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Hartung deve apoiar Casteglione em Cachoeiro

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O ex-governador vai ao jantar de adesão da campanha petista, que acontece na noite desta segunda-feira. Saiba o que pode estar por trás dessa decisão

Por | 03.09.2012

 

Ilauro Oliveira

foto: arquivo

 

Embora o PMDB esteja no palanque de Glauber Coelho (PR) em Cachoeiro de Itapemirim, o ex-governador Paulo Hartung ficará em lado oposto ao dos peemedebistas neste pleito. Ele comparece na noite desta segunda-feira (3) no jantar de adesão do candidato Carlos Casteglione (PT) que acontece no Unimed Hall, a partir das 19h00.

O ex-governador ainda não tinha definido o rumo em Cachoeiro, mas ele permitiu a divulgação da notícia neste domingo, via assessoria de campanha do PT.

 

Dada a notícia, vamos aos fatos que podem ter influenciado na decisão, bem como as consequências dela.

 

O primeiro ponto a ser analisado é a participação do governador Renato Casagrande (PSB) na campanha de Glauber. O governador ao descer de helicóptero em Cachoeiro semana passada ao lado do candidato do PR deixou claro a sua opção na cidade e deu a senha para o outro grupo. Neste caso não haveria outro caminho ao ex-governador. Como se sabe, os dois demarcam território eleitoral para saber o tamanho de cada um após o pleito.

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Outra situação a ser analisada é quais acordos podem der sido feitos até Hartung tomar a decisão. Um deles pode ser amarrar os deputados estaduais do PT na reeleição do atual presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM). Quem chega junto com Hartung nesta noite é o cacique do PT, João Coser, prefeito de Vitória.  Que significa que há um acordão muito maior que simplesmente as urnas cachoeirenses.   

 

Outra hipótese pode ser o fato de o candidato do governo em Itapemirim, Dr. Luciano (PSB), estar dando uma canseira danada no grupo ferracista. O candidato apoiado por Hartung, Ricardo Ferraço (PMDB), Theodorico Ferraço e a atual prefeita Norma Ayub (DEM), Estevão (PMDB) não deslancha. Como se sabe Itapemirim é o último feudo eleitoral dos Ferraços. Perdido lá, nada sobra no sul do estado. Manter a base é questão de honra, até porque Cachoeiro já é passado. Então o apoio em Cachoeiro pode ser uma amarração maior para fechar qualquer apoio ao Dr. Luciano, que tem o PT na sua coligação.

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Já ao candidato Glauber, a consequência é uma só: já está claro que os caciques do PMDB (Hartung e Ricardo Ferraço) já o abandonaram, optando pelo seu concorrente, bem como seu padrinho Theodorico Ferraço já não está tão empenhado na sua eleição. Se estivesse, Ferração poderia evitar este apoio ou pelo menos se rebelar contra ele, como já fez tantas vezes quando seus interesses são contrariados. Não o fez, ou seja, tá nem aí.

 

Por fim, cabe a última reflexão: eleição se ganha combinando com o eleitor. O fato de Hartung apoiar Casteglione e Casagrande Glauber, pode significar alguma coisa ao eleitorado, mas não significa tudo.      

 

 

    

 

 

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Análise Política

Desafios em tempos de pandemia – Castelo como centro do debate

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A crise econômica que se abate (e vai piorar) sobre o mundo, e que consequentemente atingirá todos os níveis federativos, trará consigo tempos desafiadores para quem sonha em seguir a vida pública.

As novas datas eleitorais aprovadas pelo Congresso Nacional servirão não apenas para que o Brasil ganhe tempo e combata com mais eficácia o Covid-19 antes de levar os eleitores às urnas. O prazo maior servirá principalmente para que partidos e políticos reflitam sobre o caminho que será construído em seus municípios.

Não haverá mais espaço para demagogia política e pedaladas administrativas e financeiras. Quem se aventurar em assumir uma prefeitura, a partir de janeiro de 2021, vai precisar mostrar, com uma clareza nunca antes explicitada, o que fará e como fará, considerando o cobertor curto nas finanças municipais, estaduais e nacional.

A reflexão de agora vem bem a calhar com um fato ocorrido exatamente ontem, 2 de julho, no município de Castelo. A prefeitura demitiu cerca de 100 servidores, sendo que destes 76 são da área da Educação.

Por que demitiu? Maldade do prefeito? Perseguição política? Não. A resposta é outra. O município de Castelo é um entre tantos outros Brasil afora que já se encontrou cara a cara com o desafio de administrar com muito menos dinheiro que em outros tempos.

Fui atrás dos números em Castelo. De 01 de março a 30 de junho deste ano, o município deixou de arrecadar com as principais receitas um valor total de R$ 6. 044. 119, 74. Algo equivalente a uma queda de 19,38% do valor que estava previsto para este período.

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Não, você não leu errado. É isso mesmo. Em quatro meses Castelo perdeu mais de 6 milhões de reais. As principais fontes de receita (FPM, ISS, COSIP, Royalties estadual e federal, FEP, ICMS e Fundeb) caíram drasticamente.

Para sentir o nível do drama municipal, basta que se faça um exercício rápido nas próprias finanças de sua casa ou de sua empresa, pensando o que você faria se seu orçamento caísse em 19,38%.

Não há mágica, nem máquina de fabricar dinheiro. Tampouco existe dinheiro público, como ensinam os economistas. Existe sim o dinheiro do contribuinte. Se esse dinheiro não circula, ele simplesmente não entra nos cofres públicos. A pandemia limitou a produção e gerou desemprego, reduzindo drasticamente a movimentação financeira e com ela a capacidade de pagamento de dívidas… incluindo impostos.

Mas é bom observar que Castelo não encontrou-se apenas hoje com a sua realidade e com a necessidade de cortar investimentos e adequar seus gastos a essa nova realidade. Já havia uma projeção de queda e que se concretizou. O valor do FUNDEB orçado para março, abril, maio e junho era de R$ 7. 643. 333, 33, mas o que entrou foi R$ 6. 633. 942, 40. Um diferença de mais de 1 (um) milhão.

Lá atrás, diante da verificação dessa queda no setor educacional, foi feita uma tentativa para evitar o desemprego.

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A primeira proposta para alteração na Lei do Auxílio Alimentação para a Câmara previa a redução do seu valor, que atualmente é de R$ 600, 00 para R$ 200, 00 a todos os servidores (contratados, efetivos e comissionados). Houve pressão dos efetivos e a medida não vingou.

Então houve o plano B. A redução do Auxílio-Alimentação dos servidores contratados e comissionados até novembro deste ano, de R$ 600, 00 para R$ 300, 00. Mantendo para os efetivos o valor de R$ 600, 00.  Esse projeto passou na Câmara, mas não foi suficiente para amenizar as perdas orçamentárias, levando à medida extrema adotada ontem.

O caso das demissões em Castelo, bem como o debate sobre a redução de um benefício legítimo dos servidores (Auxílio-Alimentação), mas que se fazia necessário nesse momento de redução abrupta da receita, remete-nos ao raciocínio inicial: diante de tempos desafiadores nas finanças municipais, haverá espaço para promessas demagógicas de futuros pretendentes aos cargos públicos?

Com pouco dinheiro em caixa e com a continuidade da queda orçamentária, o próximo mandato para qualquer prefeito capixaba será extremamente difícil. Muito mais que o presente. O candidato que se apresentar sem dizer como irá cortar gastos e como fará mais com menos deve ser definitivamente esquecido pelo eleitor.

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O próximo artigo vai se aprofundar nas ações  administrativas e nas relações políticas do prefeito Domingos Fracaroli, nestes seus 7 meses de governo.

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“Não existe almoço grátis” – Robert Heinlein 

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