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Faculdade de medicina da Universidade de Buenos Aires publica carta aberta em alerta à Covid-19

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No início de setembro, a faculdade de medicina da Universidade Federal de Buenos Aires (UBA), em conjunto com a comunidade médica e científica, alertou a sociedade argentina, em carta aberta, advertindo que este ainda é um momento difícil para o enfrentamento da pandemia de SARS-CoV2. A UBA afirmou que se “não forem implementadas medidas adicionais a situação continuará a agravar-se dia a dia” e que “o distanciamento social continua representando a medida fundamental na luta contra a Covid-19”.

O comunicado acrescentou ainda que os profissionais de saúde observam “com grande preocupação uma flexibilização no cumprimento das regras de distanciamento que não respeita limites geográficos ou distritos políticos”. Neste sentido, a casa de estudos fez um apelo enérgico aos governos e cidadãos que dizia: “estamos falando de milhares e milhares de mortes que podem ser evitadas”.

O professor da UBA, Edgardo Knopoff, disse em entrevista à agência de notícias Télam que “a estratégia adotada até agora foi boa porque os leitos dobraram e a mortalidade é baixa”, embora “não tenhamos dobrado o número de médicos”.

Knopoff alertou ainda que colegas médicos estão doentes, com estresse e exaustão, por isso ainda não é o momento de flexibilizar as atividades. Ele disse que “as necessidades econômicas são compreendidas, no que diz respeito à abertura de fábricas, mas não de um café na rua”.

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No depoimento da faculdade de medicina da UBA, os profissionais destacaram que “os dispositivos de busca de pessoas infectadas com e sem sintomas (mas ainda contagiosas) e contatos próximos devem ser colocados em funcionamento o mais rapidamente possível”. Para isso é necessário ampliar drasticamente a capacidade de diagnóstico.

Embora a mortalidade na Argentina seja menor do que em muitos países, o número de infectados e mortos continua a aumentar. Os profissionais de medicina estão fazendo um esforço extraordinário, colocando em risco suas vidas e de seus familiares. Portanto, é fundamental reconhecer este trabalho e fortalecer urgentemente o sistema de saúde do país, incorporando pessoal e equipamentos adequados. “Pedimos à sociedade e aos governos que nos ajudem e que cuidem de nós ”, frisou a carta.

Os profissionais da UBA declaram que estão muito preocupados com o aumento da circulação de pessoas na comunidade argentina, a falta ou uso indevido de máscaras de proteção, o desrespeito pelas medidas de distanciamento, as reuniões sociais desnecessárias e sem cuidados, porque isso leva diretamente ao aumento de infecções e mortes. “É necessário aumentar a consciência sobre o risco, como indivíduos e como sociedade ”, concluíram.

Neste mês, a Sociedade Argentina de Terapia Intensiva (SATI) também divulgou um comunicado à sociedade para alertar que “os recursos para salvar os pacientes com coronavírus estão se esgotando” e apelou à todos os argentinos para “refletir” por quê ” o vírus está nos vencendo. ”

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“Médicos, enfermeiras, fisioterapeutas e outros membros da comunidade de terapia intensiva sentem que estamos perdendo a batalha. Sentimos que os recursos para salvar pacientes com coronavírus estão se esgotando”, afirmou o comunicado.

Ao mesmo tempo, a SATI ressaltou que “a maioria das Unidades de Terapia Intensiva do país está com um índice de ocupação muito elevado. Os recursos físicos e tecnológicos como camas com respiradores e monitores são cada vez mais escassos. A questão principal, porém” é a falta de trabalhadores de terapia intensiva, que, ao contrário de camas e respiradores, não podem se multiplicar. ”

O governo argentino de Alberto Fernández mantém as medidas de isolamento social no País até o dia 20 de setembro. Levando em consideração que o confinamento teve início no dia 20 de março, com um regime bem mais restritivo do que o atual, até o final desta fase terão se passado 183 dias (exatamente seis meses) desde o início da sua implantação. Embora sem confirmação oficial, para esta nova instância estão previstas reaberturas, apesar dos números recordes de contágios que preocupam as autoridades de saúde.

Segundo o mapa desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins, que mostra o avanço do coronavírus em tempo real, a Argentina tem hoje 577.338 casos de Covid-19, que resultaram em 11.910 óbitos.

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Economia

Decreto de Bolsonaro e Guedes abre caminho para privatização do SUS; entenda

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Brasil Econômico

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Marcello Casal/Agência Brasil

Decreto assinado por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes inclui unidas básicas de saúde do SUS em plano de privatizações do governo

O governo federal publicou no Diário Oficial da União nesta terça-feira (27) um decreto, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que autoriza a equipe econômica a preparar um modelo de privatizações para unidades básicas do Sistema Único de Saúde (SUS).

O decreto inclui a ‘porta de entrada’ do SUS , as unidades básicas de saúde, na mira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República, um programa de concessões e privatizações do governo.

Na prática, o decreto que abre caminho para a privatização do SUS prevê estudos “de parcerias com a iniciativa privada para a construção, a modernização e a operação de unidades básicas de saúde”. De acordo com o programa de concessões e privatizações do governo, o objetivo central é “encontrar soluções para a quantidade significativa de unidades básicas de saúde inconclusas ou que não estão em operação no país”.

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Hoje, o Brasil tem 44 mil unidades básicas de saúde , e não há uma estimativa de quantas nem quais podem ser incluídas no plano de concessões.

Após a publicação do decreto, o Conselho Nacional de Saúde criticou a decisão do governo e, por meio de nota, chamou a medida de arbitrária e disse que ela tem como objetivo privatizar as unidades básicas de saúde brasileiras e, diretamente, enfraquecer o SUS.

“Nós, do Conselho Nacional de Saúde, não aceitaremos a arbitrariedade do presidente da República, que no dia 26 editou um decreto publicado no dia 27, com a intenção de privatizar as unidades básicas de saúde em todo o Brasil. Nossa Câmara Técnica de Atenção Básica vai fazer uma avaliação mais aprofundada e tomar as medidas cabíveis em um momento em que precisamos fortalecer o SUS, que tem salvado vidas. Estamos nos posicionando perante toda a sociedade brasileira como sempre nos posicionamos contra qualquer tipo de privatização, de retirada de direitos e de fragilização do SUS. Continuaremos defendendo a vida, defendendo o SUS, defendendo a democracia”, diz a nota assinada pelo presidente do CNS, Fernando Pigatto.

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