Saúde

Fiocruz: acordo vai combater transmissão congênita da doença de Chagas

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Um convênio assinado hoje (14) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a agência internacional Central Internacional para a Compra de Medicamentos contra a AIDS, Malária e Tuberculose (Unitaid, sigla em inglês) vai buscar a eliminação da transmissão congênita (da gestante para o bebê) da doença de Chagas no Brasil, na Colômbia, na Bolívia e no Paraguai. O anúncio foi feito no Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado hoje porque foi em 14 de abril de 1909 que a primeira paciente com a doença foi diagnosticada pelo pesquisador Carlos Chagas. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, existem 1,12 milhão de mulheres em idade fértil infectadas pelo protozoário causador da doença na América Latina, onde são esperados anualmente entre 8 mil e 15 mil bebês nascidos com a doença.

Por meio do convênio, o Consórcio Chagas, as entidades vão investir em conscientização sobre a doença de Chagas, para ampliar e melhorar o acesso ao diagnóstico, tratamento e atenção integral. Chamado de Projeto Cuida Chagas (Comunidades Unidas para Inovação, Desenvolvimento e Atenção para a doença de Chagas), a iniciativa será liderada pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

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A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, celebrou a parceria e lembrou que o combate à doença de Chagas faz parte da história da fundação, já que Carlos Chagas integrava o corpo de cientistas da instituição. “Neste ano, em meio aos efeitos tão dramáticos da pandemia de covid-19, conseguimos, num esforço institucional e de muitos parceiros, não só estar celebrando esse dia, mas estar construindo e dando início ao projeto, rumo à eliminação congênita da doença de chagas na América Latina”.

Segundo a Fiocruz, o problema da transmissão congênita da doença é agravado por fatores como a escassez de ferramentas diagnósticas e opções de tratamento, a baixa adesão ao tratamento, a falta de conhecimento e compreensão entre profissionais de saúde e pessoas em risco, as vulnerabilidades socioeconômicas de áreas endêmicas e a baixa mobilização social. A transmissão congênita da doença é considerada uma das principais vias de infecção, e vem ganhando mais peso proporcional entre os novos casos devido ao sucesso de medidas de controle de outras formas de transmissão.

A estratégia considerada mais econômica para reduzir essa forma de transmissão é tratar as mulheres em idade fértil antes da gravidez. Por isso, o Cuida Chagas prevê que cerca de 234 mil mulheres em idade fértil, seus bebês, crianças e contatos domiciliares serão testados em 34 municípios dos quatro países participantes. Integrarão a iniciativa 13 cidades colombianas, 10 bolivianas, seis brasileiras e cinco paraguaias. 

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O Ministério da Saúde do Brasil é cofinanciador do projeto, que conta também com instituições dos quatro países do consórcio e apoio técnico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, cujo vetor de transmissão é o inseto conhecido como barbeiro. A enfermidade é considerada endêmica em 21 países do continente americano e tem uma incidência de cerca de 30 mil novos casos por ano. O número de mortes causada pela doença de Chagas todos os anos chega a 14 mil, e cerca de 65 milhões de pessoas vivem em áreas em que há risco de contraí-la.

Edição: Aline Leal

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Fiocruz: pandemia de covid-19 faz vítimas cada vez mais jovens

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A pandemia de covid-19 no Brasil está se espalhando cada vez mais pelas camadas jovens da população.

A constatação faz parte do Boletim do Observatório Covid-19, editado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta sexta-feira (7). Os dados apresentados nesta edição confirmam o processo de rejuvenescimento da pandemia, com uma clara mudança demográfica: adultos jovens e de meia-idade representam uma parcela cada vez maior dos pacientes em enfermarias e unidades de terapia intensiva.

Referente às semanas epidemiológicas 16 e 17 de 2021, entre 18 de abril e 1º de maio, a análise destaca as oscilações dos indicadores nos estados, a alta proporção de testes com resultados positivos, bem como a manutenção da sobrecarga de todo o sistema de saúde. Esses indícios revelam que a pandemia se mantém em patamar crítico de transmissão, com valores altos de incidência e mortalidade.

“A ligeira redução de casos e óbitos por covid-19 não significa que o país tenha saído de uma situação crítica, pois as médias diárias de 59 mil casos e de 2,5 mil óbitos nestas duas semanas epidemiológicas se encontram em patamares muito elevados. Somente com a redução sustentada por algumas semanas, associada à aceleração da campanha de vacinação e à intensificação de ações de distanciamento físico e social, combinadas com proteção social, será possível alcançar a queda sustentada da transmissão e a redução da demanda pelos serviços de saúde”, alertaram os pesquisadores do Observatório, responsáveis pelo boletim.

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Rejuvenescimento

O processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil é confirmado por meio dos novos dados apresentados no Boletim. A semana epidemiológica 16 apresenta idade média dos casos internados de 57 anos, versus idade média de 63 anos na semana epidemiológica 1. Para óbito, os valores médios foram 71 anos, na semana epidemiológica 1 e 64 anos nesta última. Segundo a Fiocruz, há deslocamento da curva em direção a faixas etárias mais jovens.

Quanto ao número de leitos, após muitas semanas em situação muito crítica, as taxas de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) covid-19 no país começam a dar sinais de melhora, embora ainda longe de indicar um quadro tranquilo. Entre 26 de abril e 3 de maio, as taxas de ocupação de leitos de UTI covid-19 para adultos mantiveram a tendência lenta de queda em quase todo o país.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Saúde

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