Histórias e Letras

Danuza às margens do Itapemirim

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“Não bastassem todas as metamorfoses já vividas, Danuza será sempre a irmã da cantora Nara Leão, a eterna musa da Bossa Nova. Foi casada com Samuel Wainer, Antônio Maria e Renato Machado, três personalidades marcantes da mídia brasileira em diferentes épo

Por | 29.01.2012

 

Por Luiz Trevisan*

 

 

 

Não bastassem todas as metamorfoses já vividas, Danuza será sempre a irmã da cantora Nara Leão, a eterna musa da Bossa Nova. Foi casada com Samuel Wainer, Antônio Maria e Renato Machado, três personalidades marcantes da mídia brasileira em diferentes épocas.

 

Criou filhos, viajou pelo mundo, conviveu com gente das artes e da política, nas últimas cinco décadas. De Vinícius de Morais, Tom Jobim a Di Cavalcanti , de Mao a Juscelino e FHC. Costumava estar quase sempre na hora e lugar certos, trocava o dia pela noite, mudava de amores e humores, sem nunca perder a alegria de viver.

 

Naturalmente, o livro traduz o amor de Danuza por cidades como Rio, Paris e Roma, e traz ainda evocações de sua infância no interior do Espírito Santo. O texto leve e envolvente da autora conduz o leitor a diferentes momentos e movimentos da cultura nacional, como a inauguração de Brasília, o cinema novo, os festivais de música, a resistência à ditadura militar, os bastidores das redações dos jornais e dos primeiros programas da televisão brasileira.

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É marcante o seu depoimentos sobre o período em que foi jurada do programa Flávio Cavalcanti, um dos sucessos da TV em fins da década de 60. Ela conta que um dia inventaram uma brincadeira onde cada jurado mandava um adeusinho para alguém.

 

?O meu  adeus foi para uns amigos que tinham ido passar uma temporada em Realengo. Sutilmente, eu estava falando da turma do jornal O Pasquim que estava quase toda presa no quartel do bairro. Quando entraram os comerciais, o Sérgio Bittencourt, compositor e amigo dos militares, disse que tinha entendido o que eu havia dito e ameaçou me denunciar. Morri de medo, mas ele não cumpriu a ameaça?, revela.

 

Este livro sucede as duas versões de ?Na Sala com Danuza?, um compêndio de normas e etiquetas que virou citação obrigatória nas colunas sociais, além de se tornar o livro de cabeceira de novos e velhos ricos, remediados, anônimos e famosos. Danuza se transforma sempre e cativa. 

 

 

 

Ela e o Espírito Santo

 

 

 

?Nasci em Itaguaçu, uma pequena cidade do Espírito Santo que demorou a aparecer no mapa. Meu pai, Jairo, e minha mãe viajaram de trem para lá no dia em que se casaram, em Cachoeiro de Itapemirim. Em Itaguaçu, que só tinha uma rua, meu pai começou sua carreira de advogado…

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Mudamos para Vitória quando eu tinha quatro meses. Desde garota eu adorava o mar, morávamos na Praia do Canto, e minha distração predileta  era arrancar mexilhões e ostras das pedras para comer na hora. Em nossa casa, tudo se comia com pimenta, até ovo frito, mas pimenta fresca, do quintal…

 

A casa de minha avó materna, em Cachoeiro, era um sobrado. Na parte da frente dava para a praça (Jerônimo Monteiro), havia uma sala com sofá, poltronas e piano. Os quartos, nos fundos, davam para o rio. Ah, o rio. Não era  grande o suficiente para que nele transitassem barcos, também não era um riacho, devia ter uns 50 metros de largura, água suja, barrenta. Claro: era a lata de lixo da cidade…

 

Às vezes, uma enchente inundava tudo, e era uma sensação passear de bote pelas ruas. Mas meu sonho mesmo era tomar um banho naquele rio, coisa que nunca aconteceu. Uma das minhas grandes frustrações?.

 

*Luiz Trevisan é jornalista, compositor e cachoeirense. Atualmente é responsável pela Coluna Plenário, do jornal A Tribuna

 

 

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Histórias e Letras

Cachoeiro lança novo edital da Lei Rubem Braga

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Por | 23.05.2014


Começam no dia 30 deste mês as inscrições para a edição 2014 da Lei Rubem Braga, em Cachoeiro de Itapemirim. Moradores do município que queiram concorrer ao patrocínio da prefeitura para realizar projetos culturais devem se cadastrar até o dia 11 de julho, na sede da Secretaria Municipal de Cultura, no Centro.

 

Por meio do novo edital, estão sendo disponibilizados R$ 400 mil para financiamento de propostas em 11 áreas: Música; Dança; Teatro, circo e ópera; Cinema, fotografia e vídeo; Literatura; Artes plásticas, artes gráficas e filatelia; Carnaval; Folclore e Capoeira; Artesanato; História; Acervo e patrimônio histórico e cultural de museus e centros culturais.

 

Depois de fazerem a inscrição, artistas e produtores culturais terão até o dia 21 de julho para protocolar, na Secretaria Municipal da Fazenda, os projetos técnicos e toda a documentação exigida.

A seleção dos projetos a serem contemplados ficará a cargo de uma comissão avaliadora formada por representantes das classes artística e acadêmica do estado. O valor máximo a ser concedido, por projeto aprovado, será de R$ 15 mil, exceto para a área de Cinema, Fotografia e Vídeo, cujo teto é de R$ 20 mil.

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“Estamos ampliando em R$ 50 mil o valor do recurso para financiamento de projetos, em relação a 2013. Com isso, queremos fortalecer essa política pública, que tonificou a produção cultural do município nos últimos anos, ao garantir patrocínio a mais de 110 projetos”, destaca a secretária municipal de Cultura, Joana DArck Caetano.

 

O edital completo foi publicado na edição do último dia 13 do Diário Oficial do Município, que está disponível no site da prefeitura (www.cachoeiro.es.gov.br/transparencia/diario). O documento também pode ser consultado, das 7h às 13h, na Secretaria de Cultura, que fica no térreo do edifício Bernardino Monteiro, sede do governo municipal.

Apoio à literatura


No último sábado (17), três livros publicados com apoio da Lei foram lançados na V Bienal Rubem Braga, realizada entre os dias 13 e 18, na Praça de Fátima, Centro. São eles: “Às Margens do Itapemirim”, de Ariette Moulin Costa, “Profanus”, de José Marcelo Grillo, e “A Mulher sem Memória”, de Célia Ferreira.

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