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Guedes e Bolsonaro: entenda por que ministro está fraco mas não cai

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Guedes
Valter Campanato/Agência Brasil

Paulo Guedes tem sido criticado publicamente por Bolsonaro, sendo cada vez mais isolado no governo, mas não deixa o cargo

A relação entre o ministro da Economia,  Paulo Guedes, e o presidente da República,  Jair Bolsonaro, está cada vez mais abalada. Bolsonaro quer apostar em programas sociais, aumentando o gasto público. Guedes, por sua vez, vai no sentido contrário e propõe o exugamento das despesas. Apesar dos atritos cada vez mais frequentes, Guedes se mantém no cargo: não é demitido por Bolsonaro e nem pede para sair.

Segundo avalia o economista e doutor em história econômica pela Universidade de São Paulo, Adalton Diniz, há duas principais explicações para que Guedes continue no governo, apesar de cada vez mais isolado.

Guedes tem apego ao cargo

O primeiro motivo para a permanência incômoda de Guedes teria a ver com as personalidades do ministro e do presidente. “Guedes tem apego ao cargo e não quer sair. Ele tinha um certo ‘recalque’ de nunca ter sido convidado para nenhum cargo, apesar de ser um cara formado em Chicago”, afirma Diniz.

Além disso, Guedes parecia ter interesse em um cargo público. “Na década de 1980 ele chegou a participar de debates públicos. Então, a impressão que dá é que ele tinha interesse em participar do governo”, analisa Diniz.

Para o especialista, os fatos recentes mostram que Guedes não quer largar o cargo.

Na terça (15), Bolsonaro disse que quem criou a proposta de congelamento de aposentadorias merecia “cartão vermelho”. O comentário soou como uma ameaça direcionada a Guedes. Mas nesta quarta (16), o ministro se desviou da indireta e quis a demissão de seu secretário Waldery Rodrigues, que vazou a informação do congelamento para a imprensa.

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“Guedes colocou seu braço direito na fogueira. Se ele tivesse menos apego ao cargo, teria proposto sair do ministério junto com Walderly, já que o assessor é seu ‘homem de confiança'”, explica Diniz.

Bolsonaro não demite ministros

Enquanto isso, Bolsonaro tem um modo de governar no qual ele prefere não demitir ministros. “É o estilo do Bolsonaro, assim como ele fez com o Moro. Ele não quer demitir, quer que o ministro peça demissão. Bolsonaro deve estar desejando que o Guedes peça para sair.”

De acordo com a visão do especialista, essa é a maneira como Bolsonaro minimiza a crise em seu governo, não tomando para si a decisão sobre demissões.

Demitir os ministros poderia demonstrar que Bolsonaro fez más escolhas na composição de seu governo, enfraquecendo sua credibilidade.

Quem substituiria Guedes?

O segundo motivo que o especialista aponta sobre a continuidade de Guedes no governo seria que Bolsonaro não tem outro nome para substituí-lo.

Seria difícil achar algum economista que agrade Bolsonaro – que proponha e aceite projetos de mais gasto social – e que ao mesmo tempo pareça bom ao mercado financeiro.

“Bolsonaro não tem um nome melhor. O governo tem sido tomado por generais, até no ministério da Saúde, e Bolsonaro pode até pensar nisso. Mas não sei se funciona na Economia, seria uma novidade no Brasil. Eu não vejo nenhum economista de peso para ocupar o cargo do Guedes”, afirma Diniz. 

Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, é um economista querido por Bolsonaro, já que ele faz parte de uma ala pró-gasto.

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“Marinho está muito vinculado a imagem desenvolvimentista, ligado aos militares, isso é um problema para o mercado. Não sei dentro do setor empresarial qual seria a aceitação de Marinho como ministro da Economia. E a impressão que eu tenho é que Bolsonaro gostaria de um nome de maior peso”, analisa Diniz.

Embate: popularidade x corte de gastos

O especialista lembra que Guedes foi escolhido como ministro na campanha presidencial de 2018 por ser um ultra liberal, rompendo com a ideia intervencionista na economia pela qual os militares são conhecidos.

Naquela época, Guedes seria um “cartão de visitas” para empresários e para o mercado financeiro, que gostam de que o ministro da Economia seja um liberal. Isso porque a ideia de cortar gastos públicos no Brasil é importante para o mercado.

“Agora, o Guedes não tem mais utilidade para o Bolsonaro. Aquela grife que ele representava, para romper a resistência dos empresários, já não tem mais função”, diz Diniz. 

“Mas, com o auxílio emergencial, Bolsonaro entendeu que a política de austeridade (de corte de gastos sociais) não é boa para sua popularidade e para reeleição em 2022. E ele já está de olho nisso”, avalia.

O doutor em história econômica aponta que Guedes não entregou nada que prometeu e não consegue fechar a proposta do Renda Brasil, o novo Bolsa Família que Bolsonaro espera.

Nesta quarta (16), Bolsonaro conversou com senadores para abrir espaço no Orçamento e incluir sua proposta social nos gastos públicos, contornando Guedes. Mas, por conta do jogo político entre o presidente e o ministro, ele permanece no cargo, apesar do clima ruim.

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Economia

Candidatos de São Paulo pegam carona no auxílio e prometem benefício local

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Russomano e Fidelix
Reprodução YouTube dos candidatos

Celso Russomano e Levy Fidelix, candidatos à prefeitura de São Paulo, prometem criar um auxílio emergencial municipal

Depois da alta na  popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o auxílio emergencial,  candidatos à prefeitura de São Paulo colocam a renda mínima na lista de propostas. Entre eles, Celso Russomano (Republicanos) e Levy Fidelix (PRTB) já prometem criar um auxílio paulistano.

Em evento no sindicato de trabalhadores de aplicativos do Estado de São Paulo na terça-feira (29), Russomano afimou que planeja um auxílio emergencial municipal. “Estamos estudando um auxílio paulistano, que seria um complemento ao que o governo federal está fazendo”, disse o candidato.

Russomano também reivindicou parte da autoria do auxílio emergencial federal para si, afirmando que a ideia saiu de uma conversa que teve com Bolsonaro no início da pandemia. “Eu disse: ‘Presidente, nós corremos o risco grave de as pessoas começarem a buscar os estabelecimentos comerciais para buscar alimento, porque eles não têm alimento, eles não têm o que comer’. E dessa discussão saiu o auxílio emergencial”, afirmou o atual deputado federal.

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Já o candidato  Levy Fidelix, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, disse durante  live do iG  que pensa em um projeto de renda mínima paulistano. Ao ser perguntado sobre a assistência social por conta da crise da pandemia, Fidelix disse que criaria um banco paulistano em que colocaria os ativos do município, e que isso bancaria um auxílio local.

“É chegada a hora, sim, de colaborar e ajudar a população uma vez mais. Eu socorreria do meu tesouro, tendo este banco de investimentos internacional que quero constituir. Nós teremos recursos para um programa próprio para socorrer essa população que não tem emprego mínimo, não tem como produzir, e fazer um programa social padrão Bolsa Família – não teria esse nome, quem sabe ‘São Paulo Para Todos Nós’, vou até criar um nome agora aqui, onde daríamos apoio mínimo de sobrevivência às pessoas. Nós teríamos dinheiro sobrando no caixa”, afirmou o candidato que é apoiado pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB).

Popularidade de Bolsonaro

Em pesquisas, a  alta na popularidade do presidente Jair Bolsonaro  tem sido relacionada à criação do auxílio emergencial. Apesar de ter inicialmente proposto o auxílio em R$ 200, após pressão do Congresso a renda emergencial foi fechada no valor de R$ 600 pelo presidente. 

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No entanto, com a prorrogação até o mês dezembro em R$ 300, Bolsonaro mudou o tom, incentivando a população à volta ao trabalho e afirmando que o auxílio é “caro para quem paga”. 

O Ministério da Economia, de Paulo Guedes, tem tido atritos com o presidente. Por um lado, Bolsonaro entende que as medidas sociais como o auxílio emergencial e o Bolsa Família – que será chamado de  Renda Cidadã – dão popularidade ao governo, atendendo às demandas da população de baixa renda no momento de crise. Por outro, Guedes tenta conter os gastos na criação de programas sociais, propondo, por vezes,  medidas impopulares – como o congelamento de aposentadorias, vazado à imprensa por seu secretário, Waldery Rodrigues.

Alguns municípios brasileiros já têm auxílio municipal 

Como mostrou reportagem do iG no mês de julho, alguns  municípios pelo Brasil já criaram auxílios emergenciais municipais, usando orçamento local. É possível descobrir se sua cidade oferece a renda emergencial acessando os sites das prefeituras. Alguns exemplos de cidades com auxílio emergencial municipal são Vitória (ES), Altamira (PA) e Lorena (SP).

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