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Palanque de Lula no Amazonas força união de políticos rivais

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Os senadores Omar Aziz (à esquerda) e Eduardo Braga na CPI da pandemia
Agência Senado/Roque de Sá

Os senadores Omar Aziz (à esquerda) e Eduardo Braga na CPI da pandemia

Em meio ao esforço para ampliar canais com PSD e MDB, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula um palanque no Amazonas com os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), numa guinada para a política local. Aziz, candidato à reeleição, e Braga, postulante ao governo estadual, entraram em conflito na CPI da Covid no Senado, no ano passado, por desavenças envolvendo a investigação de aliados no estado. Desde então, os dois vêm se mantendo distantes.

Aziz, presidente da comissão que investigou a atuação do governo de Jair Bolsonaro na gestão da pandemia e no colapso hospitalar em Manaus no início de 2021, costurou o apoio de Lula e do PT amazonense nos últimos meses. Na corrida para ser reconduzido ao Senado, Aziz enfrentará o bolsonarista e coronel da reserva Alfredo Menezes (PL).

Braga, que integrou o chamado G7 da CPI e depois se afastou do grupo mais crítico ao governo federal, articulou um encontro de Lula com caciques do MDB de 11 estados neste mês. Em paralelo, passou a disputar a preferência de Lula na corrida pelo governo.

Sinalização petista

Embora o PT viesse caminhando para um apoio à pré-candidatura de Ricardo Nicolau (Solidariedade), Braga recebeu sinalizações do ex-presidente. Na quarta-feira, o emedebista divulgou um vídeo gravado por Lula no qual o petista cita o “prazer de ser presidente quando o Eduardo Braga foi governador”, entre 2003 e 2010. À época, Aziz era vice de Braga.

“Eu tive o prazer de ser presidente quando o Eduardo Braga foi governador. Eduardo, muito obrigado pela reunião com o MDB, pelo trabalho que você fez, e espero que você consiga colher os frutos que você plantou”, declarou Lula.

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Diferentemente da aliança já declarada com Aziz, a falta de uma declaração explícita de Lula em apoio a Braga ocorre em meio à cautela do petista para vencer resistências ao emedebista. Braga e Aziz, alinhados no início da CPI, se desentenderam no depoimento do deputado estadual amazonense Fausto Jr. (MDB), em junho do ano passado.

Correligionário de Braga, e relator de uma CPI estadual que apurou a falta de oxigênio na crise de Manaus, o deputado foi criticado por Aziz por não ter pedido indiciamento do governador Wilson Lima (União) pelo caso. Em resposta, Fausto acusou Aziz de irregularidades na área da Saúde em sua gestão no governo do Amazonas, entre 2010 e 2014, quando deixou o grupo político de Braga.

A temperatura subiu, após o depoimento, quando Aziz colocou em votação requerimentos para quebra de sigilo de aliados de Braga. À época, Braga alegou que Aziz tentava usar a comissão como palanque eleitoral. O afastamento de Braga do G7, por sua vez, seguiu um cálculo eleitoral mantido pelo senador até o início deste ano, a fim de evitar indisposições com Bolsonaro em meio a dúvidas sobre o palanque bolsonarista no estado.

Braga buscava antagonizar com o governo de Wilson Lima, que mantinha relação amistosa com o presidente estadual do PT, Sinésio Campos, e com o próprio Aziz antes da CPI. Nos últimos meses, após ver Lima se consolidar como palanque bolsonarista ao governo e de ver antigos correligionários, como o próprio Fausto Jr., se alinharem à campanha do governador, Braga chegou a colocar em dúvida a candidatura ao Executivo, até atrair o apoio de Lula. A relação com Aziz, no entanto, segue estremecida.

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“Estaremos com Lula. Como não temos alternativa ao governo, apoiaremos quem ele decidir apoiar. E ele tem sinalizado que será Eduardo Braga”, afirmou o deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM), aliado de Aziz.

Segundo um interlocutor, os senadores têm conversado em meio à previsão de dividir palanque com Lula, mas ainda sem mostrar disposição a um apoio mútuo. A tendência, mesmo assim, é que PSD e MDB façam coligação formal, o que ampliaria o tempo de propaganda de TV para ambos os candidatos.

O movimento de Braga tende a escantear a pré-candidatura de Ricardo Nicolau, cujo partido, o Solidariedade, faz parte da coligação nacional de Lula. Nicolau tem rejeitado articulações para que retire sua candidatura e seja vice de Braga. Na pré-campanha, ele tem feito críticas tanto à gestão atual, de Wilson Lima, quanto a governos anteriores, como o de Amazonino Mendes (Cidadania), também candidato neste ano, e o de Braga.

“Não há nenhuma possibilidade de eu retirar a candidatura ou de ser vice de qualquer um dos demais candidatos. Não estou buscando colocação política. Quero defender um projeto para tirar o Amazonas do fundo do poço em que está há 40 anos”, disse Nicolau.

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Fonte: IG Política

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Brasília: defesa de hacker da Lava-Jato relata ameças após reunião

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Walter Delgatti e Carla Zambelli
Reprodução: Twitter – 14/08/2022

Walter Delgatti e Carla Zambelli

Após acompanhar o hacker Walter Delgatti, conhecido como “Vermelho”, em reuniões em Brasília na semana passada, o advogado Ariovaldo Moreira registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de São Paulo alegando estar recebendo ameaças de morte.

Ariovaldo e Delgatti viajaram a convite da deputada bolsonarisa Carla Zambelli (PL-SP) , no domingo passado. Na capital federal, participaram de reuniões com integrantes da campanha do presidente Jair Bolsonaro e com o chefe do PL, Valdemar Costa Neto. Delgatti também esteve no Palácio da Alvorada para uma agenda com Jair Bolsonaro.

O plano de Zambelli, segundo ela relatou a interlocutores, era de que o hacker que ficou famoso por revelar mensagens de integrantes da Operação Lava-Jato integrasse uma equipe de consultores contratados para fiscalizar as urnas eletrônica.

A deputada, porém, se desentendeu com o advogado, a quem acusa de ter cobrado uma compensação financeira — o que o advogado nega.

O Boletim de Ocorrência relatando as ameaças foi registrado às 22h14 deste sábado, na delegacia da Polícia Civil de Araraquara, cidade onde o advogado mora. No documento, obtido pelo GLOBO, o advogado diz que, após abdicar da defesa de Delgatti, e retornar a Araraquara, “recebeu ameaças de morte envolvendo seus familiares”.

O advogado informou ao delegado de plantão que as ameaças aconteceram “após retorno de reunião com autoridades relacionadas ao governo federal em Brasília”.

As ameaças chegaram via mensagens de texto e também por meio de áudios. O destinatário se identificava, no perfil, apenas pelo nome de “morte”. Ao GLOBO, Ariovaldo disse estar assustado.

“Eu nunca fui ameaçado na minha vida. Disseram que vão matar todo mundo”, relatou o advogado, que defendeu Delgatti em outros casos, antes mesmo da Operação Spoofing vir à tona.

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Procurada para comentar o caso, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda não se manifestou.

Ida a Brasília Preso em 2019 na Operação Spoofing, Delgatti foi o responsável por invadir o Telegram e copiar diálogos de integrantes da Operação Lava-Jato. Conforme O GLOBO mostrou, o plano de Zambelli era que ele fosse contratado como um especialista em ataques cibernéticos pelo Instituto Voto Legal, indicado pelo PL ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para auditar as eleições em outubro — a instituição ainda aguarda o credenciamento da Corte.

Segundo ela detalhou a pessoas próximas, o principal argumento para contratá-lo era que ninguém dos partidos de esquerda iria querer contestar o trabalho do hacker que revelou a chamada “Vaza Jato”— os dados vazados contribuíram para mudar o entendimento sobre as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que fez com que o petista retomasse os direitos políticos e pudesse concorrer neste ano.

Duas pessoas do PL confirmaram a história, antecipada na quarta-feira pelo site G1. A parlamentar não quis falar sobre o assunto, mas revelou que pagou a hospedagem de Delgatti e do advogado Ariovaldo Moreira, no hotel Phenícia, em Brasília, cujas diárias custam em torno de R$ 200. Moreira defendeu Delgatti na ação da Spoofing.

Delgatti foi à reunião com Valdemar na última terça-feira para falar justamente sobre esse trabalho que ele poderia exercer como “fiscalizador das eleições”. Já a audiência com Bolsonaro tratou de outro assunto, que é mantido em segredo.

Questionada sobre o teor dessa reunião no Alvorada, a deputada confirmou que ali foram tratadas “informações valiosas” às quais ela se recusou a revelar.

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“Isso eu não posso falar”, disse ela.

Na versão de Zambelli, Moreira pediu uma compensação financeira para que as tratativas continuassem, mas ela recusou. O advogado, por sua vez, nega qualquer pedido de dinheiro.

“Ele virou para perguntar para mim quanto valia a democracia. Eu falei a ele que a democracia não tinha preço. E ele: “mas eu queria ouvir um valor”, relatou a deputada ao GLOBO.

Ela ainda afirmou que o advogado ficou “nervosinho” com a recusa, decidiu ir embora e tentou levar o hacker com ele.

“E o Walter (Delgatti) falou: “não, eu vou ficar”. E aí ele vazou (o encontro) para a imprensa, porque ele ficou nervosinho e queria dinheiro”, completou.

Ao GLOBO, o advogado Ariovaldo Moreira negou que tivesse pedido dinheiro à deputada e a acusou de estar mentindo.

“Em momento algum foi pedido dinheiro. Pelo contrário, ela pediu que ele (Delgatti) fizesse coisas que eu achei que ele não devia fazer”.

O advogado, porém, não explicou qual foi o pedido de Zambelli.

“Eu não vou falar o que ela pedia. O que ela queria eu não ia fazer, só isso. Não pedi dinheiro em momento algum. Ela pode fazer a acusação que ela quiser. Agora, se eu queria dinheiro e o Walter ficou lá? Não é estranho isso?”, questionou ele.

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Fonte: IG Política

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