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Eduardo Galeano: A pedra azul

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Por | 29.01.2012

 

Cidade de Goiânia, setembro de 1987: dois catadores de papel encontram um tubo de metal jogado em um terreno baldio. O rompem a marteladas, descobrem uma pedra de luz azul. A pedra mágica transpira luz, deixa o ar azulado e dá fulgor a tudo que toca.

Por Eduardo Galeano, em seu blog


Os catadores dividem esta pedra azul. Presenteiam os vizinhos com os pedacinhos. Quem esfrega a pele, brilha à noite. Todo o bairro é uma lâmpada. O bairro pobre, subitamente rico de luz, está em festa.

No dia seguinte, os catadores vomitam. Comeram manga com coco. Será por isso? Mas todo o bairro vomita, e todos ficam inchados e ardem. A luz azul queima e devora e mata; e se dissemina levada pelo vento, a chuva, as moscas e os pássaros.

Foi uma das maiores catástrofes nucleares da história. Muitos morreram e muitos mais ficaram para sempre fodidos. Naquele bairro do subúrbio de Gioânia ninguém sabia o que significava a palavra radioatividade, e ninguém jamais havia ouvido falar do Césio-137. Chernobyl ressoa cada dia nas orelhas do mundo. De Goiânia, nunca mais se soube. Em 1992 Cuba recebeu crianças doentes de Goiânia e deu a elas tratamento médico gratuito. Tampouco este fato teve a menor repercussão, apesar de as fábricas universais de opinião pública sempre estarem, como se sabe, muito preocupada com Cuba.

Um mês depois da tragédia, o chefe da polícia federal em Goiás, declarou:

– A situação é absurda. Não existe nenhum responsável pelo controle da radioatividade que se usa com fins medicinais.

Tradução: Da Redação do Vermelho,
Vanessa Silva

 

 

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Eterna Aprendiz – Por Flávia Cysne*

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Que a vida é uma escola não é novidade né? E eu tenho constatado esse fato todos os dias. Especialmente em relação às mulheres, que têm a capacidade impressionante de se reinventar.

A constatação é realmente diária. Muitas histórias são parecidas com a minha, outras diferentes, mas todas se entrelaçam na resiliência e capacidade de seguir em frente, superando muitos desafios, sempre aliados à criação dos filhos, ao trabalho em casa e fora dela e à gestão da família, nem sempre com o apoio do companheiro, o que felizmente não é o meu caso.

Tenho convivido nos últimos meses com muitas mulheres que sempre foram empreendedoras, mas que não enxergavam o valor de sua atividade, o que felizmente mudou a partir do trabalho do conscientização e apoio como o realizado pela Aderes junto a mulheres de todo o Estado.

Numa das agendas que cumpri como representante do escritório regional sul do órgão ouvi algumas histórias que mostram a importância do nosso trabalho. Uma produtora rural contou que sempre trabalhou na roça ao lado do marido. Mas que o retorno financeiro do seu trabalho não passava pela sua mão. Era da família,  o que era enxergado até com certa naturalidade, já que com sua mãe era exatamente igual.

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Ela falava da importância de encontros como o que estávamos promovendo porque foi participando de um deles que descobriu que poderia ter sua própria renda fazendo as geleias, bolos e outras delícias que eram tradição de família e agradavam a todos. A mulher me contou, feliz, que o trabalho continua intenso e que agora, como dona de uma agroindústria com produtos bastante requisitados no mercado.

A diferença é que tem dinheiro no fim do mês e já comprou muitas coisas para si e sua casa que eram sonhos da vida toda. Por que estou contando isso? Porque é gratificante perceber que o nosso trabalho é muito importante para valorizar o  de tantas outras mulheres que, como eu (que tenho uma produção de flores) estão sempre em atividade.

Trabalhando pelo bem-estar da família, mas também para alcançar sonhos e projetos pessoais nem sempre valorizados.

Neste trabalho é fundamental fortalecer e valorizar outras mulheres naquilo que fazem com excelência. Mas que nem sempre veem como uma atividade empreendedora e sustentável.  Estou realmente muito feliz porque aqui ninguém solta a mão de ninguém. Juntas somos mais fortes.

  • Flávia Cysne é ex-prefeita de Mimoso do Sul e atualmente gerente da Aderes no Sul do Espírito Santo
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