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Oposição vê ameaça à democracia em nota do general Heleno

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Ministro e general da reserva Augusto Heleno
Marcello Casal JR/ABr

Ministro e general da reserva Augusto Heleno

Políticos de oposição criticaram, na tarde desta sexta-feira (22) pelas redes sociais, a nota feita pelo general da reserva Augusto Heleno , ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A nota foi vista como uma ameaça a democracia por muitos deles.

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Augusto Heleno afirmou que apreender o celular do presidente para o inquérito que investiga supostas interferências de Bolsonaro na presidência é inconcebível, inacreditável, “seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro Pode” e “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. 

A apreensão é um pedido da oposição e deve ser analisado pela Procuradoria-Geral da República .

Ex-aliada de Bolsonaro, a deputada federal Joice Hasselmann afirmou que a nota é uma “clara ameaça”. “Quais seriam as consequências imprevisíveis, general Heleno? Vão desengavetar aquele Ato Institucional que dorme há meses na gaveta?”.

A senadora Katia Abreu (PDT-GO) alegou que “é muita ousadia e pretensão assistir a um ministro, general do glorioso Exército Brasileiro, ameaçar a DEMOCRACIA. Faça-me o favor, meu senhor”.

O deputado federal Marcelo freixo (PSOL-RJ) afirmou que a nota é uma ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF) e um “ato criminoso contra a democracia brasileira”.

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O ex-candidato à presidência em 2018, Guilherme Boulos (PSOL-SP) disse que “a nota do General Heleno é mais do que uma ameaça. É criminosa. O STF precisa responder à altura”.

Confira outras repercussões: 




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eja a íntegra da nota do general da reserva Augusto Heleno, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro: 

“O pedido de apreensão do celular do Presidente da República é inconcebível e, até certo ponto, inacreditável. Caso se efetivasse, seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro Poder, na privacidade do Presidente da República e na segurança institucional do País.

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”, afirma a nota de Augusto Heleno .

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CPI da Covid: senador diz que foi alvo de espionagem

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Senador Rogério Carvalho (PT-SE)
Agência Senado

Senador Rogério Carvalho (PT-SE)

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), integrante da CPI da Covid, disse nesta terça-feira que foi alvo de uma suposta espionagem em seu estado por parte de dois militares do Exército. Em sessão da comissão, o parlamentar do Sergipe lançou suspeitas sobre o ministro da Defesa, general Braga Netto.

“Eu quero informar esta CPI e a todos que estão ouvindo que eu fui surpreendido semana passada: fui convidado por um amigo para uma conversa e ele relatou que recebeu um oficial do exército, um coronel do exército da reserva com um oficial da ativa, que foram ao meu estado pra bisbilhotar a minha vida pra saber o que é que podia ter para usar contra mim. Eu quero dizer ao senhor Braga Netto, que foi o emissário do oficial do Exército para fazer espionagem contra um parlamentar, um senador da república que eu não tenho medo, que eu não abrirei mão das minhas convicções, que eu, com a minha vida, pela causa que eu defendo, e ninguém vai intimidar”.

Ao GLOBO, o parlamentar afirmou que a identidade de um desses oficiais é o coronel reformado Roberval Leão, que mora em Sergipe e tem bom trânsito político entre autoridades do estado. Carvalho disse que não sabe quem teria sido o outro militar enviado por Braga Netto, que, antes, chefiava a Casa Civil.

“Ficaram sondando minha vida como secretário, como parlamentar, se eu tinha riqueza tentando, encontrar alguma coisa que pudesse me desabonar. E eu acredito que eles estão agindo não só dessa forma direta, mas de outras formas para tentar encontrar caminhos que possam expor minha vida pessoal”, afirmou ao GLOBO, citando a possibilidade de escuta telefônica. “Isso é grave, não é aceitável numa democracia”.

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Carvalho afirmou que não registrou boletim de ocorrência e que “só a denúncia já é suficiente”:

“Precisa que a opinião pública saiba que está em curso um processo de fechamento do regime democrático e que as instituições que deveriam preservar a democracia e o Estado Democrático de Direito e proteger a sociedade estão a serviço de um governo”.

Na CPI, um requerimento assinado por Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pede que o ministro Braga Netto seja convocado a depor na comissão. O documento, no entanto, foi retirado de pauta pelos senadores.

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“Quero mais: dizer que aquele requerimento que eu pedi que fosse feito pela presidência desta comissão solicitando os registros, os segredos ou sigilos do ministro da Casa Civil para o Ministério da Saúde que, por favor, depois dessa ameaça, é o mínimo que a gente pode fazer para esclarecer e dizer, não para confrontar, mas pra dizer que essa CPI não se curva a ameaças autoritárias de um tempo que achávamos que já tínhamos superado”, afirmou na sessão, rememorando os tempos da ditadura militar (1964-1985), quando houve perseguição a políticos.

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Reação

Os senadores se manifestaram em apoio e em solidariedade a Rogério Carvalho. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), citou a divulgação, na semana passada, de documento da década de 1980 sobre a participação dele nas Diretas Já e contra o regime militar.

“Vossa Excelência tem toda a nossa solidariedade, está acontecendo com todos nós. (…) E não há ninguém que vá nos intimidar”, disse Omar.

Durante a sessão, o parlamentar criticou o encontro do presidente Jair Bolsonaro com uma deputada neonazista, afirmando que foi uma afronta à democracia, ao Holocausto e ao próprio Exército, que lutou na Segunda Guerra Mundial. Além disso, afirmou que os presidentes do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), não podem se calar diante disso.

“Não me espanta que Vossa Excelência esteja sendo investigado. É lógico que aquele documento que vazou é da Abin! Mas, olha, pode vir, não tem problema, a minha vida é um livro aberto. Pode falar o que quiser, mas não vamos arredar um milímetro de investigar as 555 mil mortes e mais de milhões de brasileiros sequelados por uma doença em que o governo foi omisso”, completou o presidente da comissão.

Procurado para falar sobre o assunto, o Ministério da Defesa ainda não se manifestou. A reportagem não conseguiu localizar o coronel Leão.

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