alguns dados. Após a deflagração do movimento, o PL passou a exigir também o RG na hora do cadastro. Além disso, integrantes da campanha afirmam que todas as inscrições serão checadas para conferir se o CPF é válido, já que há muitos pedidos sendo feitos com números falsos. Por segurança, o partido também quer fazer checagem nas redes sociais sobre o apoio ou não ao presidente.

O sistema para a retirada ficou sobrecarregado, mas de acordo com integrantes da campanha isso ocorreu tanto pela inscrição de apoiadores quanto pelo motivo de tentativa boicote. Segundo o PL, foram emitidos cerca de 4 mil entradas para acompanhar a convenção, um terço da lotação do Maracanãzinho, que comporta até 11,8 mil pessoas.

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Segundo fontes do partido que acompanham a campanha, a ideia é autorizar a entrada de apoiadores no ginásio esportivo mesmo sem o ingresso, até atingir a lotação máxima. Os demais vão poder acompanhar o evento por um telão que ficará na parte externa da arena esportiva.

Convenção

Em uma reunião do núcleo de campanha realizada na terça-feira, foi apresentado o projeto da convenção. Bolsonaro discursará em um palco que terá 180 pessoas. Ministros, parlamentares, governadores e aliados foram orientados a levar suas esposas. Com alta rejeição no eleitorado feminino, a ideia é que Bolsonaro se lance à reeleição cercado de mulheres.

A ideia é que o público compareça vestido com cores da bandeira do Brasil. No local, serão destacadas frases como “Capitão do Povo”, “Pelo Bem do Brasil” e “Liberdade e fé.”

A proposta é que apenas Bolsonaro faça um discurso. A exceção poderá ser uma fala ou uma oração da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que vem sendo cobrada a se engajar na campanha. Porém, ainda há dúvida se isso ocorrerá. Nem o ex-ministro da Defesa, o general Walter Braga Netto, que deverá ser confirmado como vice, deve fazer declarações ao público.

O discurso de Bolsonaro começou a ser rascunhado pela equipe de comunicação da campanha. A proposta será levada ao núcleo político e depois encaminhada ao próprio presidente para que faça suas alterações.

Estrategistas da campanha querem que o titular do Palácio do Planalto foque sua fala em eleitores de baixa renda, mulheres, jovens e faça acenos ao Nordeste, região do país onde tem o pior desempenho. O texto deve enfatizar o Auxílio Brasil e redução no preço do combustível. Bolsonaro, porém, deve também reforçar bandeiras conservadoras de sua base eleitoral, entre eles evangélicos.

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O núcleo da campanha tem traçado uma estratégia para o presidente furar a bolha bolsonarista e recuperar eleitores arrependidos, trabalhando em estados estratégicos e com grupos em que enfrenta alta rejeição. A moderação do discurso, segundo aliados de Bolsonaro, seria crucial para esse plano. No entanto, o titular o Palácio do Planalto já deu sinais de que continuará elevando os ataques, sem provas, contra o sistema eleitoral.

Durante o evento que deve confirmar Bolsonaro como candidato do PL, serão exibidos vídeos de Bolsonaro e um clipe com base no jingle “Capitão do Povo”, feito pela dupla sertaneja Mateus e Cristiano.

O refrão da música diz que o “capitão do povo” vai “vencer de novo”. Exibindo a todo momento a bandeira do Brasil e as cores verde e amarela, o vídeo também ressalta temas caros a Bolsonaro, como sua passagem pelo Exército.

Utilizando imagens do presidente no Santuário Nacional de Aparecida e na Catedral de Brasília, a canção afirma que Bolsonaro “é de Deus” e “defende a família”. A primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece rapidamente, beijando o marido.

A concepção do vídeo foi do publicitário Sergio Lima, que atua na pré-campanha. A música já havia sido apresentada para Bolsonaro em um evento em São Paulo, no dia 20 de maio.

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Fonte: IG Política

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Política Nacional

Brasília: defesa de hacker da Lava-Jato relata ameças após reunião

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Walter Delgatti e Carla Zambelli
Reprodução: Twitter – 14/08/2022

Walter Delgatti e Carla Zambelli

Após acompanhar o hacker Walter Delgatti, conhecido como “Vermelho”, em reuniões em Brasília na semana passada, o advogado Ariovaldo Moreira registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de São Paulo alegando estar recebendo ameaças de morte.

Ariovaldo e Delgatti viajaram a convite da deputada bolsonarisa Carla Zambelli (PL-SP) , no domingo passado. Na capital federal, participaram de reuniões com integrantes da campanha do presidente Jair Bolsonaro e com o chefe do PL, Valdemar Costa Neto. Delgatti também esteve no Palácio da Alvorada para uma agenda com Jair Bolsonaro.

O plano de Zambelli, segundo ela relatou a interlocutores, era de que o hacker que ficou famoso por revelar mensagens de integrantes da Operação Lava-Jato integrasse uma equipe de consultores contratados para fiscalizar as urnas eletrônica.

A deputada, porém, se desentendeu com o advogado, a quem acusa de ter cobrado uma compensação financeira — o que o advogado nega.

O Boletim de Ocorrência relatando as ameaças foi registrado às 22h14 deste sábado, na delegacia da Polícia Civil de Araraquara, cidade onde o advogado mora. No documento, obtido pelo GLOBO, o advogado diz que, após abdicar da defesa de Delgatti, e retornar a Araraquara, “recebeu ameaças de morte envolvendo seus familiares”.

O advogado informou ao delegado de plantão que as ameaças aconteceram “após retorno de reunião com autoridades relacionadas ao governo federal em Brasília”.

As ameaças chegaram via mensagens de texto e também por meio de áudios. O destinatário se identificava, no perfil, apenas pelo nome de “morte”. Ao GLOBO, Ariovaldo disse estar assustado.

“Eu nunca fui ameaçado na minha vida. Disseram que vão matar todo mundo”, relatou o advogado, que defendeu Delgatti em outros casos, antes mesmo da Operação Spoofing vir à tona.

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Procurada para comentar o caso, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda não se manifestou.

Ida a Brasília Preso em 2019 na Operação Spoofing, Delgatti foi o responsável por invadir o Telegram e copiar diálogos de integrantes da Operação Lava-Jato. Conforme O GLOBO mostrou, o plano de Zambelli era que ele fosse contratado como um especialista em ataques cibernéticos pelo Instituto Voto Legal, indicado pelo PL ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para auditar as eleições em outubro — a instituição ainda aguarda o credenciamento da Corte.

Segundo ela detalhou a pessoas próximas, o principal argumento para contratá-lo era que ninguém dos partidos de esquerda iria querer contestar o trabalho do hacker que revelou a chamada “Vaza Jato”— os dados vazados contribuíram para mudar o entendimento sobre as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que fez com que o petista retomasse os direitos políticos e pudesse concorrer neste ano.

Duas pessoas do PL confirmaram a história, antecipada na quarta-feira pelo site G1. A parlamentar não quis falar sobre o assunto, mas revelou que pagou a hospedagem de Delgatti e do advogado Ariovaldo Moreira, no hotel Phenícia, em Brasília, cujas diárias custam em torno de R$ 200. Moreira defendeu Delgatti na ação da Spoofing.

Delgatti foi à reunião com Valdemar na última terça-feira para falar justamente sobre esse trabalho que ele poderia exercer como “fiscalizador das eleições”. Já a audiência com Bolsonaro tratou de outro assunto, que é mantido em segredo.

Questionada sobre o teor dessa reunião no Alvorada, a deputada confirmou que ali foram tratadas “informações valiosas” às quais ela se recusou a revelar.

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“Isso eu não posso falar”, disse ela.

Na versão de Zambelli, Moreira pediu uma compensação financeira para que as tratativas continuassem, mas ela recusou. O advogado, por sua vez, nega qualquer pedido de dinheiro.

“Ele virou para perguntar para mim quanto valia a democracia. Eu falei a ele que a democracia não tinha preço. E ele: “mas eu queria ouvir um valor”, relatou a deputada ao GLOBO.

Ela ainda afirmou que o advogado ficou “nervosinho” com a recusa, decidiu ir embora e tentou levar o hacker com ele.

“E o Walter (Delgatti) falou: “não, eu vou ficar”. E aí ele vazou (o encontro) para a imprensa, porque ele ficou nervosinho e queria dinheiro”, completou.

Ao GLOBO, o advogado Ariovaldo Moreira negou que tivesse pedido dinheiro à deputada e a acusou de estar mentindo.

“Em momento algum foi pedido dinheiro. Pelo contrário, ela pediu que ele (Delgatti) fizesse coisas que eu achei que ele não devia fazer”.

O advogado, porém, não explicou qual foi o pedido de Zambelli.

“Eu não vou falar o que ela pedia. O que ela queria eu não ia fazer, só isso. Não pedi dinheiro em momento algum. Ela pode fazer a acusação que ela quiser. Agora, se eu queria dinheiro e o Walter ficou lá? Não é estranho isso?”, questionou ele.

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Fonte: IG Política

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