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MPF pede que WhatsApp adie recurso ‘Comunidades’ para 2023

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WhatsApp pode ter que adiar recurso no Brasil
Unsplash/Alexander Shatov

WhatsApp pode ter que adiar recurso no Brasil

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo recomendou formalmente ao WhatsApp que adie o lançamento de sua  nova ferramenta Comunidades para 2023. O documento é uma recomendação — que antecede uma ação civil pública e, se não for acolhida, pode virar uma ação judicial.

Em abril, o órgão já havia solicitado que a empresa prestasse informações sobre a possibilidade de adiamento do recurso. O recurso vai possibilitar que administradores reúnam diferentes grupos sob um só guarda-chuva, ampliando o alcance de mensagens, o que pode facilitar a circulação de desinformação.

Atualmente, os grupos de WhatsApp podem ter no máximo 256 integrantes. Como o novo recurso permite enviar mensagens para até dez grupos, o número de destinatários pode chegar a 2.560. Se o tamanho máximo de cada grupo dobrar, cada envio pode alcançar 5.120 pessoas de uma só vez, indo na contramão da atual política de enfrentamento à desinformação da empresa.

O MPF justifica que seu pedido tem como objetivo “evitar que a atual política de enfrentamento à desinformação da empresa seja alterada ainda neste ano, em um momento no qual fake news sobre o funcionamento das instituições e a integridade do sistema de votação brasileiro podem colocar em risco a estabilidade democrática do país”.

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A invasão do Capitólio dos Estados Unidos, promovida por apoiadores do então presidente Donald Trump e insuflados por uma onda de desinformação, é mencionada pelo MPF como exemplo do que pode ocorrer quando notícias falsas são disseminadas em larga escala.

A recomendação também cita que, no Brasil, o número de licenças de porte de arma aumentou mais de 470% nos últimos anos, “algo que pode contribuir para que manifestações violentas, organizadas e infladas com base em notícias falsas sobre as instituições e os processos democráticos do país, levem a resultados imprevisíveis ao final deste segundo semestre”.

O MPF lembra que a principal das estratégias de combate à desinformação do WhatsApp nos últimos anos foi limitar o número de encaminhamentos que cada usuário pode fazer de uma só vez, de modo a desacelerar a divulgação de boatos e notícias falsas. Isso porque, como o aplicativo garante a privacidade dos usuários em suas conversas, a empresa não consegue, em tese, monitorar e moderar o conteúdo das mensagens trocadas.

“Os recursos anunciados com o WhatsApp Comunidades, porém, a depender de como forem explorados pelos usuários, podem relativizar essas estratégias de contenção, especialmente porque a própria empresa tem admitido que, nesse pacote, o número máximo de usuários que cada grupo hoje comporta pode aumentar de 256 para 512”, diz o órgão.

A empresa, pertencente ao mesmo grupo do Facebook (Meta), já havia se comprometido em não lançar o Comunidades até as eleições. Mas especialistas temem que o período entre o fechamento das urnas e a posse presidencial possa experimentar alguma espécie de disputa ou tentativa de impedir a transição democrática, como aconteceu nos Estados Unidos. Por isso, há a preocupação de impedir a nova ferramenta para o próximo ano, já que o aplicativo é o mais popular entre os brasileiros e está presente em 99% dos celulares.

A sinalização do WhatsApp sobre não lançar o recurso até a eleição de outubro irritou o presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão do adiamento foi fruto de um compromisso da empresa com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No meio de um passeio de moto com apoiadores em abril, Bolsonaro afirmou que o acordo do WhatsApp com a Justiça Eleitoral “não será cumprido”.

“E já adianto. Isso que o WhatsApp está fazendo no mundo todo, sem problema. Agora, abrir uma excepcionalidade para o Brasil, isso é inadmissível, inaceitável, e não vai ser cumprido, este acordo que porventura eles realmente tenham feito com o Brasil, com informações que eu tenho até o presente momento”, declarou, na ocasião.

Fonte: IG TECNOLOGIA

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Google Meet terá compartilhamento de Spotify e YouTube durante chamada

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Google Meet ganhará novos recursos
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Google Meet ganhará novos recursos

O Google Meet ganhou muito destaque nos últimos anos, e vai receber alguns recursos extras para deixar suas reuniões mais legais. Com um novo recurso de compartilhamento ao vivo, dá para ouvir músicas no Spotify, ver vídeos no YouTube ou jogar com outros participantes da chamada. É bem parecido com o SharePlay, da Apple.

O recurso faz parte da fusão do Meet com o Duo, o app de videochamadas do Google (que não tem a mesma fama do irmão profissional).

Esse é um processo bem confuso, aliás: o app do Duo vai virar Meet e ganhar os recursos dele, enquanto o Meet vai ser renomeado para Meet Original e posteriormente descontinuado.

Jogos e streaming no Google Meet

Bagunça à parte, alguns novos recursos foram acrescentados. Um deles é este recurso de compartilhamento ao vivo. Ele ainda está em fase beta.

Durante uma chamada, basta tocar nos três pontos, escolher “Atividades” e selecionar uma das opções. Dá para iniciar uma sessão em grupo no Spotify, por exemplo, jogar Uno! Mobile ou Kahoot!, entre outras possibilidades.

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SharePlay da Apple funciona com produtos diferentes

Compartilhar conteúdo de streaming em uma chamada não é inédito. É isso que o SharePlay da Apple faz.

Ele permite usar o FaceTime para compartilhar conteúdos de apps de streaming. Dentre as opções, estão a Apple TV+, o Disney+ e o HBO Max.

Spotify e YouTube não estão nessa lista, o que conta como um diferencial para o serviço do Google Meet.

O compartilhamento ao vivo teria sido bem interessante durante a fase mais crítica da pandemia de Covid-19, quando regras restritas de circulação estavam em vigor.

Mesmo assim, pode ser útil para empresas que adotaram o trabalho remoto ou para quem tem amigos espalhados pelo país ou pelo mundo.


Fonte: IG TECNOLOGIA

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