Política Nacional

Ministério da Saúde desperdiçou dinheiro em 2020, diz relatório da CGU

Publicados

em


source
Remédios foram jogados fora após perderem prazo de validade
Pixabay/Pexels

Remédios foram jogados fora após perderem prazo de validade

Diversos casos de desperdício de dinheiro público na gestão do Ministério da Saúde em 2020 foram apontados por um relatório de auditoria elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU). As informações são do G1.

De acordo com o documento, houve uma grande quantidade de vacinas e remédios incinerados ou extraviados. Durante 2020, R$ 21 milhões foram gastos com a destriução de, por exemplo, mais de 25 toneladas de vacina Pentavalente e quase quatro toneladas de vacina Tríplice. Em dez meses, quase 30 toneladas de medicamentos foram jogadas fora.

Remédios de alto custo e vacinas contra febre amarela e hepatite, entre outras, perderam o prazo de validade – no total, 750 lotes de medicamentos foram perdidos. O prejuízo, segundo o relatório da CGU, é de R$ 172 milhões, e foram registrados remédios vencidos desde julho de 2009.

Além do desperdício, o documento também aponta para o desaparecimento de alguns itens. Um exemplo é o caso de um medicamento de alto custo, vendido a mais de R$ 12 mil a dose, que teve 66 doses desaparecidas. O medicamento saiu do estoque sem destino conhecido.

Leia Também:  Bolsonaro ironiza indiciamento pela CPI e chama Renan Calheiros de 'bandido'

A luta contra a Covid-19

E não foram só remédios e vacinas que causaram desperdício de dinheiro, mas também equipamentos. Respiradores, essenciais na luta contra a Covid-19, também desapareceram em 2020.

Os técnicos da CGU perceberam que o sistema do Ministério da Saúde não tinha os comprovantes de entrega de quase 5 mil respiradores. O órgão, então, rastreou os equipamentos em estados e municípios, e 336 deles têm paradeiro desconhecido. Isso representa um gasto de mais de R$ 18 milhões.

Segundo o relatório, há “graves inconsistências entre os registros de entrega do Ministério da Saúde e os registros de recebimento dos entes federativos”. “Resta evidenciado que os controles das doações efetuadas pelo Ministério da Saúde são inadequados, pois verificou-se, além da ausência de comprovantes de entrega, de guias de remessa e de termos de doação nos processos SEI, a ausência de comprovação de recebimento dos aparelhos”, diz o documento.

No relatório, a CGU ainda afirma que acompanhou algumas das compras do Ministério da Saúde no ano passado e alertou para que prejuízos fossem evitados, mas os avisos foram ignorados. A auditoria servirá como base para que o Tribunal de Contas da União (TCU) julgue os gastos do ministério em 2020.

Adriano Massuda, professor de gestão em saúde da FGV, disse ao G1 que o dinheiro desperdiçado poderia ter ajudado a salvar pessoas com Covid-19. “O Ministério da Saúde, que tem um papel fundamental na coordenação dessa que é a maior crise sanitária da nossa época, tratou insumos essenciais com descaso, com despreparo. É com muita tristeza que a gente vê que o nosso país viveu essa situação e com desperdício de recursos tão importantes”, afirmou.

O Ministério da Saúde disse ao G1 que está ciente do processo e vai responder a CGU dentro do prazo estipulado.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política Nacional

Senadores da CPI criam roteiro para manter capital político após relatório final

Publicados

em


source
Senadores da CPI criam roteiro para manter capital político após relatório final
Reprodução/Agência Senado

Senadores da CPI criam roteiro para manter capital político após relatório final

Com a iminência do fim da  CPI da Covid, senadores que integram a comissão buscam formas de manter o capital político e as alianças formadas durante os quase seis meses de trabalho. O anúncio de uma frente parlamentar sobre a pandemia, composta por oposicionistas e independentes do grupo majoritário chamado G7, esbarra em divergências políticas históricas. Paralelamente, congressistas se unem em parcerias que vão desde o lançamento de um livro até alianças eleitorais.

Além de ganhar visibilidade e se consolidar como um dos principais opositores ao presidente Jair Bolsonaro, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), construiu pontes no Senado através da CPI, esforçando-se para buscar consenso entre aliados novos e antigos. Ele não descarta usar isso para viabilizar, em 2023, uma eventual candidatura à presidência da Casa, cargo que já ocupou por quatro vezes.

Nos últimos meses, Renan se aproximou do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), com quem protagonizou uma briga no passado. Em 2009, Renan chamou Tasso de “coronel”, e o tucano revidou chamando o alagoano de “cangaceiro de terceira categoria”. Outro antigo desafeto de Renan é o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), hoje aliado de primeira hora na comissão.

Leia Também:  Doria não vai ao 1º debate das prévias do PSDB: "Regras não foram discutidas"

Randolfe anunciou na última semana o desdobramento da CPI da Covid em uma frente parlamentar. O intuito, de acordo com ele, é acompanhar e cobrar soluções para o pós-pandemia. Além disso, Randolfe prepara um livro, que será lançado em 2022, com o senador Humberto Costa (PT-PE).

Leia Também

“Já tem dois capítulos escritos. A ideia é abordar um pouco algumas avaliações políticas da CPI e bastidores também”, afirmou Costa.

Para o petista, embora a frente sugerida por Randolfe deva servir de acompanhamento das denúncias propostas pela CPI, o consenso do bloco só deve ser mantido em temas relacionados à pandemia. Na visão dele, é possível haver articulações em assuntos envolvendo a Covid-19, mas outros temas terão abordagens diferentes. A visão é compartilhada pela maioria da comissão. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que ressaltou também a adesão dos suplentes ao chamado G7, cita uma união “forte” em temas da pandemia.

“A formação da frente parlamentar é bastante razoável, o tema comporta, mas a gente também tem que confiar nos últimos atores desse roteiro: Ministério Público, Justiça, Câmara e nós mesmos senadores na nossa atividade de legislar. Mas é mais um espaço de fala”, avaliou Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Alguns senadores também usam a visibilidade com foco na eleição de 2022. Em setembro, Vieira anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República. A senadora Simone Tebet (MBD-MS) é outra que tenta viabilizar a sua pré-candidatura pelo partido, mas ainda enfrenta resistência interna.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

BLOG DO ILAURO

POLÍTICA

POLÍTICA NACIONAL

ECONOMIA

CIDADES

BLOG DO ILAURO

MAIS LIDAS DA SEMANA