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MPF e DPU ajuízam ação contra Bolsonaro por fala racista

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Jair Bolsonaro (sem partido)
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Jair Bolsonaro (sem partido)

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) ajuizaram uma ação civil pública contra a União e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), por prática de racismo . A ação ocorre após Bolsonaro fazer  comentários associando o cabelo “black power” de um apoiador negro à sujeira .

Durante uma conversa do presidente com simpatizantes na saída do Palácio do Alvorada, ocorrida no dia 8 de julho, ele se referiu ao apoiador, o missionário Maicon Sullivan, como um”criador de barata”.

“Como está a criação de barata aí? Olha o criador de barata aqui”, afirmou Bolsonaro, na ocasião, rindo e apontando para Sullivan. “Você não pode tomar ivermectina que vai matar seus piolhos”.

Segundo a ação do MPF e da DPU, os atos praticados pelo presidente reforçam “estereótipos raciais negativos e caracterizam discriminação e intolerância contra pessoas negras”. Bolsonaro já havia feito comentários semelhantes a Sullivan em maio deste ano, também durante uma conversa na saída do Alvorada.

Após as declarações do dia 8 de julho, Bolsonaro convidou o missionário para sua live semanal e disse que se tratava de uma brincadeira. Na transmissão, o apoiador negou que tenha se ofendido pelo comentário do presidente. Ele então voltou a comentar sobre seu cabelo e perguntou quantos banhos ele tomava por mês.

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O MPF pede para que seja determinada a retirada das redes sociais de Bolsonaro e da rede oficial da Presidência da República as manifestações ofensivas. Pede também a condenação do presidente à publicação de uma retratação nos meios de comunicação oficial e na grande imprensa.

Além disso prevê o pagamento de indenização por dano moral coletivo, no valor mínimo de R$ 5 milhões, que será revertido ao Fundo de Direitos Difusos.

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Governo Bolsonaro completa mil dias vivendo três crises por mês

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 Jair Bolsonaro
Agência Brasil

Jair Bolsonaro

Neste domingo (26), o governo do presidente Jair Bolsonaro completa mil dias. Até o momento, sua gestão enfrentou 100 crises, uma média de três por mês, de acordo com um levantamento feito pelo jornal O Globo.

O jornal relata um movimento frequente de Bolsonaro: consultar seus ministros sobre como lidar com tais crises. No dia 8 de setembro, após atos antidemocráticos marcarem presença nas ruas apoiando o presidente, o chefe de Estado se reuniu com seus ministros para que eles “votassem” se o discurso radical de de Bolsonaro deveria continuar ou se ele deveria recuar e serenar os ânimos exaltados.

O presidente iria manter o discurso inflamado, mas foi convencido pelo ex-presidente Michel Temer a escrever uma carta acalmando sua relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, com o ministro Alexandre de Moraes.

Durante os mil dias de governo Bolsonaro, 19 ministros deixaram suas pastas. Só no Ministério da Saúde, três trocas ministeriais foram feitas durante a pandemia de Covid-19.

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“A experiência do governo Bolsonaro é inédita na História do Brasil. Estamos usando para avaliar este governo a medida e os parâmetros que usamos para avaliar o gestor público. Só que esses parâmetros não são adequados, porque o governo Bolsonaro não se propõe nem a gerir a coisa pública nem a criar um projeto de futuro para o país”, diz a historiadora Heloísa Starling, professora da UFMG, ao Globo.

Bolsonaro não apenas viveu crises, mas as criou

Boa parte das crises vivenciadas durante os mil dias de governo Bolsonaro foram induzidas por ele. O presidente chegou a participar de atos que pediam o fechamento do Congresso e do STF e contavam com a presença de manifestantes pedindo a intervenção militar. Para demonstrar apoio à Forças Armadas, Bolsonaro demitiu Fernando Azevedo do Ministério da Defesa, e trocou os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica – este foi um movimento inédito no período democrático brasileiro.

O restante das crises foram criadas por pessoas do entorno do presidente, com frequentes declarações polêmicas de ministros escolhidos por ele. Internacionalmente, Bolsonaro também coleciona atritos com líderes mundiais.

O governo Bolsonaro também foi marcado pela crise econômica, com a inflação acelerando e a fila de desempregados crescendo. Para o futuro, o restante da gestão do presidente ainda deve trazer muitas crises pela frente.

“Ele vai radicalizar muito ainda, porque não consegue ir para o segundo turno sem radicalizar, a não ser que a economia melhore muito. Não vejo Bolsonaro atenuar para absolutamente nada, porque ele precisa manter viva essa chama do radicalismo em 25% da população”, analisa o cientista político Humberto Dantas, gestor de Educação do Centro de Liderança Pública, em entrevista ao Globo.

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