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Golpe Militar: pressão de Brizola radicalizou discurso de Jango

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Por | 28.03.2014

Então deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola foi um dos mais ardorosos defensores das reformas de base propostas pelo presidente João Goulart. Sua atuação, como governador do Rio Grande do Sul, na chamada “Campanha da Legalidade, que ajudou a garantir a posse de Jango, durante a crise da renúncia de Jânio Quadros, em 1961, deu a Brizola força política para pressionar o presidente (seu cunhado) pelas mudanças estruturais, principalmente na economia.

 

Durante os debates que antecederam o Golpe, Brizola era constantemente citado ora como incendiário e comunista, pelos representantes da UDN; ora como democrata e defensor da justiça social, pelos integrantes do PTB. Carismático e popular, era apontado como provável candidato do trabalhista à Presidência da República, nas eleições que deveriam ocorrer em 1965.

 

Foi um dos primeiros alvos da repressão política, tendo sido cassado pelo Ato Institucional nº1, na primeira leva de opositores. Conforme relato do senador Pedro Simon (PMDB-RS), Brizola acreditava ser possível resistir ao golpe de Estado, fiando-se no apoio das forças militares sediadas no Rio Grande do Sul. Ainda segundo Simon, o então deputado Brizola teve sua residência metralhada pelos militares golpistas no dia 2 de abril de 1964.

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Leonel de Moura Brizola seguiu para o exílio no Uruguai, onde tentou organizar a resistência armada à Ditadura. Foi também para os Estados Unidos e Lisboa, de onde retornou ao Brasil 15 anos depois. Com a abertura, teve uma última derrota imposta pelos militares, ao ver negado o domínio do PTB – a legenda foi entregue a Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio. Brizola, então, organizou o Partido Democrático Trabalhista (PDT), pelo qual foi eleito duas vezes governador do Rio de Janeiro e pelo qual tentou por duas vezes – sem sucesso – chegar ao Planalto. Morreu em 21 de janeiro de 2004, aos 82 anos.

Agência Senado

 

 

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Pessoas com deficiência visual querem maior uso do sistema braile no Brasil

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Por | 04.01.2012

Criado pelo francês Louis Braille, nascido em 4 de janeiro de 1809 e que perdeu a visão aos 3 anos, o sistema permite a pessoas com cegueira total ou parcial ler por meio do tato. Com seis pontos em relevo dispostos em duas colunas e três linhas, o sistema proporciona 63 combinações diferentes que representam as letras do alfabeto, os números, símbolos científicos, da música, fonética e informática. Com apenas um toque, o cego percebe os pontos em relevo ao passar os dedos da esquerda para a direita. O sistema braile chegou ao Brasil em 1850. A partir da década de 1940,  passou a ser usado em livros.

Apesar de já existir cardápios em restaurantes e embalagens de cosméticos e de remédios em braile, cegos ou pessoas com baixa visão ainda reclamam da dificuldade de encontrar informações adaptadas. ?Os mercados não informam nada em braile sobre promoções [de mercadorias]. Não tem nada?, disse a vice-presidente da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV), Adriana Candeias, que é cega.

?A gente não tem condições de saber o que está comprando, a validade. Algumas empresas já estão implantando, mas ainda falta muito?, acrescentou o diretor administrativo da associação, Paulo Luz, que também tem deficiência visual.

A vice-presidente reforçou que o braile garante independência aos cegos. ?A partir do momento em que é oferecido algo em braile, a pessoa com deficiência visual passa a ser independente. Ela sabe que pode ir ao estabelecimento sozinho e vai ter total acesso?, destacou Adriana Candeias.

Os representantes da associação também alertaram para a demora de livros didáticos novos serem transformados para o braile. ?Lançam um livro hoje, mas quando o cego vai ter acesso à obra, ela já está ultrapassada?, argumentou Paulo Luz.

As editoras não são obrigadas a publicar em braile todas as obras lançadas. Quando recebe pedidos, o setor, geralmente, recorre a empresas especializadas e instituições não governamentais para fazer a conversão, segundo a coordenadora de Revisão Braile da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Regina Fátima de Oliveira

Os livros falados têm sido usados para conseguir textos atualizados com rapidez. Desde 2009, o Ministério da Educação disponibiliza, de graça, um software que converte qualquer texto de computador em sonoro, com narração em português.

Apesar dos benefícios da tecnologia, a coordenadora defende que o livro em braie é  primordial nos primeiros anos escolares das crianças cegas. ?Para que possa ter domínio da ortografia ou da simbologia da matemática, a criança precisa do livro físico, assim como é com as crianças que enxergam. A gente só lê quando toca?, explicou.

O crescimento da utilização do audiolivro pode estar relacionado ao custo mais baixo em comparação ao de braille. Cada página de um texto comum equivale a até quatro páginas em braile, conforme a especialista.  

No Brasil, existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão, segundo dados da fundação com base no Censo 2010, feito  pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

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