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Na política, missão de Victor Coelho é fazer diferente de Casteglione – por Ilauro Oliveira

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Por Ilauro Oliveira

Sem muitas novidades no seu secretariado, o prefeito de Cachoeiro, Victor Coelho (PSB), assume o segundo mandato com o peso de duas votações históricas no curtíssimo currículo político.

Trata-se, sem dúvida, de um fenômeno eleitoral. Duas eleições, dois mandatos aos 45 anos, o que indica que poderá ter na vida pública um longo futuro pela frente. Poderá…

…Na política, a missão de Victor Coelho é não repetir o erro do seu antecessor Carlos Casteglione (PT), de quem se esperava muito após duas vitórias épicas nas urnas, mas que acabou precocemente no ostracismo.

Com o fim político das grandes lideranças cachoeirenses (Theodorico Ferraço, Roberto Valadão e Zé Tasso), mais a morte trágica do ex-deputado Glauber Coelho, imaginava-se que Casteglione e seu grupo se estabeleceriam nesse vazio político. Mas isso não aconteceu.

De maneira surpreendente, o ex-prefeito petista além de não fazer Pastor Brás seu sucessor, que teve votação ridícula (2.748 votos), conseguiu a façanha de se candidatar em 2018 para a Assembleia Legislativa e ter apenas 3.119 votos em Cachoeiro. Foi o décimo mais votado na cidade, posição e votação vexatória para quem comandou o maior município do Sul do estado duas vezes.

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Pois bem, o cenário atual é um pouco parecido. Segue o mesmo vazio político, cuja liderança maior é exatamente Victor Coelho, seguido bem de longe pelo deputado estadual Marcos Mansur (PSDB). A recente eleição mostrou que Victor reina absoluto e sem sombras. Portanto, não pode desperdiçar a chance de estabelecer seu grupo. Erro cometido por Casteglione.

Uma boa receita para isso é pensar agora em nomes para 22 e 24 (ano da sua sucessão), fortalecendo-se para 26, quem sabe como um deputado federal genuinamente de Cachoeiro. Coisa que aliás não temos tido ultimamente.

É de se imaginar que Victor esteja pensando nesse cenário e já apostando em nomes para isso. Os próximos passos do seu mandato vão mostrar se haverá nome (ou nomes) proeminente a ser trabalhado pela máquina.

Uma dessas apostas poderia ser o seu vice-prefeito, Ruy Guedes (Podemos), nome palatável na sociedade cachoeirense. Com uma boa lapidada e um perfume político maior, pode surpreender nas urnas, alavancado claro pela força da administração.

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Vejamos as cenas dos próximos capítulos. Roteiro a ser construído pelo jovem prefeito de Cachoeiro, que, como disse, hoje reina soberano.

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“…São só dois lados da mesma viagem / O trem que chega é o mesmo trem da partida / A hora do encontro é também, despedida / A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar…” – Encontros e Despedidas (Milton Nascimento)     

 

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Cachoeiro pede a Casagrande

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Nos idos dos anos 80 o então prefeito do Rio de Janeiro, Saturnino Braga, disse uma frase célebre. Perguntado sobre as obras importantes que gostaria de deixar no seu governo, ele não titubeou: “As pequenas obras”.

É necessário tentar buscar o sentido da frase penetrando no imaginário de um homem público ao assumir um cargo executivo. E só após esse exercício será possível enxergar a grandiosidade contida nas pequenas obras imaginadas por Saturnino.

Normalmente prefeitos e governadores não querem as pequenas obras, e sim aquelas que marcam visualmente sua passagem pelo poder. Uma grande ponte, um viaduto, uma avenida duplicada, um hospital, uma escola gigante… e por aí vai. Mas, e o que são as pequenas obras?

Cotidianamente os moradores são afetados por problemas simples, mas que quando não resolvidos se tornam grandes. É o calçamento de uma rua, é uma escadaria que precisa ser construída, é uma rua que precisa ser iluminada, é um pronto atendimento que precisa funcionar bem… e etc e etc e etc.

Nesse contexto de enxergar o que aparentemente é pequeno, mas que vira transtorno quando não resolvido, poderia aqui encaixar as obras realizadas (ou não realizadas) debaixo da terra. Podem-se considerar pequenas obras do ponto de vista daquele gestor que sonha com algo vultoso e visível, mas são extremamente importantes para os moradores que sofrem no seu dia a dia com alagamentos, chegando a perder seus bens.

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Cachoeiro ultimamente se encaixa como luva entre os municípios que necessitam urgentemente de investimentos em drenagem. Por exemplo: o drama dos moradores da rua Etelvina Vivácqua, no bairro Nova Brasília, é algo comovente. Ao longo do tempo a população local vem sofrendo com os alagamentos e suportando-os, mas agora o assunto tomou a proporção do insuportável.

O movimento feito pela administração municipal é uma ponta fundamental. Apresentou o projeto ao Governo do Estado pleiteando R$ 30 milhões para a obra que abrange os bairros Guandu, Basileia, Nova Brasília, Estelita Coelho Marins, Santo Antonio, Zumbi, Otto Marins e São Francisco de Assis.

A outra ponta é a “pressão” dos agentes políticos do município e de toda a sociedade cachoeirense sobre o Governo. A liberação do recurso a essa altura trata-se mais do que um gesto político do governador. É quase uma questão de solidariedade humana para essa parte da sociedade que perde tudo a cada chuva forte que cai  sobre Cachoeiro.

Vem de longe um conceito entre os políticos que intervenções feitas debaixo da terra deviam ser evitadas porque além de serem caríssimas não eram vistas e, por conseguinte, não davam votos. Por isso, considerando esse velho e tosco raciocínio, permiti-me encaixá-las entre pequenas obras.

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Mas hoje, observando a dimensão do problema de alagamentos por toda a cidade, constata-se que obras de drenagem ou macrodrenagem são vitais para felicidade e tranquilidade da população. E se é assim, jamais poderão ser qualificadas como pequenas.

Dada a importância do tema, seria louvável por exemplo que os 19 vereadores recém empossados ao invés de ficar procurando pelo em ovo pelas ruas da cidade fossem ao governador e fizessem coro em favor do projeto da prefeitura. É o mínimo do mínimo a se exigir desses funcionários bem pagos do povo.  Esse é o momento de união dos agentes públicos.

E que o governador Renato Casagrande, com sua capacidade gestora, entenda que encontrar R$ 30 milhões nos cofres para um projeto dessa magnitude será uma pequena solução orçamentária para dar fim a um grande problema humanitário.

Esse não é um pedido do prefeito ao governador. É um pedido de toda Cachoeiro de Itapemirim. E que ele atenda em nome da felicidade geral de quem sofre e também de quem acompanha de longe o sofrimento.

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“Pergunte ao criador / Quem pintou esta aquarela / Livre do açoite da senzala / Preso na miséria da favela” – Cem anos de liberdade: realidade ou ilusão (Jurandir/Alvinho/Hélio Turco)

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