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Parto humanizado cresce entre as gestantes brasileiras

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No Brasil, o parto humanizado é garantido por lei
Foto: Unsplash

No Brasil, o parto humanizado é garantido por lei

Nos últimos dois anos, a pandemia transformou a relação de milhões de mães com o parto. De salas isoladas até o impedimento de visitas, a maternidade se tornou ainda mais solitária para as gestantes brasileiras. 

Por isso, milhares de mães optaram por um procedimento mais honesto e afetivo: o parto humanizado. Em 2021, o número de bebês nascidos em casas de parto humanizado cresceu em 22,5% no Sistema Único de Saúde (SUS).

O parto humanizado surge como alternativa para as mães que desejam ter protagonismo durante o nascimento de seus filhos. A obstetriz Natália Rea explica que, nos partos humanizados, a mulher é o centro do processo e sempre é informada do que está acontecendo durante o nascimento, ao contrário de muitos partos regulares.

‘’Muitas vezes, a mulher e sua família não sabem porque se está realizando determinado exame ou porque está sendo feita alguma intervenção. O foco não está na mulher ou na família. O foco, nessa situação, está no médico, que toma as decisões e não as compartilha com a gestante’’, declara.

Os avanços na medicina transformaram o parto em um processo clínico, onde a mãe deixa de participar ativamente do nascimento para se tornar apenas uma paciente. Além disso, a violência obstétrica também é um fator que afasta as mães de darem à luz em um ambiente seguro: uma pesquisa do Instituto de Medicina Social ‘Hesio Cordeiro’ contabilizou que a prevalência da violência obstétrica variou entre 18,3% a 44,3% dos partos do país.

Natália aponta que, em diversos momentos, obstetras tomam decisões pautadas na experiência clínica, e não em evidências científicas ou na necessidade individual de cada mãe. Por isso, o parto humanizado trabalha diretamente com a comunicação com a gestante. 

Gestantes se sentem mais confortáveis com profissionais humanizados
Foto: Nappy

Gestantes se sentem mais confortáveis com profissionais humanizados


Além disso, esse método procura respeitar o tempo e as necessidades do corpo da mãe: ‘’Numa gravidez normal, a conduta sempre é pensada em não fazer nenhuma intervenção. Fazemos isso não porque é o que a gente acha que é o melhor, e sim porque existem pesquisas que comprovam que quanto menos intervenções existirem, melhor o desfecho do parto para a mãe e o bebê’’.

Decisão e direitos da mãe

O parto humanizado é uma escolha, e, de acordo com Natália, pode ser feita em qualquer momento da gestação. ‘’Quando a pessoa já opta por um parto humanizado desde o começo, é mais fácil, pois aconselhamos ela a buscar bastante informação’’.

‘’Além de recomendarmos a leitura de livros e relatos de parto, também aconselhamos que nossas pacientes busquem uma doula. Essa pessoa deve ser quem ela tenha uma empatia muito forte, pois ela vai ajudar na hora do parto e vai também criar um vínculo’’.

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A obstetriz também garante que o parto humanizado pode ser feito em qualquer hospital da rede pública do país, já que ele é garantido por lei. Em 2000, o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), foi instituído pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de promover uma atenção específica do ministério às gestantes brasileiras.

O documento oficial do projeto garante que “toda gestante tem direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério; de saber e ter assegurado o acesso à maternidade em que será atendida no momento do parto […] e à assistência ao parto e ao puerpério, e que esta seja realizada de forma humanizada e segura”.

Intervenções cirúrgicas

Por mais que o Brasil seja campeão de cesarianas, essa incisão cirúrgica não é necessária na maioria das gestações. Em 2019, 84% dos partos realizados em redes privadas foram realizados por cesarianas, ainda que a Organização Mundial de Saúde (OMS) indique que apenas 10% a 15% dos nascimentos realmente careçam de intervenção.

Cesariana é indicada em casos de risco
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Cesariana é indicada em casos de risco

Diversas leis brasileiras que garantem diversos direitos às mães e a família do bebê não são aplicadas na hora do parto. A Lei Federal 11.108/2005, por exemplo, declara que a grávida tem direito a um acompanhante durante o trabalho de parto, consideração que não é respeitada em milhares de salas de cirurgia.

No processo do nascimento, a gestante pode decidir como irá aliviar sua dor: seja na anestesia epidural, no uso de opióides ou mesmo dar à luz naturalmente, a escolha é da mãe. 

O parto também pode conter técnicas de relaxamento, aromaterapia, música e até meditação. A mulher pode escolher a posição em que quer dar à luz, e também tem o direito de ter um contato pele a pele com seu filho no momento em que ele nascer.

Estado tem o dever de garantir os direitos das gestantes
Foto: Unsplash

Estado tem o dever de garantir os direitos das gestantes

A OMS também recomenda a elaboração do plano de parto, documento garantido pela lei brasileira que deve conter os desejos da mãe no parto, como o método (cesárea ou parto normal), posição e os cuidados com o recém-nascido. Como a maioria das mães desconhece os direitos que podem reivindicar, elas acabam não participando efetivamente do nascimento.

Rea afirma que, mesmo se a cirurgia cesariana for necessária, a mulher merece ter seus direitos respeitados. ‘’Na cesárea humanizada, a prioridade continua sendo a mesma, que é que a mãe e o bebê fiquem juntos assim que o bebê nascer. Se, depois do nascimento, tudo com o bebê estiver bem, ele vai nessa mesma hora pro colo da mãe’’.

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Parto humanizado domiciliar

juliana
Foto: Arquivo Pessoal

Juliana Copari

Com a internet, o parto humanizado se tornou um grande tópico de discussão entre futuras mamães. Uma das mulheres que realizaram esse tipo de parto foi a body piercer e influencer Juliana Copari, que teve sua bebê, Liz, em sua casa: ‘’Foi maravilhoso’’.

A profissional conta que o primeiro contato que teve com o parto domiciliar foi por um vídeo no YouTube. “Comecei a pesquisar e me informar e fiquei encantada, achei incrível”.

Quando Juliana engravidou, ela buscou ajuda com uma colega próxima que tinha tido o filho em um parto domiciliar. “Conversei com ela, ela me apresentou equipes e me ajudou muito até eu conseguir chegar na minha equipe final, para enfim ter o meu parto em casa.”

Após decidir ter um parto domiciliar, a influencer declarou que foi alvo de críticas de diversas pessoas: “Me achavam negligente, pois muita gente não entende como funciona esse tipo de parto. Sofri muito preconceito’’.

Durante a gravidez, a jovem realizou o acompanhamento da gestação com a sua equipe de parto e com o Sistema Único de Saúde (SUS): “Eu não fiz só um pré-natal médico. Eu fiz um pré-natal psicológico, eu fiz aulas para entender como funciona o trabalho de parto, a parte fisiológica, a amamentação e os riscos’’.

Na hora do parto, nem tudo foi como o planejado durante os meses de gestação. Inicialmente, Juliana desejava ter sua filha na água, mas não se sentiu confortável o bastante para prosseguir. 

“Foi muito tranquilo, eu me senti muito bem amparada psicologicamente pela minha equipe. Então quando chegou na hora, eu estava muito confiante, eu estava entendendo o que acontecia comigo’’, declara.

Juliana e Liz
Foto:Arquivo Pessoal

Juliana e Liz

Sem remédios ou qualquer tipo de intervenção, Juliana enfrentou seis horas de trabalho de parto ativo. Com a ajuda da sua equipe e de seu companheiro de parto, ela deu à luz sua filha, Liz.

“Eu fiz minha filha nascer. Ninguém colocou a mão em mim em nenhum momento. Foi eu e eu, e elas estavam ali para me amparar. Ter ela em casa foi muito confortável. Um pós-parto já é difícil, a gente sangra, a gente incha, fica com dor. Então sair no hospital para mim com toda certeza teria sido mais difícil”

juliana
Foto: Arquivo pessoal

Juliana Copari e sua equipe de parto

Para as futuras mães que desejam ter seus filhos de uma forma humanizada, a jovem recomenda que estudar como cada tipo de parto funciona é essencial: “Invista numa equipe legal, uma equipe humanizada, uma equipe que vai te respeitar e respeitar o seu bebê’’.

“Hoje em dia existe muito mito. Tirando os profissionais humanizados, o resto do mundo quer te levar para uma cesárea. Não é assim que as coisas funcionam, então a minha dica é estudar muito e ter uma equipe capacitada’’, recomenda.

Fonte: IG Mulher

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Startup lança campanha para informar e combater violência obstétrica

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Apoiadores de campanha podem baixar cartazes com frases informativas sobre violência obstétrica
Gestar/Divulgação

Apoiadores de campanha podem baixar cartazes com frases informativas sobre violência obstétrica

Durante o Dia da Gestante, comemorado nesta segunda-feira (15), a startup Gestar, que conecta profissionais materno-infantis a famílias, lança uma campanha para intensificar o combate à violência obstétrica . Chamada #NaLutaPorGestar, a ação busca informar sobre esse tipo de violência e conscientizar pessoas para que saibam identificar.

Entre no canal do  iG Delas no Telegram e fique por dentro de todas as notícias sobre beleza, moda, comportamento, sexo e muito mais!

No Brasil, 1 em cada 4 mulheres sofreram algum tipo de violência obstétrica. Cerca de 30% delas foram atendidas em hospitais privados e 45% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com dados da plataforma. No entanto, os dados podem ser ainda maiores, já que muitas pessoas com capacidade de gestar podem não conseguir reconhecer a violência no momento que ela ocorre.

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A campanha #NaLutaPorGestar visa a divulgação de informações para auxiliar na redução das incidências de violência obstétrica e na divulgação do assunto. Além de um vídeo informativo, quem aderir à ação pode baixar cartazes digitais e ter acesso a escritos de profissionais parceiras da Gestar.

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Para mais informações e para participar da campanha, acesse o site gestar.com.br/violenciaobstetrica .

Fonte: IG Mulher

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