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O Dilema das Redes: o que aprendemos com o filme que expõe o pior da tecnologia

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O Dilema das Redes
Reprodução/Netflix

O Dilema das Redes retrata os bastidores das empresas de tecnologia

“Se você não paga pelo produto, o produto é você”. A frase, bastante disseminada entre as empresas de tecnologia , ecoou na cabeça de muita gente no mundo todo depois do lançamento do documentário ” O Dilema das Redes” na Netflix, na última semana.

O filme fala sobre os perigos que a massiva coleta de dados pelas redes sociais e aplicativos podem causar aos usuários individualmente e enquanto sociedade. A ideia de todos sermos produtos é baseada no fato de que nossos dados são o que há de mais valioso no modelo de negócios das empresas de tecnologia.

Google , Facebook e outras gigantes lucram com anúncios direcionados. E esse direcionamento só é possível porque nós fornecemos dados para essas empresas o tempo todo. Cada clique, curtida, comentário e tempo passado olhando para uma imagem é guardado e muito bem utilizado por essas companhias.

O objetivo é manter os usuários cada vez mais conectados para que, assim, ele forneça mais dados e esteja mais exposto à publicidade. Mas quais são os prejuízos que isso pode causar? Confira os ensinamentos que podemos tirar do documentário “O Dilema das Redes” – e quais soluções podemos encontrar.

Por dentro do processo

O filme traz diversos ex-funcionários de gigantes de tecnologia que explicam como funcionam os bastidores dos algoritmos . “Tudo o que já fizemos, todos os cliques, os vídeos que assistimos, as curtidas, tudo isso ajuda a moldar um modelo cada vez mais fiel. Assim que esse modelo é criado, é possível prever um padrão de comportamento”, esclarece Tristan Harris, ex-designer do Google.

Tristan explica que há três objetivos principais na maior parte dos algoritmos criados por gigantes de tecnologia. “O de engajamento, para aumentar o seu uso, e te manter navegando. O de crescimento, para que você sempre convide amigos e os faça convidar outros amigos. E o objetivo de publicidade, para garantir que enquanto tudo acontece, estamos lucrando o máximo possível com anúncios”, lista.

Os três objetivos atuam em conjunto para que o algoritmo encontre o conteúdo que você mais gosta para te manter mais tempo ligado às plataformas. Isso explica, por exemplo, o motivo pelo qual a linha do tempo de suas redes sociais  estão sempre repletas dos amigos com os quais você mais interage, assuntos que você gosta e propagandas de produtos que são do seu interesse.

A manipulação do algoritmo

O funcionamento dos algoritmos de redes sociais parecem funcionar muito bem, obrigado. Enquanto as empresas lucram com os dados dos usuários, estes recebem apenas conteúdo que os agradam. Mas, na prática, a troca não é tão justa assim, de acordo com os especialistas.

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Para manter o usuário conectados por mais tempo, os algoritmos fazem o que for preciso. Se um usuário se mostra propenso a acreditar em teorias da conspiração, por exemplo, é para isso que as redes sociais irão direcioná-lo. Vale tudo para manter uma pessoa conectada, e a ética costuma passar longe das decisões que os sitemas tomam.

E esse tipo de precisão do algoritmo pode prejudicar o usuário em dois níveis: o pessoal e o social. Do lado pessoal, o documentário expõe a possibilidade das pessoas se viciarem nas redes sociais de uma maneira comparável ao uso de drogas.

Já do lado social, os sistemas de inteligência artificial podem ajudar na disseminação de notícias falsas e teorias da conspiração, facilitando a manipulação política. Além disso, ao mostrar para os usuários apenas aquilo que ele gosta, as redes sociais criam também bolhas sociais, dividindo cada vez mais a sociedade em dois posicionamentos políticos distintos, além de impulsionar o extremismo.

“Falávamos bastante, no Facebook, sobre a ideia de se poder manipular algo para nossas necessidades. E falávamos sobre o Mark [Zuckerberg] ter esse poder de manipulação. Do tipo: ‘quero mais usuários na Coréia hoje’. Basta girar o botão. ‘Vamos aumentar um pouco os anúncios’. Em todas essas empresas, existe esse nível de precisão”, diz Tim Kendall, ex-executivo do Facebook, ex-presidente do Pinterest e CEO do Moment.

Apesar dessa possibilidade de manipulação social e política, os especialistas entrevistados no documentário acreditam que não há um culpado. De acordo com eles, a ideia de criar algoritmos para manter os modelos de negócios pode ter sido inocente, mas gerou diversos danos.

“Há poucas pessoas nessas empresas, no Facebook, no Twitter e várias outras… Há poucas pessoas que entendem como esses sistemas funcionam, e nem elas sabem totalmente o que vai acontecer com determinado conteúdo. Então, como humanos, quase perdemos o controle sobre esses sistemas, porque eles controlam as informações que vemos. Eles têm mais controle sobre nós do que nós temos sobre eles”, afirma Sandy Parakilas, ex-gerente de operações no Facebook e ex-gerente de produtos na Uber.

E agora, preciso excluir minhas redes sociais?

Apesar dos riscos, não é preciso se apavorar. As redes sociais e demais produtos de tecnologia já estão tão inseridos no nosso cotidiano que talvez seja impossível voltar atrás. Já se imaginou sem o seu celular, a busca do Google , o feed do Facebook e as conversas no WhatsApp ?

Se voltar atrás não é a solução, é possível pelo menos minimizar os danos. De acordo com os especialistas, as empresas de tecnologia precisam admitir seus erros e trabalhar para consertá-los.

“A tecnologia não funciona com base nas leis da física. Não é algo concreto. Essas são as escolhas que seres humanos, como eu, têm feito. E os seres humanos podem mudar essas tecnologias”, opina Justin Rosenstein, ex-engenheiro do Facebook e do Google e co-inventor do botão de Like do Facebook. “Nós criamos isso, é nossa responsabilidade mudar”, completa Tristan.

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Do lado dos usuários, há diversas ações que podem ser tomadas para minimizar os danos do uso dos seus dados pessoais . É possível driblar o algoritmo para que o conteúdo que você recebe seja realmente o que você quer ver, e não aquilo que as redes sociais querem que você veja. Além da manipulação, é possível também diminuir os riscos de se viciar na tecnologia.

10 dicas para não ser manipulado pelas redes sociais

  1. Entenda o seu uso: repare quanto tempo você passa conectado ao celular e às redes sociais por dia. Esse pode ser um pontapé inicial para começar a mudar o espaço que as tecnologias têm na sua vida;
  2. Desligue as notificações: estudos sugerem que cada pessoa recebe cerca de 63 notificações por dia no celular. Desligá-las vai fazer você se conectar apenas quando quiser, e não quando seu celular está te chamando;
  3. Crie limites: estipule quanto tempo você deseja passar em determinados aplicativos e determine locais e ocasiões nos quais você não vai usar o celular (como na mesa de jantar ou antes de dormir);
  4. Desligue sua localização: a localização é um dado que revela muito sobre você (como onde você mora e trabalha) e, talvez sem perceber, você pode ter permitido que muitos aplicativos a acessem. Por isso, vá nas configurações de cada app e desabilite a coleta de localização. Outra opção é apenas desligar a localização do celular (que geralmente fica na barra de acesso rápido) enquanto não estiver usando o GPS;
  5. Delete aplicativos: se desfaça dos apps que você não usa muito ou que não são essenciais. Isso vai te dar mais tempo livre e diminuir a coleta de dados pessoais;
  6. Desmarque suas fotos: desmarcar seus amigos das suas fotos em redes sociais e se desmarcar das fotos dos demais ajuda a diminuir o cruzamento de dados, tornando o algoritmo menos manipulador;
  7. Configure seu navegador: use as configurações do seu navegador para evitar que seus dados sejam coletados o tempo todo. Uma opção é usar a guia anônima, que evita o rastreamento;
  8. Não clique em vídeos recomendados no YouTube: ao invés disso, procure conteúdos que você quer assistir. Isso te ajuda a não cair em um limbo de acesso aos mesmos conteúdos sempre – o que vicia e restringe sua opinião;
  9. Siga pessoas que você não concorda: seguir pessoas que não têm o mesmo posicionamento que o seu é uma boa forma de mostrar ao algoritmo que você quer receber conteúdos variados e furar a bolha social;
  10. Proteja seus filhos: imponha limites para o uso das redes sociais e celular e converse com as crianças sobre os perigos do mundo digital e da exposição de dados pessoais.

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Instagram libera fotos de seios femininos após protesto; veja o que muda

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Oleg Magni/ Pexels

Instagram muda regras para fotos de seios

A partir desta quarta-feira (28), o Instagram vai permitir a publicação de fotos com seios femininos à mostra, o que era proibido até então. A mudança acontece depois de uma campanha digital que acusou a rede social de gordofobia. Mamilos masculinos já eram e seguem sendo permitidos.

Por que o Instagram mudou as regras?

Os protestos começaram depois que a influenciadora digital  Nyome Nicholas-Williams , do Reino Unido, publicou uma foto que foi deletada pelo Instagram, em julho deste ano. Na imagem, a modelo plus size segurava e cobria os seios em uma pose comum em fotos artísticas femininas. O Instagram, porém, entendeu que o conteúdo quebrava as regras de nudez e pornografia, e o excluiu. 

Uma campanha, que incluiu uma abaixo-assinado, começou nas redes sociais, pressionando o Instagram . “Não deveria ser necessária uma tempestade na mídia para que minhas imagens permanecessem no ar ou para eu falar com Instagram e receber um pedido de desculpas. Minhas imagens e meu corpo devem ser respeitados o suficiente para ficar em uma plataforma que é para ‘TODAS’ as pessoas. Respeite sempre as mulheres negras, ponto final”, disse Nyome, na ocasião.

O Instagram admite que o caso realmente influenciou na mudança de regras. A rede social afirma, porém, que não foi um caso de racismo – apesar de admitir a gordofobia. De acordo com a empresa, o algoritmo tinha dificuldade em diferenciar se os seios estavam cobertos, ou não, em fotos de mulheres gordas, já que há mais pele na imagem.

“O Instagram está atualizando as políticas para evitar que imagens de corpos gordos e maiores sejam removidas erroneamente, com a ajuda de diversos especialistas e criadores da comunidade de Body Positive ao redor do mundo”, disse a plataforma em nota.

O que muda a partir de agora? 

Agora, o Instagram promete que mulheres com os mais diversos corpos poderão postar fotos dos seus seios. Para isso, porém, vai ser preciso seguir algumas regras: a pessoa precisa estar abraçando, acariciando ou segurando os seios.

Por outro lado, fotos apertando os seios nãos erão permitidas – se os dedos estiverem dobrados, por exemplo, o algoritmo vai entender que a mão está agarrando. De acordo com o Instagram, a regra é necessária acontece porque “isso costuma ser comumente associado a conteúdo pornográfico”.

A plataforma ainda diz que, em caso de dúvida, a orientação é que os revisores não deletem o conteúdo. O Instagram admite, porém, que erros podem continuar acontecendo. “Sabemos, no entanto, que a aplicação desta política específica pode levar a erros, especialmente com relação à comunidade de Body Positive e corpos gordos e maiores”.

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