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Governador do Espírito Santo vê erro de Temer em negociação com Estados

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MARIANA CARNEIRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em meio a um ajuste fiscal que já leva dois anos, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB) diz que o governo federal errou no diagnóstico da crise financeira dos Estados ao acreditar que o problema principal era o endividamento excessivo. 

Hartung diz que o governo errou “feio” o alvo quando cedeu à negociação com os Estados mais endividados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 

“Está claro que não resolveu. Quando se vê uma carta assinada por metade dos Estados federados [insatisfeitos com o acordo firmado] é porque não resolveu. Precisamos de uma solução que resolva o problema agora, no mês que vem e no ano que vem”. 

O núcleo da questão, afirma Hartung, são as despesas com pessoal da ativa e com aposentados. Ele foi contra a proposta de renegociação. 

“Alguns Estados que estão com a situação muito ruim, se tirar previdência, fica superavitário”, disse. “Se um médico faz diagnóstico equivocado, prescreve o remédio errado. Há poucos dias, o diagnóstico do nosso problema era a dívida dos Estados com a União, chegavam a se dizer que era agiotagem. Eu disse que não era verdade, o problema são as despesas com ativos e inativos”. 

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O erro, afirma o governador, é resultado de uma decisão tomada durante o período de interinidade do governo de Michel Temer, seu colega de partido. 

“É uma decisão fruto da interinidade, que não foi boa. Tanto que um problema que parecia ter ido embora bateu na porta de novo”, afirmou, em passagem na noite desta segunda-feira (26) por São Paulo. “O momento de interinidade é delicado para qualquer um, Pedro, Manuel, Paulo, José… Qualquer um que estivesse num governo interino teria dificuldade em conduzir o país”. 

DÍVIDAS 

O Espírito Santo não está nem no grupo dos superendividados, como São Paulo e Rio, que ganham com a renegociação, nem dos Estados que pedem mais repasses, como os do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Mas está longe do que se pode chamar de conforto financeiro. 

Hartung foi eleito em 2014 para seu terceiro mandato, colocando fim à aliança que unia o PMDB, o PT e o PSB no Estado. Desde então, gasta parte de seu prestígio político em um ajuste fiscal que congelou os salários do funcionalismo (sem nem a correção da inflação), corte de comissionados e até de patrocínios. 

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A crise não dá trégua. Neste ano, as receitas caem 13%, disse ele, já descontada a inflação. 

Questionado sobre qual deve ser a ação do governo -voltar atrás na proposta de renegociação ou ajudar os Estados- afirmou que se trata de “pasta do dente fora do tubo”. 

“Agora é com base nessa realidade que temos que sentar e buscar o diagnóstico claro dos Estados, onde está o problema e construir uma solução sustentável”, disse.

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ES tem queda em registro de doadores de medula óssea

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Em uma das recorrentes idas ao Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo (Hemoes), a publicitária Flávia Bicalho se viu impedida de doar sangue por estar tomando uma determinada medicação. Ela já estava deixando o local quando foi abordada. “O segurança do Hemoes me viu indo embora e perguntou se não iria doar naquele dia. Contei para ele que não poderia e ele me sugeriu aproveitar que já estava lá e me cadastrar para doar medula. Fui me informar e me cadastrei.”

A simples ação de Flávia naquele dia salvou uma vida. “Um ano depois, me chamaram para fazer a doação. O procedimento foi muito tranquilo, não senti dor alguma. Fiz lá em Belo Horizonte. Fiquei apenas três dias no hospital. No dia em que tive alta, fui até passear pela cidade”, conta.

Depois da alegria de poder ajudar, a felicidade só aumentou. Flávia pôde ter notícias da receptora. “Quando soube que ela estava bem, fiquei super feliz”, conta. Mas foi preciso esperar um ano e meio para poder conhecer a paciente, que também queria conhecer a doadora. “Doei para a Luana de Oliveira em 2016, quando ela tinha 12 anos. Fui conhecer a família dela no Pará e ela também veio me visitar. Até comemoramos juntas aqui o aniversário de 15 anos dela”, recorda.

FOTO MONTAGEM FLÁVIA
Um final feliz para Luana, que havia sido diagnosticada com leucemia. Assim como ela, pacientes com produção anormal de células sanguíneas, geralmente causadas por algum tipo de câncer no sangue, precisam do transplante de medula óssea. O tratamento é indicado para cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias.

Compatibilidade

A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso encontrado no interior dos ossos. Nela são produzidos os componentes do sangue: as hemácias, as plaquetas e os leucócitos.

Mas conseguir uma medula compatível pode ser um desafio. A dificuldade começa com a chance de encontrar um doador compatível entre irmãos, filhos de mesmo pai e mesma mãe. A chance é estimada em 25%. Quando não há compatibilidade na família, a solução é recorrer ao banco de medula.

Já a chance de identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca é de até 88%. Ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador confirmado. As estatísticas são do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

ARTE COMPATIBILIDADE
O banco nacional de doadores é o terceiro maior do mundo. Já são mais de 5,5 milhões de pessoas cadastradas. O registro brasileiro foi o que mais cresceu na última década. Entretanto, no Espírito Santo, os registros de potenciais doadores vêm caindo. Em 2019, foram 11.512. Em 2020, 10.013. No ano seguinte, o número caiu para 5.721. Este ano, o estado cadastrou apenas 1.730 novos doadores de medula. Com o objetivo de incentivar o cadastramento e a doação, o Espírito Santo criou a campanha Agosto Vermelho.

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Atualmente, a busca por doadores para pacientes brasileiros é realizada simultaneamente no Brasil e no exterior. Os bancos internacionais também acessam os dados dos candidatos a doadores a partir de sistemas especializados.

ARTE REDOME
Cadastro de doador

De acordo com a Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa), o primeiro passo é procurar um dos locais de cadastramento de doadores de medula óssea no estado (veja lista ao final da matéria) portando um documento oficial com foto. Não há necessidade de agendamento prévio. O doador também não precisa estar em jejum e nem interromper medicação que porventura esteja tomando.

O candidato a doador deve ter de 18 a 34 anos, 11 meses e 29 dias; ter boa saúde e não apresentar doenças infecciosas, hematológicas, oncológicas ou doenças autoimunes.

Após o cadastro no Redome, o voluntário será encaminhado para a coleta de 5ml de sangue para realização de teste de compatibilidade genética, o HLA (Antígenos Leucocitários Humanos). O tipo de HLA será cadastrado no sistema.

A Sesa ressalta que é imprescindível atualizar o cadastro no site do Redome em caso de mudança de endereço, telefone ou e-mail para que – em caso de compatibilidade – o doador possa ser localizado para exames complementares e para realizar a doação propriamente dita.

O voluntário assinará um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, e receberá uma cópia, constando seu nome e o número do registro no Redome. Também será enviada automaticamente a Carteira Nacional de Doador de Medula Óssea no e-mail cadastrado pelo voluntário, em até 90 dias.