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Inflação dos remédios esfria as compras de consumidores nas farmácias

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Alta acumulada nos preços dos medicamentos chega a 13,81% nos últimos 12 meses e faz consumidores restringirem as compras nas farmácias
Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande

Alta acumulada nos preços dos medicamentos chega a 13,81% nos últimos 12 meses e faz consumidores restringirem as compras nas farmácias

Na alta de preços que impacta os mais diferentes aspectos do dia a dia dos brasileiros, um dos setores, de muita necessidade e que já normalmente pesa no orçamento, tem impactado ainda mais as famílias: os medicamentos. Desde o início do ano, o aumento mensal dos medicamentos foi subindo, como mostram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro, com 0,31%, foi para 0,57% em fevereiro, e disparou a 6,13% em abril. Em maio e junho, a carestia foi menor, de 2,51% e 0,61%, mas a alta acumulada escalou a 13,81% nos últimos doze meses, acima da inflação geral, que bateu 11,89% em junho (IPCA-IBGE).

O aumento atingiu toda a categoria de produtos farmacêuticos. Os dermatológicos puxam a alta, com aumento de 17,21%, seguidos por antigripais e atitussígenos (17,06%) e analgésicos e antitérmicos (16,06%). Os antibióticos ficaram 14,82% mais caros, enquanto medicamentos para o estômago subiram 14,78% e antialérgicos e broncodilatadores, 14,45%.

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Com preços mais altos, famílias acabam deixando de comprar medicamentos necessários por não conseguirem pagar. A dona de casa Ticiane Alves, de 32 anos, começou a observar o aumento nos preços ao procurar pelo remédio de pressão do marido, que subiu de R$ 80, no ano passado, para atuais R$ 106. A bombinha (ou nebulímetro) que ajuda a tratar a asma do filho do casal também ficou mais cara, passando de R$ 37 para R$ 60.

Com o orçamento mais caro, agora a família compra apenas o “essencial do essencial”:

“Um dos antibióticos que meu filho está precisando tomar está custando R$ 130. Não comprei porque não consigo pagar. Saí da farmácia só com metade da lista.”

Hipertensa e com artrite e problemas de estômago, Edite Maria de Jesus, 63, vai frequentemente à farmácia e tem um gasto mensal alto com medicamentos que, segundo conta, “nem lembra mais”. Os aumentos vem sendo sentidos já há algum tempo. Só o remédio da pressão aumentou R$ 10 no último mês. Mesmo já aposentada, ela ainda trabalha como cuidadora de idosos para conseguir fechar o orçamento.

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“Ou tomo remédio, ou como. Só a aposentadoria, não dá”, diz.

Servidor público aposentado, Antônio Carlos Fontes, 82, lembra ainda que a situação, claro, é mais grave para quem temos recursos:

“Gasto cerca de R$ 1 mil por mês com remédio, e cada dia que venho a farmácia é uma surpresa. Eu ainda tenho condições, mas canso de ver quem deixa caixas e caixas de medicamento para trás por conta do preço.”

No orçamento da professora Aline Borges, 37, os aumentos recentes ainda contaram com outro fator: as alergias da pequena Mariana, de 1 ano e 9 meses, que pioram nessa época do ano, junto com as viroses que começaram a aparecer quando a menina entrou para a creche. Só na última quinta-feira (21), foram R$ 500 entre medicações para a filha e os pais de Aline.

“A gente vê a diferença no fim do mês, quando olha a fatura do cartão”, lamenta.

Falta de indústria nacional forte

Para especialistas, a subida dos preços tem diferentes explicações. O último reajuste anual dos medicamentos, de 10,89%, passou a valer em 1º de abril, após autorização da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O aumento, no entanto, não vale para o preço que o consumidor encontra nas farmácias, e sim para o teto, ou seja, os valores máximos que podem ser praticados pelas drogarias.

Na época do reajuste, especialistas já alertavam que o impacto no bolso do consumidor poderia ser ainda maior, já que a brecha entre os valores praticados pelas farmácias e o teto permite que os preços aumentem mais do que o reajuste da CMED e ainda assim dentro dos limites legais estabelecidos, tornando o teto de preços “artificial”.

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“Esse preço máximo é muito alto, o que acaba fazendo com que a regulação não aconteça de maneira adequada, porque as empresas tem muita margem para aumentar os preços ao consumidor”, explica o advogado Matheus Falcão, e pesquisador do programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

O percentual de reajuste é definido por meio de uma fórmula que leva em conta a variação da inflação medida pelo IPCA-IBGE, ganhos de produtividade das fabricantes de medicamentos e variação dos custos dos insumos e características de mercado.

Mas não foi apenas o reajuste do teto que fez aumentar o valor dos medicamentos nas farmácias. Fatores externos também impactam na alta de custos e no consequente repasse ao consumidor, como a guerra na Ucrânia e a política de lockdown em cidades da China, que causa fechamentos de fábricas, afetando a produção industrial e as exportações de produtos como as matérias prima usadas na fabricação de medicamentos.

“Dependemos muito de insumos importados para a produção de medicamentos, porque não temos uma indústria nacional forte. Além disso, há ainda um agravante que é o fator sazonal. Nessa época do ano, temos mais procura por antialérgicos e antitussígenos, por exemplo, o que ajuda a elevar o preço”, analisa Matheus Peçanha, pesquisador e economista do FGV/IBRE.

O EXTRA perguntou ao Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) e a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) se houve e de quanto foi o aumento de custos nos últimos meses. O presidente do sindicato, Nelson Mussolini, afirmou em nota que “os medicamentos têm um dos mais previsíveis e estáveis comportamentos de preço da economia brasileira”. Já a Abrafarma informou que não iria se manifestar.

Fonte: IG ECONOMIA

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Economia

Justiça do Rio reconhece vínculo empregatício entre entregador e iFood

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Entregador disse que realizou serviços de forma subordinada
Roberto Parizotti/Fotos Públicas

Entregador disse que realizou serviços de forma subordinada

A Justiça do Trabalho reconheceu o vínculo empregatício de um entregador da Baixada Fluminense com a empresa Ifood. No entendimento do juiz do Trabalho Paulo Guilherme Santos Périssé, titular da 2ª Vara do Trabalho de São João de Meriti, foi configurada a existência dos critérios que ensejam o vínculo, que são: subordinação, pessoalidade, onerosidade e não eventualidade.

Segundo o magistrado, a empresa criou obrigações no âmbito da liberdade contratual e conferiu contornos próprios ao contrato de trabalho pactuado com o autor.

O motociclista pleiteou o reconhecimento do vínculo empregatício com a empresa Ifood, alegando que prestou os serviços de forma subordinada. Além disso, alegou que estava submetido a controles contínuos e rígidos por parte da empresa.

Em sua defesa, o iFood argumentou que o entregador não prestou serviços a ela, atuando de forma autônoma como “parceiro de entrega”. Disse estarem ausentes os requisitos que caracterizam o vínculo de emprego. Ainda cabe recurso.

Dados do usuário

O magistrado disse, em sua sentença, que a relação trabalhista em questão partiu da existência de um novo modelo de negócios, no qual a empresa utiliza a tecnologia para, além de produzir bens e serviços, extrair dados dos usuários.

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“O contrato de trabalho nos moldes ajustados pela reclamada contém obrigações que estão muito além do escopo tradicional da relação jurídico laboral, cominando não apenas a prestação de serviços como a extração de dados”, frisou ele.

Além disso, o juiz não acolheu a argumentação da empresa de que ela apenas intermediava a relação entre o usuário e os entregadores.

“Vale ressaltar que a mera intermediação de mão de obra, fora das hipóteses admitidas em lei, é prática refutada pela jurisprudência”.

A subordinação foi caracterizada pelo “controle por meio do aplicativo e das obrigações impostas ao autor, como através da fixação do valor percebido por entrega (…), as rotas e o seu rastreio”.

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De acordo com o magistrado, a prestação de serviços não se dava de forma gratuita; a pessoalidade, já que o cadastro do entregador na plataforma era requisito indispensável para o início do vínculo entre as partes; e a não eventualidade da prestação de serviços, devido à natureza da atividade econômica desenvolvida pela empresa.

O iFood não comentou a decisão.

Fonte: IG ECONOMIA

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