Análise Política

O altruísmo da secretária Lilian Siqueira

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As mudanças feitas pelo prefeito Vitor Coelho (PSB) chamaram atenção esta semana em Cachoeiro, mas não apenas pelos que ganham politicamente. Há que se destacar nesse tabuleiro mexido o altruísmo da secretária Lilian Siqueira, dos Esportes.

Ao seguir para a secretaria de Governo, pasta de maior relevância política na administração, a secretária abre mão de um projeto pessoal seu que seria disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Em tese, Lílian Siqueira perdeu ganhando, porque se não vai para a fogueira eleitoral, seu desejo inicial, fica na linha de frente de uma administração que tem como desafio ter uma cara nova para suceder Victor.

O prefeito, já reeleito, precisa preparar um sucessor (a). Há dinheiro para tocar bons projetos, há entregas relevantes para serem feitas neste segundo mandato, e, portanto, quem estiver em evidência pode se beneficiar disso. E Lílian terá mais que nunca destaque na Secretaria de Governo… para o bem e para o mal. Cabe a ela se aproveitar disso.

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Já o prefeito Victor, oriundo da velha Rádio Difusora,  aprendeu com Benito de Paula que não dá para “assobiar e chupar cana”. Ao tempo que é necessário ter projeto político, precisa também tocar a administração com peças de confiança. E Lílian é da cozinha dele, com serviços prestados não só ao Estado quando passou pelo Governo Casagrande, mas sobretudo aqui mesmo onde está desde o início da jornada victoriana.

Caso a secretária insistisse no seu projeto pessoal, Victor poderia ficar sem um aliado de primeira hora no Governo e sem folga para trabalhar a possível pré-candidatura do coronel Ruy Guedes (Podemos), que é um beneficiado com a permanência de Lílian na administração. Digo isso porque sem ela, talvez ele nem pudesse sair de onde estava para disputar a Câmara Federal.

Outro que ganha politicamente com as mexidas do prefeito é o vereador Allan Ferreira (Podemos). Pré-candidato a deputado estadual e aliado de primeira hora da administração, pode se tornar um nome a ser apoiado ainda que indiretamente pela administração municipal, já que sem Lilian, Victor não tem ninguém de relevância para apoiar à Assembleia Legislativa.

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Ainda falando do coronel Guedes, o desempenho dele nas urnas, caso dispute, pode ser termômetro para a sucessão de Victor Coelho. Como disse, a vaga está aberta, tanto para quem está no governo, caso de Lilian, como para quem vai disputar as eleições, caso dele.

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“Nem tudo pode ser perfeito / Nem tudo pode ser bacana / Quero ver o cara sentar numa praça / Assobiar e chupar cana” – Assobiar ou chupar cana (Benito di Paula)

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Análise Política

Guerino sobe o tom, mas erra a letra da música

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Quem não gosta do debate público é quem não gosta da democracia. E os processos eleitorais ajudam a consolidá-la e fortalecê-la.

Nesse sentido, a participação do ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PSD), nas eleições desse ano ao governo do Estado deve ser bem vista pelo eleitor por se tratar de alguém com vasta experiência de vida pública e que vai ajudar a enriquecer o debate.

Os demais postulantes, claro, também enriquecem, mas especificamente sobre Guerino pesam 5 mandatos de prefeito em uma importante cidade, além de deputado estadual duas vezes. Dos que estão aí, à exceção do governador Renato Casagrande (PSB), é quem chega com maior bagagem.

E chegou chegando. Nessa semana, sua equipe de marqueting lançou no mercado o primeiro material de apresentação onde o pré-candidato ao Palácio Anchieta tece críticas ao modelo de gestão atual, oferecendo-se como uma alternativa à reeleição de Casagrande.

Sob o título, “O Espírito Santo merece muito mais. Hoje temos um Governo fraco e com equipe ruim”, Guerino, em síntese, diz que quer fazer pelo estado o que fez por Linhares, apresentando números positivos. E se o eleitor quiser saber sobre o que ele não fez por Linhares que procure assistir os debates que vêm por aí.

Chama atenção nessa entrevista a insistência do pré-candidato a uma crítica específica: os convênios que têm sido feitos pelo governo do Estado junto às prefeituras, o que significa nada mais que garantir recursos para investir em obras e em serviços para o povo. Sobre isso, Guerino fala duas vezes, mostrado que trata-se de um movimento governamental que o incomoda.

Outro ponto onde a crítica vem acentuada é na saúde, que é quando Guerino também fala do que fez no período da pandemia, como se as ações em Linhares tivessem sido desassociadas das ações do governo do Estado.

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Sobre esses dois tópicos, especificamente, Guerino subiu o tom, mas errou a letra da música.

Primeiro que criticar um governo porque ele está investindo muito nas cidades é erro crasso. Ofende a Inteligência do cidadão que quer o investimento, independentemente do tempo em que ele está acontecendo.

O pré-candidato tenta passar a imagem de que o governo guardou o dinheiro para usá-lo agora, perto das eleições. Não é verdade.

Até o ano passado o Brasil e o mundo estavam atarefados em cuidar da maior crise de saúde de todos os tempos, portanto não havia clima nem dinheiro para sair por aí fazendo todo tipo de convênio. A incerteza era mundial diante do dia seguinte. Nos últimos dois anos a prioridade não era nenhum outro tipo de investimento que não fosse o de salvar vidas. E isso foi feito com louvor no Espírito Santo.

Na verdade, esses investimentos só são possíveis agora exatamente porque nos dois anos anteriores o Espírito Santo fez, e fez muito bem, seu dever de casa durante a pandemia, tanto cuidando da vida dos capixabas quanto garantindo que nossa economia não saísse destruída no pós-pandemia.

Se Linhares foi bem sucedida durante a pandemia parabéns ao Guerino, mas agradeça principalmente ao governo do Estado que garantiu leitos em toda rede hospitalar, dando suporte aos municípios para que se preocupassem apenas com outras ações em favor dos cidadãos. A saúde estava sendo bem cuidada, permitindo que prefeitos trabalhassem em outras frentes, como a econômica, por exemplo.

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Guerino pode perguntar ao seu amigo Paulo Hartung o que ele fez quando assumiu o Espírito Santo falido pós Zé Ignácio. Paulo parou e  gastou energia nos três primeiro anos apenas para organizar, sendo que no quarto ano, exatamente no ano eleitoral, abriu a mão, investindo maciçamente nos municípios.

Podia ter feito antes? Fez naquele momento exatamente porque antecedia uma eleição? A resposta só tem quem está governando e enfrentando os desafios do momento. Hartung teve os dele e investiu quando achou que era seguro fazê-lo. Não tenho dúvida que Casagrande o faz porque esse é o tempo certo. É o tempo da segurança, com vidas salvas e dinheiro em caixa.

Guerino pode contribuir com o debate, e muito. Mas, como diria seu colega Roberto Valadão (MDB) é preciso jogar na bola. Subir o tom é necessário diante de um governador que vai a passos largos para mais um mandato, porém é preciso não errar a música como começou errando nesse seu primeiro material.

Um outro amigo de Guerino, Camilo Cola, dizia que toda cantiga tem seu lêrê. Então, muita calma nessa hora de botar o bloco na rua para não errar o lêrê da cantiga. Dependendo da crítica, pode ser um tiro no pé.

E criticar investimentos nas cidades, bem como o desempenho do Espírito Santo durante a pandemia, será, sem dúvidas um grande tiro errado.

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“Mais do que cantar para o mundo inteiro / Eu quero cantar primeiro / Só para o seu coração” – Só para o seu coração (Sérgio Sampaio)         

 

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