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MDB conta com ala bolsonarista para apoiar Tebet e neutralizar Lula

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MDB conta com ala bolsonarista para apoiar Tebet e neutralizar Lula
Reprodução / CNN brasil – 25.05.2022

MDB conta com ala bolsonarista para apoiar Tebet e neutralizar Lula

Mesmo com a investida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para cima do MDB nos últimos dias, o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, mantém a convicção de que a candidatura de Simone Tebet (MDB-MS) será homologada na convenção nacional marcada para o próximo dia 27. Para isso, o dirigente conta com o aval da ala mais bolsonarista do partido, que prefere a senadora a apoiar Lula logo no primeiro turno.

Não à toa dirigentes do MDB que são simpáticos ao atual governo assinaram um manifesto de apoio a Tebet no dia seguinte ao encontro de Lula com caciques emedebistas do Norte e Nordeste. O grupo inclui o presidente do MDB do Distrito Federal, Rafael Prudente, que já se posicionou favorável a um palanque duplo com Tebet e Jair Bolsonaro; o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), ex-líder da bancada ruralista e que articulou o movimento antipetista dentro do MDB; e o presidente do diretório de Roraima, Romero Jucá, que no seu estado construiu uma aliança com o PL, partido do presidente.

A ala do MDB pró-Lula tentou angariar o apoio do ex-presidente Michel Temer. Ele chegou a defender o adiamento da convenção nacional, mas prevaleceu a movimentação de Baleia e dos dirigentes do PSDB e Cidadania, que formam a aliança nacional em torno de Tebet. O movimento limita o tempo de articulação dos lulistas do partido.

Decano do MDB, Pedro Simon pontua que a candidatura própria tem potencial de “roubar” votos tanto de Lula quanto de Bolsonaro e critica as tentativas de boicotar a candidatura de Tebet dentro do próprio partido:

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“São essas pessoas que impediram o MDB de chegar ao poder. Evitando demonstrar que a divisão no partido era um sinal de fragilidade, os aliados de Tebet passaram a dizer que o movimento de Lula evidenciava o potencial de crescimento dela na corrida eleitoral.

“É um sinal positivo de que eles se preocupam com o crescimento de Simone. Ninguém chuta cachorro morto”, disse o presidente do Cidadania, Roberto Freire.

O MDB é o único partido com presidenciável a fazer uma convenção online, defendida pelos menores custos e ambiente controlado, menos propício a manifestação de oposicionistas. Essa é a estratégia visualizada pelo professor da FGV Carlos Pereira:

“Dado que existe muita tensão no partido, fazer a convenção presencial seria um palco de exposição dessa divergência”.

A movimentação interna não é sinal de rejeição ao nome de Tebet, mas revela uma preocupação com as consequências da decisão de bancar a candidatura própria. Um cacique do partido disse, reservadamente ao GLOBO, que o MDB sempre teve sua força associada ao tamanho — quantidade de prefeitos, vereadores e, acima de tudo, as bancadas no Congresso.

Partido encolhido

O problema é que o partido vem sofrendo com o encolhimento do número de deputados e senadores, o que estaria parcialmente relacionado à insistência na candidatura própria em 2018. Na Câmara, o MDB encolheu de 65 deputados eleitos em 2014 para 34 eleitos em 2018 — neste momento, a bancada tem 37 deputados. No Senado, dos 19 parlamentares em 2015, o MDB passou a 12.

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Para Carlos Pereira, da FGV, essa é uma ambivalência eterna do MDB, que tem dúvida se trilha a trajetória majoritária ou foca no legislativo. A atual polarização é um espelho dessa história.

“Tem lideranças que observam que o MDB pode ganhar mais sem uma candidatura própria, ficando disponíveis para apoiar qualquer governo, versus a estratégia de lançar candidato próprio e não ser vencedor. A candidatura da Simone é sem volta, mesmo que setores do partido venham a boicotá-la. Ela está com 3% de intenção (de voto), quase oito milhões de eleitores”, avalia Pereira.

A exposição e a composição dos palanques regionais explicam a polarização entre Bolsonaro e Lula, que pode trazer mais visibilidade em contraponto a uma candidata que ainda derrapa nas pesquisas.

A busca por mais espaço em palanques também reflete as mudanças na legislação eleitoral. Sem coligações e com a criação de federações, o número de partidos políticos representados no Congresso deve ser reduzido.

Eleger mais parlamentares vai ser fundamental para garantir a própria sobrevivência da sigla, e a disputa maior será na Câmara. Uma projeção da Action Relgov, elaborada a pedido da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), estima que o MDB alcançaria o quociente eleitoral em 14 estados – do total de 33 partidos, ao menos dez siglas não atingiriam essa meta.

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Fonte: IG Política

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Política Nacional

Brasília: defesa de hacker da Lava-Jato relata ameças após reunião

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Walter Delgatti e Carla Zambelli
Reprodução: Twitter – 14/08/2022

Walter Delgatti e Carla Zambelli

Após acompanhar o hacker Walter Delgatti, conhecido como “Vermelho”, em reuniões em Brasília na semana passada, o advogado Ariovaldo Moreira registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de São Paulo alegando estar recebendo ameaças de morte.

Ariovaldo e Delgatti viajaram a convite da deputada bolsonarisa Carla Zambelli (PL-SP) , no domingo passado. Na capital federal, participaram de reuniões com integrantes da campanha do presidente Jair Bolsonaro e com o chefe do PL, Valdemar Costa Neto. Delgatti também esteve no Palácio da Alvorada para uma agenda com Jair Bolsonaro.

O plano de Zambelli, segundo ela relatou a interlocutores, era de que o hacker que ficou famoso por revelar mensagens de integrantes da Operação Lava-Jato integrasse uma equipe de consultores contratados para fiscalizar as urnas eletrônica.

A deputada, porém, se desentendeu com o advogado, a quem acusa de ter cobrado uma compensação financeira — o que o advogado nega.

O Boletim de Ocorrência relatando as ameaças foi registrado às 22h14 deste sábado, na delegacia da Polícia Civil de Araraquara, cidade onde o advogado mora. No documento, obtido pelo GLOBO, o advogado diz que, após abdicar da defesa de Delgatti, e retornar a Araraquara, “recebeu ameaças de morte envolvendo seus familiares”.

O advogado informou ao delegado de plantão que as ameaças aconteceram “após retorno de reunião com autoridades relacionadas ao governo federal em Brasília”.

As ameaças chegaram via mensagens de texto e também por meio de áudios. O destinatário se identificava, no perfil, apenas pelo nome de “morte”. Ao GLOBO, Ariovaldo disse estar assustado.

“Eu nunca fui ameaçado na minha vida. Disseram que vão matar todo mundo”, relatou o advogado, que defendeu Delgatti em outros casos, antes mesmo da Operação Spoofing vir à tona.

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Procurada para comentar o caso, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda não se manifestou.

Ida a Brasília Preso em 2019 na Operação Spoofing, Delgatti foi o responsável por invadir o Telegram e copiar diálogos de integrantes da Operação Lava-Jato. Conforme O GLOBO mostrou, o plano de Zambelli era que ele fosse contratado como um especialista em ataques cibernéticos pelo Instituto Voto Legal, indicado pelo PL ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para auditar as eleições em outubro — a instituição ainda aguarda o credenciamento da Corte.

Segundo ela detalhou a pessoas próximas, o principal argumento para contratá-lo era que ninguém dos partidos de esquerda iria querer contestar o trabalho do hacker que revelou a chamada “Vaza Jato”— os dados vazados contribuíram para mudar o entendimento sobre as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que fez com que o petista retomasse os direitos políticos e pudesse concorrer neste ano.

Duas pessoas do PL confirmaram a história, antecipada na quarta-feira pelo site G1. A parlamentar não quis falar sobre o assunto, mas revelou que pagou a hospedagem de Delgatti e do advogado Ariovaldo Moreira, no hotel Phenícia, em Brasília, cujas diárias custam em torno de R$ 200. Moreira defendeu Delgatti na ação da Spoofing.

Delgatti foi à reunião com Valdemar na última terça-feira para falar justamente sobre esse trabalho que ele poderia exercer como “fiscalizador das eleições”. Já a audiência com Bolsonaro tratou de outro assunto, que é mantido em segredo.

Questionada sobre o teor dessa reunião no Alvorada, a deputada confirmou que ali foram tratadas “informações valiosas” às quais ela se recusou a revelar.

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“Isso eu não posso falar”, disse ela.

Na versão de Zambelli, Moreira pediu uma compensação financeira para que as tratativas continuassem, mas ela recusou. O advogado, por sua vez, nega qualquer pedido de dinheiro.

“Ele virou para perguntar para mim quanto valia a democracia. Eu falei a ele que a democracia não tinha preço. E ele: “mas eu queria ouvir um valor”, relatou a deputada ao GLOBO.

Ela ainda afirmou que o advogado ficou “nervosinho” com a recusa, decidiu ir embora e tentou levar o hacker com ele.

“E o Walter (Delgatti) falou: “não, eu vou ficar”. E aí ele vazou (o encontro) para a imprensa, porque ele ficou nervosinho e queria dinheiro”, completou.

Ao GLOBO, o advogado Ariovaldo Moreira negou que tivesse pedido dinheiro à deputada e a acusou de estar mentindo.

“Em momento algum foi pedido dinheiro. Pelo contrário, ela pediu que ele (Delgatti) fizesse coisas que eu achei que ele não devia fazer”.

O advogado, porém, não explicou qual foi o pedido de Zambelli.

“Eu não vou falar o que ela pedia. O que ela queria eu não ia fazer, só isso. Não pedi dinheiro em momento algum. Ela pode fazer a acusação que ela quiser. Agora, se eu queria dinheiro e o Walter ficou lá? Não é estranho isso?”, questionou ele.

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Fonte: IG Política

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