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Lions Cachoeiro e a Feira de Holambra

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Por | 08.08.2014

 

Às vezes me pergunto: qual é o trabalho, a experiência, a dedicação que realmente criam frutos, transformam a sociedade, aproximam pessoas, criam coisa que permaneça nos corações das pessoas? Certamente não será o grande acontecimento passageiro, a festa de momento, as coisas mirabolantes que pessoas – públicas ou privadas, tanto faz – inventam e patrocinam, para aproveitarem momentos específicos e banais.

 

 

De outro lado, quantas vezes já foram elogiados os “trabalhinhos” persistentes do cidadão, desta ou daquela administração pública – nada colossal, mas persistente; nada de maravilha absoluta, mas capaz de trazer alegria momentânea, momentânea e verdadeira, que nos faz não só sentir saudades como, daí há pouco, começar a perguntar: quando é que vai voltar?

 

 

Essas escritas aí em cima vêm sempre ao pensamento quando vem chegando a primavera; começo a pensar e perguntar: E Holambra? E a Exposição colorida e natural que todo o ano se arma na Praça Jerônimo Monteiro?

 

 

Taí o que transforma a sociedade, que é capaz de mexer com o nosso interior e não precisa ser gigantesco, só precisa ser bonito e permanente. É a ExpoVerde&Flor – Flores e Plantas de Holambra – que vai para a 11ª apresentação, preenchendo os bons pensamentos dos cachoeirenses. E tenho cá que não é só pela beleza, é também pela frequência, pelo costume, pela certeza que ela virá colorir delicadamente a praça principal da nossa cidade. O rico compra, o pobre compra, eu compro.

 

 

Como acontece nos últimos anos, está aberta, do dia 7 ao dia 17 deste agosto, a tradicional Feira Verde de Holambra; tanta coisa bonita, tanta persistência e sou tentado a dizer: a persistência é bonita.

 

 

Estive lá na abertura; sem solenidade; abriram. A beleza não é da solenidade, é da abertura em si. O Lions Clube Cachoeiro de Itapemirim chegou na praça, montou barraca, estendeu o verde e o multicolorido e tomou conta. Pra mim, é felicidade que ela volte sempre, pequena que seja, bonita que é, sem abuso nos gastos, sem patrocínio público e com adesão da sociedade – empresas e associações – tirando, ao fim, razoável aporte financeiro para cuidar de programas solidários, como cadeiras de rodas, de banho, camas de hospital e o que mais for importante.

 

 

E neste momento em que encaminho para fechar os 3000 toques tradicionais da crônica, outra coisa me emociona: é sempre chegar na Feira e lá, nesses anos todos, encontrar tanta gente amiga do Lions, amizade que fiz nos tempos em que vivo por aqui e que vou – exemplificadamente – me restringir a três, sem desdouro dos outros: como é bom ver o Geraldo Carvalho, amigo do “Grupo dos Onze”, D. Sonia, companheira do meu colega de Banco do Brasil, Deimoré Borges e a Neusa, companheira do Roberto Misse, ela, cuja mãe foi madrinha de minha mãe, que foi madrinha dela, Neusa, ela, por sua vez madrinha de meu irmão Ronald. Não haveria grandes belezas, grandes lembranças, se não houvesse gente como essa que ocupa a praça por esses dias.

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PICO DO ITABIRA – CARTA AO CERJ

 

 

Reinaldo Behnken

 

 

No início do mês de junho de 2007 recebemos telefonemas da cidade de Cachoeiro de Itapemirim para que nós nos apresentássemos na Prefeitura local para sermos homenageados e agraciados, cada um, com a Comenda Rubem Braga, a ser concedida pelo Prefeito Roberto Valadão Almokdice.

Logo depois recebemos telegrama do Prefeito, pedindo nossa presença, pois nosso nome estava entre os que seriam os agraciados do ano de 2007. A Comenda de Cavaleiro corresponde a maior homenagem do Governo Municipal que seria entregue no dia 29 de junho, data da Festa de Cachoeiro.

 

 

Assim sendo, confirmamos nossa presença na solenidade. Teríamos que embarcar para Cachoeiro no dia 28 de junho e participarmos do desfile cívico-militar, que seria realizado no dia 29 de junho, às 8:00 horas, perante autoridades estaduais e municipais, cabendo a nós desfilarmos no carro que nos transportou para o Itabira em 1947, já completamente reformado.

Foi mencionado que éramos os alpinistas conquistadores da Pedra do Itabira e calorosamente aplaudidos pelo Governador do Espírito Santo, pelo Prefeito de Cachoeiro e demais autoridades da cidade e Estado. Após o desfile fomos conduzidos até a base do Itabira, onde foi feita uma entrevista filmada sobre a escalada. Logo a seguir, às 13:00 horas, participamos de um almoço no MAISON BELAS ARTES onde, após o almoço, foram entregues as Comendas aos agraciados do ano 2007, entre os quais nós fomos chamados para receber, cada um, a sua COMENDA. Evidentemente que ficamos e estamos muito orgulhosos por toda a atenção que nos foi dedicada pelas autoridades e pelo povo e, principalmente, por essa homenagem.

 

 

(Behnken foi um dos primeiros conquistadores do Pico do Itabira, em 1947. Ele voltou a Cachoeiro em 1987, para ser homenageado pela Prefeitura, quando era Secretário de Cultura e Turismo o Toninho Miranda e prefeito, Roberto Valadão. A fonte é o BOLETIM nº 616, de julho de 2007, do “CERJ – Centro Excursionista Rio de Janeiro”)

 

Rubem Braga em Porto Alegre – I

 

Carlos Reverbel

 

Outro garoto que veio com a comitiva pernambucana – pois jamais perderia qualquer oportunidade para viajar – foi Rubem Braga. Nossa amizade de mais de 50 anos começou em um jantar oferecido pelos jornalistas gaúchos em sua homenagem. Rubem ainda não havia publicado seu primeiro livro – O Conde e o Passarinho, de 1936 -, mas, já era conhecido e admirado pelas suas crônicas. Foi recebido como celebridade, e mal havia completado 23 anos de idade.

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Rubem veio cobrir os eventos do centenário farroupilha como repórter do jornal A Folha do Povo, fundado em Recife, naquele mesmo ano, para defender as idéias da Aliança Nacional Libertadora. Ele já havia trabalhado em Belo Horizonte, no Diário da Tarde, enquanto terminava a Faculdade de Direito; em São Paulo, no Diário de São Paulo, depois de ter ido para lá cobrir as operações das tropas mineiras que lutaram ao lado de Getúlio Vargas em 1932; no Rio de Janeiro, no Diário da Noite e em O Jornal, e em 1935 estava em Recife.

 

 

Quando veio para Porto Alegre pela primeira vez, Rubem já havia descoberto a fórmula literária que desenvolveria ao longo de toda sua carreira como cronista: a combinação do lirismo com as cenas do cotidiano. Nessa época, no entanto, ele ainda era obrigado a fazer trabalhos estritamente jornalísticos, tarefa da qual aos poucos foi se desobrigando.

 

 

Rubem nunca foi repórter por vocação. Ele precisava da liberdade temática e expressiva que o texto jornalístico, na maioria das vezes, não pode oferecer. Por outro lado, defendo a tese de que se não fossem as exigências dos jornais em que ele trabalhou e a necessidade de escrever para viver, Rubem jamais teria feito a obra que fez. Quando estivemos juntos na França, em 1947, diversas vezes flagrei Rubem apressando as tarefas da semana – mandando três ou quatro crônicas para o Brasil de uma só vez – para poder aproveitar a maior parte do tempo flanando pelas ruas de Paris. Ele nunca foi o tipo de escritor que sente comichões na mão para escrever. Escrevia, na maioria das vezes, sob pressão profissional, dentro de um gênero que ele mesmo criou e que, de certa forma, se transformaria em uma espécie de camisa-de-força para o seu talento.

 

 

(Texto de Carlos Reverbel, com Cláudia Laitano, no livro “Arca de Blau, Memórias”. Ed. Artes e Ofícios Editora Ltda. Porto Alegre, RS. 1993. Pág. 72-75 – Esse livro, ganhei-o do Marco Antonio de Carvalho, biógrafo de Rubem Braga, que o utilizou para compor essa biografia – na próxima Conexão, a continuação desse texto).

 

 

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Covid-19 como Doença Ocupacional – Leia o artigo

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O governo federal editou, no dia 22 de março de 2020, a Medida Provisória 927 para introduzir ações no âmbito das relações de trabalho em meio à pandemia. Essa MP, importantíssima, trouxe diversas novidades para trabalhadores e empresas em meio ao caos gerado pela pandemia, entre elas: teletrabalho, antecipação de férias individuais, concessão de férias coletivas e diferimento do pagamento do FGTS.

Entre as inovações trazidas pela MP 927, está o seu artigo 29: Os casos de contaminação pelo coronavírus (covid-19) não serão considerados ocupacionais, exceto mediante comprovação do nexo causal. A intenção do governo federal, ao introduzir o artigo 29, era manter uma regra que já existe na própria lei previdenciária (8.213/91), que dispõe que doenças endêmicas não são consideradas ocupacionais, salvo se comprovado o nexo de causalidade. Endemia significa uma enfermidade que atinge uma região e tem causas exclusivamente locais. Assim, se em relação às doenças endêmicas já existe esse tipo de previsão, não poderia ser diferente com uma doença pandêmica, como o caso do novo coronavírus. Logo, pela disposição contida no artigo 29 da MP 927, o governo federal quis determinar a mesma regra já prevista na lei previdenciária, criando uma espécie de presunção que poderá ser elidida acaso comprovado o nexo causal.

Nexo causal é o vínculo que relaciona o ato ou fato à consequência provocada por ele, tendo ótima conceituação no artigo 186 do Código Civil: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Ou seja, para que o ato seja passível de indenização, é preciso que esteja relacionado a uma consequência danosa.

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O STF, porém, suspendeu o artigo 29 da MP 927. Com essa suspensão, criou-se uma grande polêmica em torno da Covid-19 ser ou não uma doença ocupacional, com destaque para três linhas de pensamentos: (a) alguns entendem, como está na página do Senado Federal, que a suspensão do artigo 29 representou que todos os profissionais contagiados pela Covid-19 serão tidos como doentes ocupacionais, ou seja, uma enfermidade relacionada ao exercício do trabalho; (b) já outros acham que não é bem assim, podendo ser dada, ao empregador, a oportunidade de demonstrar, mesmo que na Justiça, que não houve nexo causal, isto é, a contração do novo coronavírus pelo seu empregado não teve nenhuma relação com o trabalho naquela empresa, bem como que a empresa adotou todas as medidas sanitárias preventivas para aquilo não ocorresse; (c) há uma terceira linha de pensamento, à qual nos filiamos, no sentido de que deve prevalecer a regra já existente na lei previdenciária para as endemias, uma vez que a pandemia nada mais é do que uma endemia em nível mundial, e isso resulta no fato de que, para se caracterizar como doença ocupacional, o contágio pelo novo coronavírus deverá ser objeto de avaliação médica-laboral para demonstrar se, realmente, aquela contaminação se deu no local de trabalho ou em função dele e se a empresa concorreu para que a doença acometesse aquele empregado.

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Os efeitos jurídicos de ser ou não considerada uma doença ocupacional são muito relevantes. Em caso positivo e tendo ocorrido um afastamento superior a 15 dias (o que fatalmente acontece), o empregado passará a gozar da estabilidade prevista em lei, de garantia no emprego pelo prazo de 12 meses após a alta previdenciária. Além disso, o empregado também poderá responsabilizar a empresa civilmente e requerer danos materiais e morais. Há ainda danos tributários e previdenciários para a empresa, com a majoração do FAB (Fator Previdenciário), alíquota que serve de base de cálculo do risco ambiental do trabalho, contribuição incidente sobre as remunerações pagas pelas empresas aos seus empregados.

Sérgio Carlos de Souza, fundador e sócio de Carlos de Souza Advogados, autor dos livros “101 Respostas Sobre Direito Ambiental” e “Guia Jurídico de Marketing Multinível”, especializado em Direito Empresarial, Recuperação de Empresas e Ambiental.

Rodrigo Silva Mello, sócio de Carlos de Souza Advogados, especializado em Direito Trabalhista.

https://www.carlosdesouza.com.br

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