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CPI da Covid: senador diz que foi alvo de espionagem

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Senador Rogério Carvalho (PT-SE)
Agência Senado

Senador Rogério Carvalho (PT-SE)

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), integrante da CPI da Covid, disse nesta terça-feira que foi alvo de uma suposta espionagem em seu estado por parte de dois militares do Exército. Em sessão da comissão, o parlamentar do Sergipe lançou suspeitas sobre o ministro da Defesa, general Braga Netto.

“Eu quero informar esta CPI e a todos que estão ouvindo que eu fui surpreendido semana passada: fui convidado por um amigo para uma conversa e ele relatou que recebeu um oficial do exército, um coronel do exército da reserva com um oficial da ativa, que foram ao meu estado pra bisbilhotar a minha vida pra saber o que é que podia ter para usar contra mim. Eu quero dizer ao senhor Braga Netto, que foi o emissário do oficial do Exército para fazer espionagem contra um parlamentar, um senador da república que eu não tenho medo, que eu não abrirei mão das minhas convicções, que eu, com a minha vida, pela causa que eu defendo, e ninguém vai intimidar”.

Ao GLOBO, o parlamentar afirmou que a identidade de um desses oficiais é o coronel reformado Roberval Leão, que mora em Sergipe e tem bom trânsito político entre autoridades do estado. Carvalho disse que não sabe quem teria sido o outro militar enviado por Braga Netto, que, antes, chefiava a Casa Civil.

“Ficaram sondando minha vida como secretário, como parlamentar, se eu tinha riqueza tentando, encontrar alguma coisa que pudesse me desabonar. E eu acredito que eles estão agindo não só dessa forma direta, mas de outras formas para tentar encontrar caminhos que possam expor minha vida pessoal”, afirmou ao GLOBO, citando a possibilidade de escuta telefônica. “Isso é grave, não é aceitável numa democracia”.

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Carvalho afirmou que não registrou boletim de ocorrência e que “só a denúncia já é suficiente”:

“Precisa que a opinião pública saiba que está em curso um processo de fechamento do regime democrático e que as instituições que deveriam preservar a democracia e o Estado Democrático de Direito e proteger a sociedade estão a serviço de um governo”.

Na CPI, um requerimento assinado por Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pede que o ministro Braga Netto seja convocado a depor na comissão. O documento, no entanto, foi retirado de pauta pelos senadores.

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“Quero mais: dizer que aquele requerimento que eu pedi que fosse feito pela presidência desta comissão solicitando os registros, os segredos ou sigilos do ministro da Casa Civil para o Ministério da Saúde que, por favor, depois dessa ameaça, é o mínimo que a gente pode fazer para esclarecer e dizer, não para confrontar, mas pra dizer que essa CPI não se curva a ameaças autoritárias de um tempo que achávamos que já tínhamos superado”, afirmou na sessão, rememorando os tempos da ditadura militar (1964-1985), quando houve perseguição a políticos.

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Reação

Os senadores se manifestaram em apoio e em solidariedade a Rogério Carvalho. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), citou a divulgação, na semana passada, de documento da década de 1980 sobre a participação dele nas Diretas Já e contra o regime militar.

“Vossa Excelência tem toda a nossa solidariedade, está acontecendo com todos nós. (…) E não há ninguém que vá nos intimidar”, disse Omar.

Durante a sessão, o parlamentar criticou o encontro do presidente Jair Bolsonaro com uma deputada neonazista, afirmando que foi uma afronta à democracia, ao Holocausto e ao próprio Exército, que lutou na Segunda Guerra Mundial. Além disso, afirmou que os presidentes do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), não podem se calar diante disso.

“Não me espanta que Vossa Excelência esteja sendo investigado. É lógico que aquele documento que vazou é da Abin! Mas, olha, pode vir, não tem problema, a minha vida é um livro aberto. Pode falar o que quiser, mas não vamos arredar um milímetro de investigar as 555 mil mortes e mais de milhões de brasileiros sequelados por uma doença em que o governo foi omisso”, completou o presidente da comissão.

Procurado para falar sobre o assunto, o Ministério da Defesa ainda não se manifestou. A reportagem não conseguiu localizar o coronel Leão.

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‘É preciso furar a bolha da esquerda e da direita e chegar ao povo’, diz Tabata

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Tabata Amaral
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Tabata Amaral




Após deixar o PDT de Ciro Gomes sob a acusação de trair as orientações do partido e c om trocas de ataques públicos,  a deputada Tabata Amaral anunciou na última semana sua filiação ao PSB. A paulistana chega à sigla em meio a um racha entre integrantes que apoiam aliança com o ex-presidente Lula (PT) nas próximas eleições e outros que defendem seguir com o pedetista. Em entrevista ao GLOBO, Tabata diz que é necessário construir uma alternativa “que fure a polarização entre Lula e Bolsonaro”, cita os nomes dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e do governador Eduardo Leite (PSDB) como capazes de assumir uma terceira via, e critica a crise causada pelo presidente Jair Bolsonaro e o Poder Judiciário: “Ele é criminoso. Se impeachment fosse apenas uma questão jurídica, ele deveria estar preso”.

Após saída conturbada do PDT por ter votado a favor da reforma da Previdência, a senhora anunciou a filiação ao PSB. Por que escolheu a legenda?

Foi um conjunto de fatores. O PSB é um partido que sempre foi progressista, que tem clareza do seu papel na atual conjuntura do país, com esse governo autoritário, criminoso e corrupto. Nesse momento de ataques não dá para ficar em dúvida, não dá para ter movimento dúbio. Essa clareza foi importante na minha decisão. Além disso, o partido passa por uma autorreforma e se mostra aberto ao diálogo. Eu tive uma experiência no PDT com autoritarismo e machismo, que impera nos partidos. O PSB está aberto a formação de novas lideranças. Recebeu recentemente a filiação do Flávio Dino (governador do Maranhão), do Freixo (deputado federal) e mais de cem lideranças.

Terá carta branca para votar contra o partido? Assim como a senhora, outros parlamentares foram punidos pelo PDT e pelo próprio PSB. Esse ponto chegou a ser negociado?

A reforma da Previdência foi amplamente discutida, tanto na Câmara quanto internamente no partido. Na minha defesa no TSE após sair do PDT, eu não questionei a importância da fidelidade partidária. Eu questionei o machismo e o autoritarismo que guiou lideranças do PDT no meu caso. Foi uma decisão desigual, arbitrária e sem justificativa. Foi algo pessoal, sem razão de ser. E isso está no voto dos ministros.


A senhora será independente?

O que me dá segurança é saber que o partido não tem dono. Cabe mais do que os mandos e desmandos de uma pessoa. Tenho a compreensão de que o PSB está aberto ao diálogo, ao debate e as diferentes posições. Vou poder participar das discussões em comissões, das bancadas.

Integrantes do PSB, entre eles o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, trabalham para que o partido apoie o ex-presidente Lula nas próximas eleições. Defende um acordo entre PSB e PT ?

Minha primeira batalha é contra o governo Bolsonaro, com seu autoritarismo, incompetência e desmandos. Trabalho para que a sociedade tenha uma alternativa viável. Meu maior medo é de que as pessoas cheguem nas urnas e votem em A para não votar B, sem discutir meio ambiente, caminhos para superar a crise política, econômica, social, o alta desemprego. O mais importante é dizer o que queremos para o Brasil para furar essa polarização, para que a gente não repita as últimas eleições, com Aécio e Dilma, Bolsonaro e Haddad, e agora Bolsonaro e Lula. Não acho que seja o momento de se discutir nomes.

Há alas do seu novo partido que defendem apoiar o candidato do PDT Ciro Gomes, que te criticou duramente após a senhora votar a favor da reforma da Previdência, em prol de uma terceira via entre Lula e Bolsonaro. Como vê essa possibilidade?

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Independentemente do nome, meu compromisso será com a democracia, com um projeto que discuta o Brasil, que aponte caminhos. Se esse projeto será com PT ou PDT, não posso dizer. Uma das coisas que me alegra no PSB é saber que o partido tem pessoas capazes de discutir um projeto de país.

A senhora fala na necessidade de uma candidatura capaz de “furar a bolha da polarização”. Quais nomes seriam capazes de ocupar esse espaço?

Eu venho de uma família que nunca discutiu política. Moramos numa comunidade em que a velha política impera. Não há uma discussão diária sobre política. Em Brasília só se fala de política, todos os dias. Na comunidade só se fala do atual desemprego, do preços dos alimentos, da energia elétrica. O tema da eleição não é uma prioridade para a população. Ainda temos tempo de sobra de encontrar um nome capaz de ocupar esse espaço. Tenho admiração pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e pelo governador Eduardo Leite (PSDB). Apesar disso, esse é o momento deles dizerem ao que vieram, dialogarem e apresentarem o que pensam sobre o Brasil. Quando as conversas forem avançando, vamos ver qual será o melhor projeto.

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Como construir consenso em torno de uma pessoa, em meio a tantos nomes postos: Ciro, Mandetta, Doria…

Disputas partidárias e ideológicas ficam pequenas diante do atual governo. É preciso que os partidos do campo democrática conversem.

As manifestações convocadas pelo MBL, Vem Pra Rua e Livres contra Bolsonaro, que a senhora participou, teve menos adesão do que os atos pró governo. É possível unir a esquerda à centro-direita nas ruas?

Na última manifestação foi a primeira vez que vi pessoas da comunidade dizendo que queriam ir para a rua se manifestar contra Bolsonaro. As pessoas estão vendo o desemprego, a inflação e os crimes do presidente. O impeachment está em pauta. A manifestação do ex-presidente Temer não teria acontecido se o impeachment não estivesse pautado. Trabalho para que tenhamos a pressão das pessoas nas ruas. Para eles é fácil fazer um acordão em Brasília para que o governo se arrasta até o fim do mandato, mas um ano é muito tempo para quem está desempregado. Impeachment é processo político, não adianta hashtags. Precisa furar a bolha da esquerda e da direita. Precisa chegar ao povo. Perdi a conta dos crimes de responsabilidade que Bolsonaro cometeu. Se impeachment fosse apenas uma questão jurídica, ele deveria estar preso. Ele é criminoso, responsável por mortes que não deveriam ter acontecido por Covid-19, diz que não vai cumprir ordem judicial… É um governo incompetente, criminoso e corrupto.

A senhora é criticada tanto pela esquerda quanto pela direita. Como a sua filiação foi recebida no PSB?

A repercussão foi positiva tanto no partido quanto nas redes sociais. Eu tenho que me incomodar quando as pessoas não reclamarem mais. O único caminho que temos é construir um projeto que melhore a vida de todos. Defendo a igualdade, por meio da responsabilidade fiscal e social. Nunca vi um país se desenvolver sem um estado eficiente. Quando falo de combate a corrupção, desigualdade, isso incomoda as pessoas, mas sigo no meu posicionamento.

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