Análise Política

Derrota de Norma Ayub em Marataízes pode tirar Ferraço definitivamente da política capixaba

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Baluarte da política capixaba por décadas, o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) percebe que o espaço para sua família está afunilando, por isso movimenta-se agora para ganhar fôlego em 2022.

O lançamento da deputada federal Norma Ayub pré-candidata em Marataízes é mais que mero interesse pelo poder municipal, trata-se de uma estratégia de sobrevivência dos Ferraços. Uma vitória facilita um arranjo futuro. Já uma eventual derrota colocará o velho político de quase 83 anos em uma encruzilhada que pode encerrar sua participação na política.

A deputada, que está na metade mandato, poderia esperar, apoiando um nome para a prefeitura ou mesmo ficando neutra, em um grande acordo para que o próximo prefeito, seja ele que fosse, ajudasse na sua reeleição. Mas não há tempo.

A inexorabilidade do tempo coloca Theodorico em fim de carreira, para, no máximo, mais um mandato de deputado estadual. A missão dele, portanto, passa ser acomodar sua mulher e seu filho Ricardo Ferraço (PSDB) no poder.

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Os Ferraços sabem que dificilmente Ricardo volta a ser senador. Abre-se uma vaga em 2022 no Senado e é praticamente certo que essa vaga não é dele. Há outros na fila em melhor colocação para disputar. Sobra para ele a Câmara Federal. Mas como Ricardo disputaria a vaga de deputado se Norma Ayub tentar a reeleição?

Logo, a necessidade de espaços explica a entrada de Norma na disputa municipal. Com ela eleita, o caminho fica livre para Ricardo disputar a Câmara, e Theodorico tentar a reeleição na Assembleia.

Num cenário pior, a derrota de Norma em Marataízes forçará Theodorico abrir mão da reeleição para acomodar sua mulher em uma vaga na Assembleia, já que ela tem mais longevidade política que ele. E assim Ricardo disputaria a Câmara Federal.

Como se vê, é muito mais que apenas disputar uma prefeitura. É questão de sobrevivência política mesmo!

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Após a publicação de matéria neste site mostrando que a administração Tininho Batista em Marataízes investe R$ 154 milhões em obras, uma raposa política comentou:

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“Ferraço gosta tanto de obra e é tanta obra em Marataízes, que se Norma não fosse candidata até ele iria votar em Tininho”.

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 “Sem nada, / Nem no peito qualquer mágoa / Sem rancor e sem saudade / Venho agora te dizer adeus / Quem sabe / Não encontro pela madrugada / Uma esperança vaga / Nos olhos de alguém / Que também despertou / De um sonho igual ao meu” – Quem Sabe (Paulinho da Viola)

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Análise Política

Guerino sobe o tom, mas erra a letra da música

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Quem não gosta do debate público é quem não gosta da democracia. E os processos eleitorais ajudam a consolidá-la e fortalecê-la.

Nesse sentido, a participação do ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PSD), nas eleições desse ano ao governo do Estado deve ser bem vista pelo eleitor por se tratar de alguém com vasta experiência de vida pública e que vai ajudar a enriquecer o debate.

Os demais postulantes, claro, também enriquecem, mas especificamente sobre Guerino pesam 5 mandatos de prefeito em uma importante cidade, além de deputado estadual duas vezes. Dos que estão aí, à exceção do governador Renato Casagrande (PSB), é quem chega com maior bagagem.

E chegou chegando. Nessa semana, sua equipe de marqueting lançou no mercado o primeiro material de apresentação onde o pré-candidato ao Palácio Anchieta tece críticas ao modelo de gestão atual, oferecendo-se como uma alternativa à reeleição de Casagrande.

Sob o título, “O Espírito Santo merece muito mais. Hoje temos um Governo fraco e com equipe ruim”, Guerino, em síntese, diz que quer fazer pelo estado o que fez por Linhares, apresentando números positivos. E se o eleitor quiser saber sobre o que ele não fez por Linhares que procure assistir os debates que vêm por aí.

Chama atenção nessa entrevista a insistência do pré-candidato a uma crítica específica: os convênios que têm sido feitos pelo governo do Estado junto às prefeituras, o que significa nada mais que garantir recursos para investir em obras e em serviços para o povo. Sobre isso, Guerino fala duas vezes, mostrado que trata-se de um movimento governamental que o incomoda.

Outro ponto onde a crítica vem acentuada é na saúde, que é quando Guerino também fala do que fez no período da pandemia, como se as ações em Linhares tivessem sido desassociadas das ações do governo do Estado.

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Sobre esses dois tópicos, especificamente, Guerino subiu o tom, mas errou a letra da música.

Primeiro que criticar um governo porque ele está investindo muito nas cidades é erro crasso. Ofende a Inteligência do cidadão que quer o investimento, independentemente do tempo em que ele está acontecendo.

O pré-candidato tenta passar a imagem de que o governo guardou o dinheiro para usá-lo agora, perto das eleições. Não é verdade.

Até o ano passado o Brasil e o mundo estavam atarefados em cuidar da maior crise de saúde de todos os tempos, portanto não havia clima nem dinheiro para sair por aí fazendo todo tipo de convênio. A incerteza era mundial diante do dia seguinte. Nos últimos dois anos a prioridade não era nenhum outro tipo de investimento que não fosse o de salvar vidas. E isso foi feito com louvor no Espírito Santo.

Na verdade, esses investimentos só são possíveis agora exatamente porque nos dois anos anteriores o Espírito Santo fez, e fez muito bem, seu dever de casa durante a pandemia, tanto cuidando da vida dos capixabas quanto garantindo que nossa economia não saísse destruída no pós-pandemia.

Se Linhares foi bem sucedida durante a pandemia parabéns ao Guerino, mas agradeça principalmente ao governo do Estado que garantiu leitos em toda rede hospitalar, dando suporte aos municípios para que se preocupassem apenas com outras ações em favor dos cidadãos. A saúde estava sendo bem cuidada, permitindo que prefeitos trabalhassem em outras frentes, como a econômica, por exemplo.

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Guerino pode perguntar ao seu amigo Paulo Hartung o que ele fez quando assumiu o Espírito Santo falido pós Zé Ignácio. Paulo parou e  gastou energia nos três primeiro anos apenas para organizar, sendo que no quarto ano, exatamente no ano eleitoral, abriu a mão, investindo maciçamente nos municípios.

Podia ter feito antes? Fez naquele momento exatamente porque antecedia uma eleição? A resposta só tem quem está governando e enfrentando os desafios do momento. Hartung teve os dele e investiu quando achou que era seguro fazê-lo. Não tenho dúvida que Casagrande o faz porque esse é o tempo certo. É o tempo da segurança, com vidas salvas e dinheiro em caixa.

Guerino pode contribuir com o debate, e muito. Mas, como diria seu colega Roberto Valadão (MDB) é preciso jogar na bola. Subir o tom é necessário diante de um governador que vai a passos largos para mais um mandato, porém é preciso não errar a música como começou errando nesse seu primeiro material.

Um outro amigo de Guerino, Camilo Cola, dizia que toda cantiga tem seu lêrê. Então, muita calma nessa hora de botar o bloco na rua para não errar o lêrê da cantiga. Dependendo da crítica, pode ser um tiro no pé.

E criticar investimentos nas cidades, bem como o desempenho do Espírito Santo durante a pandemia, será, sem dúvidas um grande tiro errado.

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“Mais do que cantar para o mundo inteiro / Eu quero cantar primeiro / Só para o seu coração” – Só para o seu coração (Sérgio Sampaio)         

 

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