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Mortes por Covid podem chegar a 70% em UTIs

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O índice de mortalidade no País de pacientes com Covid-19 entubados em UTIs pode chegar a 70% nos hospitais menos preparados para o enfrentamento da pandemia. A afirmação foi feita à Comissão de Saúde pela médica intensivista Eliana Caser durante reunião virtual do colegiado realizada nesta terça (30).

Conforme explicou, os dados são de uma pesquisa realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). De acordo com o levantamento, nesses casos, quando se comparam os hospitais públicos e privados, a incidência de mortalidade é respectivamente de 63,6% e 70,5%.

Eliana Caser alertou que não adianta apenas os hospitais públicos e privados abrirem novos leitos com UTIs para o enfrentamento da pandemia. É fundamental também que eles tenham equipes preparadas para manipular os ventiladores pulmonares.

Acrescentou também que não se faz medicina intensiva sem profissionais capazes de tratar de forma individual as vítimas do novo coronavírus que chegam às UTIs. Isso porque elas geralmente apresentam comorbidades (doenças crônicas) associadas aos sintomas da Covid-19.

A médica citou que no caso do Hospital da Unimed Vitória, onde comanda as equipes intensivistas. A média de idade dos pacientes com Sars-Cov-2 (nome científico do novo coronavírus) internados nas UTIs é de 63 anos.

Desses pacientes, mais de 83% apresentam comorbidades. E entre os que são entubados e têm comorbidades mais de 90% acabam morrendo. “As doenças mais comuns que eles apresentam são pressão arterial e obesidade”, relatou.

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A médica afirmou que cerca de 15% dos óbitos atingem pessoas que chegam aos hospitais sob cuidados paliativos, pois muitos deles estavam acamados em casa.

Alguns se alimentam por meio de gastrotomia, que é feita de forma invasiva por meio de tubo colocado numa abertura efetuada no estômago.

“Geralmente esses pacientes acabam adquirindo pneumonia por Covid-19, o que torna o quadro clínico extremamente complicado”, disse.

A respeito dos pacientes mais jovens que são vitimados pela pandemia, ela pontuou que a maioria apresenta quadro de sobrepeso ou obesidade e outros problemas de saúde.

Despreparo 

A médica intensivista acredita que o Brasil nunca teve um momento tão oportuno para a sociedade conhecer o que realmente é necessário dentro de uma UTI.

Em sua avaliação um aspecto que agravou ainda mais o despreparo da medicina intensivista brasileira no sentido de enfrentar a pandemia é que nunca se acataram na prática os novos protocolos para a área.

Eliana Caser citou, por exemplo, que há anos existe no país recomendação do Ministério da Saúde para que haja nas UTIs um ventilador adequado para cada dois leitos; e para cada cinco leitos mais um de reserva.

Segundo ela, se essa prática fosse regra e não exceção, o País estaria registrando menos mortes por Covid-19 e não estaria deixando vítimas da doença morrer por falta de equipamentos.

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“Os hospitais que já vinham cumprindo os novos protocolos para a medicina intensiva baixados antes da pandemia tiveram menos dificuldade de se adaptar aos desafios impostos pelo novo coronavírus”, afirmou.

Eliana Caser considerou também muito pouco o número de médicos intensivistas no Espírito Santo (300) e no País (6.600).  Segundo disse, essa insuficiência se estende a outros profissionais da saúde especializados no atendimento em UTIs. Entre eles, enfermeiros, técnicos de enfermagens e fisioterapeutas, que estão em número muito abaixo do ideal.

Situação no estado

O vice-presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB) reforçou as palavras de Eliana Caser e disse que o Espírito Santo está vivenciando isso.

Ele lembrou que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) abriu muitos leitos com UTIs voltados para a Covid-19, mas não há especialistas suficientes para atender os pacientes.

Em resposta a questionamento do presidente do colegiado, deputado Doutor Hércules (MDB), sobre uso de cloroquina, a convidada afirmou que desde maio o Hospital Unimed Vitória suspendeu o uso do medicamento. Segundo ela, evidências científicas apontam que a cloroquina pode fazer mais mal do que bem à saúde.

Em relação a medicamentos anunciados como eficazes no combate à doença, a médica foi incisiva: “A verdade é que esse remédio comprovadamente ainda não existe e nem a vacina”, disse. 

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Política

Nova lei obriga notificar casos de violência

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Profissionais que atuam em serviços de saúde e instituições de ensino e assistência social ficam obrigados a notificar casos de violência às autoridades sanitárias estaduais casos. A regra passou a valer nesta quarta-feira (8), com a publicação no Diário Oficial do Estado da Lei 11.147/2020, da deputada Janete de Sá (PMN).

“Essa é mais um ferramenta importante de defesa das pessoas, principalmente as mulheres, vítimas de violência em nosso Estado”, afirmou Janete, que é procuradora especial da Mulher da Assembleia Legislativa. Segundo a parlamentar, o objetivo da lei é ampliar a proteção às pessoas vulneráveis à violência, não só mulheres, mas também crianças, adolescentes e idosos. 

“Com a notificação compulsória vamos conseguir identificar as ocorrências e monitorar os casos de violência notificados, identificar fatores de risco e de proteção associados à ocorrência da violência, definir áreas de maior vulnerabilidade, monitorar os encaminhamentos para a rede de atenção e proteção integral, intervir nos casos”, pontuou Janete. 

Segundo ela, a medida vai permitir a construção de um “banco de dados unificado, articulado, sólido e amparado em um olhar multidisciplinar, facilitando, assim, a formulação de políticas públicas que tratem do problema de forma científica, amparados em dados concretos, com maior chance de assertividade nas tomadas de decisões”, afirmou a parlamentar.

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A Lei 11.147/2020 é originária de projeto de lei aprovado na Assembleia Legislativa no último dia 15 de junho, em sessão plenária virtual. A norma recebeu vetos parciais do governador Renato Casagrande (PSB). Agora caberá à Ales analisar os vetos com base em parecer a ser emitido pela Comissão de Justiça.

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