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“Ele aproveitou conversa para passar recado ao STF”, diz Kajuru sobre Bolsonaro

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Kajuru deve deixar o Cidadania e se filiar ao Podemos
Edilson Rodrigues/Agência Senado

Kajuru deve deixar o Cidadania e se filiar ao Podemos

Responsável por gravar e divulgar uma conversa telefônica com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que desencadeou nova crise institucional no governo, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) afirmou que deixou claro que o conteúdo seria divulgado. Segundo Kajuru, Bolsonaro “aproveitou a conversa para passar recado para o Supremo Tribunal Federal (STF)” e pedir o impeachment de ministros da Corte.

“Ele aproveitou o momento. É evidente. Deixei claro para ele que iria colocar o nosso papo no ar. Ele disse que não tinha nada para esconder. Ele queria que divulgasse. Ele só mudou de opinião porque alguém chegou nele e disse que tinha que sair dessa”, afirmou Kajuru em entrevista ao jornal O Globo .

Confira os principais trechos da entrevista:

Por que o senhor gravou o presidente?

No dia 1º de fevereiro, na eleição do Pacheco, eu subi na tribuna e falei que, pelo que convivi até agora no Senado nesses dois anos, tomei uma decisão, senhores e senhoras: toda conversa que eu tiver com político agora, vou gravar. Ou no meu telefone ou nessa caneta aqui que ganhei de presente. Estão avisados?

E o senhor gravou os seus colegas?

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Gravo conversa com todo mundo da política. O político me liga….Sabe por quê? Porque eu aprendi nos dois anos que eles falam uma coisa para você no telefone e, depois, vão na tribuna e apresentam um discurso diferente. Então, eu aprendi. Comigo, não. Não vou cair nessa, não. Comigo, se o cara for amanhã na tribuna e falar uma coisa diferente do que ele falou pra mim, vou mostrar a gravação. Porque eu avise. Ninguém me respondeu na tribuna. Ou seja, todo mundo ouviu calado que eu iria fazer isso.

Você viu?

Então, o senhor grava todas as conversas com os senadores?

Todas. E o presidente da República sabia disso.

Quem o senhor já gravou?

Todos que conversaram comigo, desde os bons aos ruins. O Pacheco já falou comigo. Conversa muito boa e tranquila. Foi quando pedi para ele me receber e receber o pedido de impeachment. Ele foi muito gentil. Gravei, porque poderia falar uma coisa diferentes depois.

Além do Pacheco, quem mais o senhor gravou?

Muitos. Um senador que é meu amigo, que brinca comigo, é o Álvaro Dias e sabe disso. Eliziane Gama. O Alessandro. Todos sabem. Depois que avisei que gravaria, diminuíram as ligações para mim, falei em fevereiro. Nos dois primeiros anos, eu recebia até 25 ligações de senadores por dia. Agora, recebo cinco por dia.

O presidente sabia disso?

É claro que ele sabia. Ele falou tudo aquilo sabendo que eu estava gravando. É evidente. Tanto é que ele quis aproveitar aquela conversa para fazer os desabafos dele. Ele aproveitou aquele momento. Foi uma conversa republicana, mas uma conversa que parecia para ele ser importantíssima. Tipo assim: estou conversando com um doido que vai vazar essa conversa. Ele aproveitou a conversa para passar recado para o STF, para pedir impeachment de ministro. Com certeza, ele fez isso. Ele aproveitou o momento. É evidente. Deixei claro para ele que iria colocar o nosso papo no ar. Ele disse que não tinha nada para esconder. Ele queria que divulgasse. Ele só mudou de opinião porque alguém chegou nele e disse que tinha que sair dessa.

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Bolsonaro vai “contar sempre com o Centrão”, diz senador Fernando Bezerra

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Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE)
Reprodução

Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE)

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) disse em entrevista ao programa Roda Viva nesta segunda-feira (10) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sempre vai poder contar com o Centrão . O bloco é mais conhecido por se posicionar mais de acordo com o oferecimento de cargos no governo do que com afinidades políticas.

“[Bolsonaro] vai contar sempre com o Centrão. A política é isso, é a arte do diálogo”, disse Fernando Bezerra. “O Kassab está fazendo um jogo interessante, que é fortalecer a legenda. Os partidos devem continuar com o Bolsonaro”, completou.

Bolsonaro se aproximou do Centrão ao apoiar a candidatura de Arthur Lira (Progressistas-AL) para a presidência da Câmara e nos últimos meses passou a entregar cargos ao bloco para conseguir fazer avançar suas agendas no Congresso.

Tal prática era uma das principais bandeiras de Bolsonaro em sua campanha à presidência em 2018, quando ele dizia que não “toma lá, da cá” no governo.

Questionado sobre o cenário para as eleições de 2022, o líder do governo no Senado disse que a polarização vai favorecer a reeleição de Bolsonaro. “Essas eleições de 2022, se continuarem no cenário que estamos vendo, dessa polarização entre o ex-presidente Lula e o presidente Bolsonaro, vai facilitar a reeleição do presidente Bolsonaro”, afirmou Fernando Bezerra.

O parlamentar fez comparação com o que ocorreu nas eleições de 2020 em Pernambuco, onde João Campos foi eleito pelo PSB, vencendo a deputada federal Marília Arraes (PT).

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