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Comissão debate escuta no ambiente escolar

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O professor de Geografia Nourival Cardozo Júnior foi o convidado da Comissão de Educação na reunião virtual desta segunda-feira (14). O docente aposentado falou sobre a “Oficina de Afeto”, desenvolvida com alunos da Serra enquanto estava na ativa. O projeto busca promover um “tratamento afetivo” ao conteúdo didático e estimular os estudantes a descreverem angústias pessoais.

Ele citou o exemplo de um texto escrito por uma aluna que usou o iceberg como metáfora para falar de seus problemas: os 10% visíveis do bloco de gelo poderiam ser associados às qualidades dela enquanto a parte “escondida” debaixo d’água corresponderia à tristeza. “O iceberg foi o instrumento que eu usei para trabalhar com eles essa temática dos sentimentos”, explicou.

“Minha preocupação era escutar. Como eu poderia ouvir, eu não tenho tempo de ouvir aluno da escola, é uma aula atrás da outra. Então o que eu fazia? Desenvolvia atividades e através das atividades eles faziam os textos falando um pouquinho da sua dor e dos seus sentimentos”, detalhou o professor.

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O professor lembrou que o projeto surgiu em 2006 depois de ter sido ameaçado por um aluno de 14 anos. Meses depois o estudante foi baleado e Nourival resolveu visitá-lo no hospital. Lá, descobriu as situações difíceis pelas quais o adolescente passava diariamente em sua família. “Aquele momento que a ficha caiu”, revelou.

“Estamos lidando hoje com adolescentes muito feridos, machucados pela vida, gente que precisa de uma oficina de afeto, que precisa de uma escuta, de um cuidado que vai além da informação que é dada em sala de aula”. De acordo com o professor, o projeto despertou o interesse dos alunos pelas aulas e contribuiu para que os índices de repetência caíssem.

Conforme defendeu, muitas dessas angústias podem ser amenizadas se a escola adotar a opção política de trabalhar com a afetividade e não focar apenas no conteúdo teórico. “Quando eu recebo uma família com delicadeza, com respeito, quando eu dialogo com alunos, quando eu cuido, eu estou me propondo a fazer uma política que vai na contramão daquilo que a gente vê hoje na política nacional”, observou.

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O professor contou que hoje trabalha em um programa mais amplo dentro da Secretaria de Estado da Educação (Sedu) abrangendo a valorização humana, com foco na escuta e fortalecimento dos vínculos afetivos. Apesar disso, lamentou que a “Oficina de Afeto” não tenha se tornado política pública aqui no estado.

Os deputados Sergio Majeski e Bruno Lamas, ambos do PSB, elogiaram a iniciativa. “Constantemente trabalhamos com pessoas que estão com sorriso no rosto, mas por dentro estão se matando literalmente. Onde está o abraço, onde está o afeto?”, ponderou Bruno Lamas. A reunião também teve a participação da presidente do Conselho Municipal de Educação de Vitória, Zoraide Barboza.
 

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Política

Madureira defende trabalho para autistas

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O deputado Marcos Madureira (Patriota) quer que o poder público incentive as empresas a contratarem autistas para desempenharem funções que exijam interação social. 

Para isso, ele apresentou o Projeto de Lei (PL) 341/2021 que garante à pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) realizar atividades laborais compatíveis com sua aptidão, formação profissional e experiência. 

Conforme a matéria, que passará pelo crivo das comissões de Justiça, Saúde e Finanças, a empresa contratante observará a aptidão do autista para assumir quaisquer cargos que estejam à disposição. Se virar lei, a proposta prevê que o Poder Executivo poderá regulamentá-la se assim achar necessário.

Advogada autista 

Madureira explica que o objetivo do projeto é dar equidade aos autistas por meio de políticas que estimulem as empresas e o serviço público a contratá-los sem limitações quanto às alternativas de emprego, observados os aspectos relacionados s aptidões, talentos, formação educacional e preferências pessoais. 

Segundo o deputado, os autistas têm tido mais oportunidade no mercado de trabalho na área de tecnologia devido ao fato de possuírem mais habilidade em tarefas que exijam concentração. 

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“Muitos autistas estão fora do mercado de trabalho por interagirem de forma diferente, mas isso não reduz a capacidade intelectual deles, e desse modo não há razão para excluí-los desses tipos de atividades”, defende o parlamentar.

Como demonstração da capacidade intelectual das pessoas com TEA, o deputado sugere no texto que as pessoas acessem na internet matéria sobre Haley Moss, primeira mulher autista formada em Direito no sul da Flórida (EUA) e que, segundo a reportagem, é uma profissional atuante.

“Essa advogada da Flórida é prova de que o autista pode cursar o ensino superior, conquistar espaço no mercado de trabalho e viver uma rotina assim como qualquer outro cidadão”, diz Madureira.

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