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PF suspeita de vazamento em operação que mirou Zé Trovão e Sérgio Reis

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Sérgio Reis e Zé Trovão
Reprodução – 04.08.2022

Sérgio Reis e Zé Trovão

A Polícia Federal colheu indícios de que bolsonaristas acusados de ter organizado atos antidemocráticos durante as comemorações do 7 de setembro do ano passado souberam com antecedência que seriam alvos de uma operação. Um dos suspeitos, o ex-deputado Sérgio Reis apagou o aplicativo de troca de mensagens Whatsapp antes da ação. Outro, o ativista Juliano Martins previu o número de alvos que receberiam a visita da PF dias depois, além da identidade de alguns deles.

As suspeitas surgiram após a análise dos celulares apreendidos no dia 20 de agosto do ano passado, dia da operação com suspeita de vazamento. As informações constam em relatórios elaborados no inquérito sobre os atos antidemocráticos do 7 de setembro do ano passado, obtidos com exclusividade pelo GLOBO, e vêm a público no momento em que o presidente Jair Bolsonaro convoca apoiadores para novos atos previstos para o Dia da Independência deste ano.

Naquele dia 20 de agosto, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra dez alvos, dentre eles Sérgio Reis e o líder caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, o Zé Trovão. Cinco dias antes da ação, em 15 de agosto, o militante bolsonarista Juliano Martins, organizador dos atos do Dia da Independência, trocou mensagens com um interlocutor e escreveu que já tinha conhecimento de que dez integrantes do grupo, entre eles Sérgio Reis e Zé Trovão, seriam alvo de uma operação policial.

O diálogo foi extraído pela PF do celular de Martins. Na conversa, o interlocutor lhe pergunta a respeito de uma notícia sobre a convocação feita pelo cantor Sérgio Reis aos atos do 7 de setembro. “O que vc tem dito sobre isso?”, pergunta. Martins responde: “Q saiu o mandato dele. E do Zé Trovão”.

O interlocutor lhe corrige e pergunta se ele não estava se referindo a um “mandado”, em vez de “mandato”. Martins arremata e diz que se tratava de uma ordem para “prisão”. “Pra ele, Zé Trovão e mais 8”, escreveu o ativista.

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A conversa continua, e Martins afirma que estavam tentando descobrir quais seriam os outros alvos e diz que não teve acesso a qualquer documento relacionado à operação. “Não mandaram pra nós, só informaram. (…) O pessoal tá vendo isso em Brasília”.

A informação repassada pelo bolsonarista era parcialmente verdadeira: de fato, a PF cumpriu mandados contra dez investigados, entre eles Zé Trovão e Sergio Reis, como previu Martins. Diferentemente do que ele afirmou, porém, não ocorreram prisões, mas, sim, buscas e apreensões em endereços ligados aos suspeitos.

No dia seguinte àquele diálogo, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo requisitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a expedição dos mandados. A ação foi autorizada por Moraes, em decisão proferida no dia 18 de agosto, e cumprida pela PF dois dias depois.

No relatório, a PF afirma: “Estranha-se o conteúdo dessa conversa. As mensagens são do dia 15/8/2021. Os mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal foram cumpridos apenas no dia 20/8/2021”.

Mais adiante, o inquérito sobre os atos antidemocráticos deu origem a prisões, como a do líder caminhoneiro bolsonarista Zé Trovão, que acabou sendo liberado para o regime domiciliar no final do ano passado. A PF produziu relatórios sobre o material apreendido e ainda tenta rastrear as movimentações financeiras dos investigados. O material produzido até agora foi enviado à PGR, responsável por definir os rumos da investigação. Até o momento, não houve oferecimento de denúncia contra nenhum dos alvos.

Procurado, Martins nega que tenha recebido informações vazadas. Ele alega que, no diálogo que chamou a atenção da PF, compartilhou com seu interlocutor apenas uma “suspeita”, já que os personagens a que se referiu estavam organizando um movimento com críticas ao STF.

“A gente suspeitava que pudesse acontecer uma retaliação desse tipo, mas não que nós tivéssemos informação ou alguma coisa assim. Isso não existe. (…) A gente estava vendo tudo o que estava acontecendo, o pessoal sendo preso por ir contra o STF, então, numa conversa, a gente comentou que acreditava que podia acontecer com a gente também”, afirmou.

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Aplicativo apagado

Além disso, na apreensão do telefone celular do cantor Sérgio Reis, a PF constatou que o aplicativo WhatsApp havia sido apagado pouco antes da operação. Os peritos extraíram arquivos de áudio transmitidos pelo aplicativo e uma imagem da tela do próprio WhatsApp, mas não encontraram o aplicativo no aparelho do cantor.

“Vale observar que o presente aparelho celular, a despeito de possuir registros de que em algum momento possuiu o aplicativo de mensagens WhatsApp instalado, não foi obtido acesso às mensagens na extração”, diz relatório da PF. Procurada, a defesa de Sérgio Reis disse que não iria se manifestar porque o caso tramita sob sigilo.

O GLOBO não identificou nenhum procedimento aberto para investigar as suspeitas de vazamento da operação, tanto por parte da PF quanto da PGR.

Novas convocações

O presidente Jair Bolsonaro voltou a pedir para seus apoiadores irem às ruas no 7 de setembro deste ano. Durante a convenção do PL que formalizou sua candidatura à reeleição, no final do mês passado, o chefe do Executivo atacou o Judiciário ao convocar os aliados.

“Vamos às ruas no dia 7 de setembro pela última vez. Esses pouco surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo. Tem que entender que quem faz as leis é o Poder Legislativo e o Executivo. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da Constituição”, disse Bolsonaro.

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Fonte: IG Política

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Pacheco critica ataques entre candidatos: “Precisamos discutir ideias”

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Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, durante sessão
Waldemir Barreto/Agência Senado – 30.06.2022

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, durante sessão

Nesta segunda-feira (15), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), usou seu perfil no Twitter para criticar o comportamento dos candidatos Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador seguiu o mesmo tom que foi adotado por Simone Tebet (MDB).

“Precisamos voltar a discutir ideias e direcionar nossos esforços para a busca de soluções que tragam prosperidade para o Brasil e para os brasileiros”, afirmou Pacheco, sem citar nomes.

O posicionamento do senador não é por acaso. Nas últimas semanas, os três primeiros colocados intensificaram os ataques nas redes sociais e entrevistas. Ciro, por exemplo, tem chamado Lula e Bolsonaro de corruptos.

Já o ex-presidente tem acusado o atual chefe do executivo federal de ser genocida por causa da política sanitária adotada durante a pandemia. Além disso, o petista tem afirmado que o segundo colocado nas pesquisas tem “distribuído dinheiro” para vencer a eleição.

Bolsonaro vem chamando Lula de corrupto e bêbado. O presidente da República ainda tem dito que o retorno do seu adversário ao poder fará o Brasil quebrar.

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Apenas Tebet que optou por seguir um discurso diferente. Nesta segunda, em conversa com jornalistas após o Encontro com Líderes do Varejo do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo), em São Paulo, a emedebista declarou que o Brasil precisa de paz. No entanto,  alfinetou os dois primeiros colocados nas pesquisas, acusando-os de se “alimentarem do radicalismo”.

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Fonte: IG Política

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