Economia

Ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán pede demissão

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Ministro deixou cargo por razões políticas
Divulgação/Ministério da Economia da Argentina

Ministro deixou cargo por razões políticas

Depois de muitos meses de desgaste político, devido à crise que atravessa o governo de Alberto Fernández, o ministro da Economia, Martín Guzmán, renunciou ao cargo que ocupava desde o fim de 2019. Na tarde deste sábado (2), Guzmán postou no Twitter uma longa carta endereçada ao presidente.

“Com a profunda convicção e confiança em minha visão do caminho que a Argentina deve seguir, continuarei trabalhando e agindo por uma Pátria mais justa, livre e soberana”, disse ele na carta.

Ele ainda lista os avanços conquistados ao longo de 30 meses no governo, destacando o acordo para sanar o rombo da dívida externa externa, além das medidas adotadas no primeiro ano da pandemia e o crescimento da Argentina em 2021.

Agradece repetidamente ao presidente pela parceria e esforços, mas deixa claro que seu desembarque tem razões políticas.

“O momento pede que quem o Senhor designe assuma as rédeas do Ministério que até hoje tive a honra de comandar. Com base na experiência que tive, considero ser primordial que trabalhe em um acordo político dentro da coalizão governante para que quem me substituir, e que terá essa alta responsabilidade, conte com uma gestão centralizada e com os instrumentos de política macroeconômica necessários para consolidar os avanços descritos e fazer frente aos desafios que virão”, explicou.

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Complementando que “isso ajudará a quem me suceder a levar adiante projetos condizentes ao progresso econômico e social com o apoio político que é necessário para que sejam efetivos”.

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Guzman, um economista da Ivy League de 39 anos que conduziu pesquisas na Universidade de Columbia pelo ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, perdeu o apoio este ano da ala de extrema esquerda da coalizão controlada pela vice-presidente Cristina Fernandez de Kirchner. Parlamentares leais a ela no Congresso votaram contra o acordo do FMI que ele negociou, embora o financiamento para o acordo tenha sido aprovado pelo legislativo com amplo apoio.

Kirchner x Fernández 

O momento em que o ex-ministro optou por tornar pública sua decisão coincidiu com o discurso que Cristina Kirchner fazia na cidade de Ensenada, na província de Buenos Aires, renovando suas críticas ao rumo econômico.

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A renúncia de Guzmán é uma clara derrota política do presidente Alberto Fernández, em sua disputa permanente e cada vez mais pública e feroz com a vice-presidente. Há menos de um mês, em meio a pressões do kirchnerismo, Fernández afastou o ex-ministro da Produção, Matias Kulfas, que foi substituído pelo ex-embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli.

Tanto Kulfas como Guzmán vinham sendo questionados por Cristina e seus aliados, que culparam a equipe econômica pela derrota do governo nas eleições legislativas de 2021. Com a saída de Guzmán, enquanto os argentinos lutam contra a inflação elevada de mais de 60%, surgem sérias dúvidas sobre a sustentabilidade de Fernández, faltando um ano e três meses para as eleições presidenciais de 2023.

Fonte: IG ECONOMIA

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Economia

Dia dos Pais: inflação dos presentes quase dobra em um ano, aponta FGV

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 Inflação do Dia dos Pais quase dobra em um ano puxada pelos serviços e passagens aéreas lideram alta
Fernanda Capelli

Inflação do Dia dos Pais quase dobra em um ano puxada pelos serviços e passagens aéreas lideram alta

Levantamento realizado a partir de 30 produtos e serviços do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI/FGV IBRE) indicou que os presentes e os serviços mais procurados para o Dia dos Pais subiram em média 12,21%, nos últimos 12 meses. O percentual ficou bem acima da inflação apurada para o mesmo período, que foi de 7,99%, após a deflação recorde apurada pelo IPC-DI para julho (-1,19%). No mesmo período do ano passado, essa mesma cesta acumulava aumento de 6,76%, abaixo da inflação geral daquele momento, que estava em 8,75%.

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O pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), Matheus Peçanha, responsável pelo levantamento, salientou essa aparente contradição entre a deflação mensal do índice e os preços crescentes da cesta : “Essa deflação de julho foi extremamente focada em itens bem específicos, principalmente combustíveis e energia, mas o índice de difusão (percentual de itens que subiram de preço) ainda continua acima de 60%, mostrando que a pressão inflacionária ainda está presente e disseminada. Dentro dos itens desta cesta de Dia dos Pais, por exemplo, apenas oito dos 30 itens tiveram queda de preço em julho, dentre eles, ironicamente, as passagens aéreas.”

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A ironia a que se refere o pesquisador reside no fato de que a pesquisa também mostrou que a inflação dos serviços teve a maior contribuição na cesta, subindo 19,82%. E essa alta foi puxada pelas passagens aéreas, cujos preços avançaram 72,78% nos últimos 12 meses. “O fim da temporada de férias aliado à redução nos custos do QAV e do GAV (combustíveis das aeronaves) proporcionaram uma deflação de quase 20% nas passagens aéreas em julho, mas ainda não é o suficiente para compensar a alta acumulada que estava em mais de 100% no mês anterior”, comenta Peçanha. Também na cesta de serviços, o fim das restrições sanitárias permitiu o reajuste desses itens com o retorno da demanda, de modo que hotéis (9,64%), restaurantes (8,99%), e cinemas (8,65%) tiveram aumentos significativos. Em menor nível, excursões e tours (6,09%), teatros (3,79%) e shows musicais (0,13%) também sofreram alta.

Pelo lado dos produtos mais comumente escolhidos como presente, a cesta de 23 bens duráveis e semiduráveis teve um aumento médio de 6,72%. As principais altas vieram do setor têxtil: roupas masculinas (12,69%), calçados masculinos (12,34%), cintos e bolsas (9,48%) e roupas de cama, mesa e banho (9,44%). A alta do algodão na esteira da crise das cadeias globais de valor ao longo desse último ano foi a principal causa desses aumentos.

Outras altas notáveis na cesta foram registradas em material para reparos de residência (11,08%), móveis para residência (10,49%), geladeiras e freezers (9,06%) e ar-condicionado (8,13%).

Var.% acumulada em 12 meses

Itens selecionados Ago/21 a Jul/22 Ago/20 a Jul/21

  • PASSAGEM AÉREA 72,78 64,73
  • HOTEL 9,64 0,19
  • RESTAURANTES 8,99 4,49
  • CINEMA 8,65 0,00
  • EXCURSÃO E TOUR 6,09 1,05
  • TEATRO 3,79 0,00
  • SHOW MUSICAL 0,13 0,00
  • ROUPAS MASCULINAS 12,69 2,76
  • CALÇADOS MASCULINOS 12,34 4,23
  • MATERIAL PARA REPAROS DE RESIDÊNCIA 11,08 12,60
  • MÓVEIS PARA RESIDÊNCIA 10,49 5,06
  • CINTO E BOLSA 9,48 1,12
  • ROUPAS DE CAMA, MESA E BANHO 9,44 8,18
  • GELADEIRA E FREEZER 9,06 5,96
  • AR CONDICIONADO 8,13 4,60
  • MÁQUINA DE LAVAR ROUPAS 7,21 5,71
  • FORNO ELÉTRICO E DE MICRO-ONDAS 6,27 5,45
  • VENTILADOR E CIRCULADOR DE AR 4,85 5,17
  • DESODORANTE 4,21 3,66
  • PRODUTOS PARA BARBA 3,92 5,74
  • RELÓGIO 3,75 -0,24
  • FOGÃO 3,66 -1,79
  • APARELHO DE TV 3,65 6,74
  • LIVROS NÃO DIDÁTICOS 2,73 -0,95
  • BICICLETA 2,51 6,35
  • COMPUTADOR E PERIFÉRICOS 2,12 3,24
  • APARELHO TELEFÔNICO CELULAR 1,30 -1,21
  • APARELHO DE SOM 1,06 2,43
  • ARTIGOS ESPORTIVOS 0,16 1,90
  • PERFUME -0,68 3,61

Fonte: IG ECONOMIA

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