Histórias e Letras

Há 15 anos, música brasileira perdia Chico Science

Publicado em

Por | 03.02.2012

 

Há exatos 15 anos, no dia 2 de fevereiro de 1997, se calava uma das vozes mais brilhantes da nova geração da música brasileira. Enquanto dirigia de Olinda para Recife, Chico Science, que liderava o grupo Nação Zumbi, perdeu o controle do Fiat Uno que dirigia, se chocou contra um poste e morreu, aos 30 anos – interrompendo uma carreira em ascensão.

 


Porém, os pouco mais de sete anos em esteve na ativa foram suficientes para que Francisco de Assis França, como era seu nome de batismo, causasse uma revolução na música brasileira e recolocasse Pernambuco no mapa cultural do país.

O início da virada começou quando, junto com Fred Zero Quatro, da banda Mundo Livre S/A, lançou o manifesto Caranguejos com cérebro. O texto foi o pontapé inicial do movimento manguebeat, que misturava ritmos regionais como o maracatu ao rock e à música eletrônica. A iniciativa chamou não só a atenção de gravadoras como a Sony e a Virgin, como do Brasil inteiro.

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A banda que mais se destacou foi a Nação Zumbi. O grupo fez shows em Belo Horizonte e São Paulo e se projetou para a mídia nacional. Lançado em 1994, Da lama ao caos até hoje é exaltado como um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos e projetou o grupo. O álbum trazia músicas como Samba Makossa, Rios, pontes & overdrives, A cidade e a faixa que lhe deu título. Logo Chico Science era o porta-voz de toda uma geração e um dos responsáveis por renovar o rock nacional, junto de bandas como Planet Hemp e Raimundos, que terminaram se desintegrando.

Afrociberdelia, de 1996, trouxe Manguetown, Macô e Maracatu atômico e levou a Nação Zumbi a excursionar pelo país. Mas Chico aproveitou pouco o sucesso de seu segundo rebento, lançado em junho, já que, cerca de sete meses depois, aconteceu o acidente que lhe tirou a vida.

Legado

A morte de Chico Science, claro, enfraqueceu bastante a cena musical do Recife. Sem seu rosto mais conhecido, as bandas pernambucanas enfrentaram dificuldades e chegou até a se cogitar o fim da Nação Zumbi.

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Mas a banda resistiu à morte do seu líder, promoveu Jorge du Peixe para o vocal e segue na ativa, fazendo shows e lançando bons discos, como Rádio S.Amb.A., de 2000 e Fome de Tudo, de 2007. O Mundo Livre S/A também continua produtivo e lançou em 2011 o disco Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa. O grupo perdeu em 1996 o percussionista Otto, que se lançou em carreira solo e tem um trabalho relevante, lançando em 2009 o álbum Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos.

E bandas como Mombojó, Eddie, Nuda e Cordel do Fogo Encantado e artistas como China, Lirinha e Karina Buhr fecham a conta do legado de Chico Science. Com público no Brasil inteiro, carreiras sólidas e relevância musical, estre grupos comprovam que o som feito em Pernambuco continua forte e que a missão de abrir caminhos rumo ao resto do país foi cumprida com louvor por Chico Science.

Fonte: Vermelho e Uai

 

 

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Cachoeiro lança novo edital da Lei Rubem Braga

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Por | 23.05.2014


Começam no dia 30 deste mês as inscrições para a edição 2014 da Lei Rubem Braga, em Cachoeiro de Itapemirim. Moradores do município que queiram concorrer ao patrocínio da prefeitura para realizar projetos culturais devem se cadastrar até o dia 11 de julho, na sede da Secretaria Municipal de Cultura, no Centro.

 

Por meio do novo edital, estão sendo disponibilizados R$ 400 mil para financiamento de propostas em 11 áreas: Música; Dança; Teatro, circo e ópera; Cinema, fotografia e vídeo; Literatura; Artes plásticas, artes gráficas e filatelia; Carnaval; Folclore e Capoeira; Artesanato; História; Acervo e patrimônio histórico e cultural de museus e centros culturais.

 

Depois de fazerem a inscrição, artistas e produtores culturais terão até o dia 21 de julho para protocolar, na Secretaria Municipal da Fazenda, os projetos técnicos e toda a documentação exigida.

A seleção dos projetos a serem contemplados ficará a cargo de uma comissão avaliadora formada por representantes das classes artística e acadêmica do estado. O valor máximo a ser concedido, por projeto aprovado, será de R$ 15 mil, exceto para a área de Cinema, Fotografia e Vídeo, cujo teto é de R$ 20 mil.

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“Estamos ampliando em R$ 50 mil o valor do recurso para financiamento de projetos, em relação a 2013. Com isso, queremos fortalecer essa política pública, que tonificou a produção cultural do município nos últimos anos, ao garantir patrocínio a mais de 110 projetos”, destaca a secretária municipal de Cultura, Joana DArck Caetano.

 

O edital completo foi publicado na edição do último dia 13 do Diário Oficial do Município, que está disponível no site da prefeitura (www.cachoeiro.es.gov.br/transparencia/diario). O documento também pode ser consultado, das 7h às 13h, na Secretaria de Cultura, que fica no térreo do edifício Bernardino Monteiro, sede do governo municipal.

Apoio à literatura


No último sábado (17), três livros publicados com apoio da Lei foram lançados na V Bienal Rubem Braga, realizada entre os dias 13 e 18, na Praça de Fátima, Centro. São eles: “Às Margens do Itapemirim”, de Ariette Moulin Costa, “Profanus”, de José Marcelo Grillo, e “A Mulher sem Memória”, de Célia Ferreira.

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