Análise Política

Cachoeiro pede a Casagrande

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Nos idos dos anos 80 o então prefeito do Rio de Janeiro, Saturnino Braga, disse uma frase célebre. Perguntado sobre as obras importantes que gostaria de deixar no seu governo, ele não titubeou: “As pequenas obras”.

É necessário tentar buscar o sentido da frase penetrando no imaginário de um homem público ao assumir um cargo executivo. E só após esse exercício será possível enxergar a grandiosidade contida nas pequenas obras imaginadas por Saturnino.

Normalmente prefeitos e governadores não querem as pequenas obras, e sim aquelas que marcam visualmente sua passagem pelo poder. Uma grande ponte, um viaduto, uma avenida duplicada, um hospital, uma escola gigante… e por aí vai. Mas, e o que são as pequenas obras?

Cotidianamente os moradores são afetados por problemas simples, mas que quando não resolvidos se tornam grandes. É o calçamento de uma rua, é uma escadaria que precisa ser construída, é uma rua que precisa ser iluminada, é um pronto atendimento que precisa funcionar bem… e etc e etc e etc.

Nesse contexto de enxergar o que aparentemente é pequeno, mas que vira transtorno quando não resolvido, poderia aqui encaixar as obras realizadas (ou não realizadas) debaixo da terra. Podem-se considerar pequenas obras do ponto de vista daquele gestor que sonha com algo vultoso e visível, mas são extremamente importantes para os moradores que sofrem no seu dia a dia com alagamentos, chegando a perder seus bens.

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Cachoeiro ultimamente se encaixa como luva entre os municípios que necessitam urgentemente de investimentos em drenagem. Por exemplo: o drama dos moradores da rua Etelvina Vivácqua, no bairro Nova Brasília, é algo comovente. Ao longo do tempo a população local vem sofrendo com os alagamentos e suportando-os, mas agora o assunto tomou a proporção do insuportável.

O movimento feito pela administração municipal é uma ponta fundamental. Apresentou o projeto ao Governo do Estado pleiteando R$ 30 milhões para a obra que abrange os bairros Guandu, Basileia, Nova Brasília, Estelita Coelho Marins, Santo Antonio, Zumbi, Otto Marins e São Francisco de Assis.

A outra ponta é a “pressão” dos agentes políticos do município e de toda a sociedade cachoeirense sobre o Governo. A liberação do recurso a essa altura trata-se mais do que um gesto político do governador. É quase uma questão de solidariedade humana para essa parte da sociedade que perde tudo a cada chuva forte que cai  sobre Cachoeiro.

Vem de longe um conceito entre os políticos que intervenções feitas debaixo da terra deviam ser evitadas porque além de serem caríssimas não eram vistas e, por conseguinte, não davam votos. Por isso, considerando esse velho e tosco raciocínio, permiti-me encaixá-las entre pequenas obras.

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Mas hoje, observando a dimensão do problema de alagamentos por toda a cidade, constata-se que obras de drenagem ou macrodrenagem são vitais para felicidade e tranquilidade da população. E se é assim, jamais poderão ser qualificadas como pequenas.

Dada a importância do tema, seria louvável por exemplo que os 19 vereadores recém empossados ao invés de ficar procurando pelo em ovo pelas ruas da cidade fossem ao governador e fizessem coro em favor do projeto da prefeitura. É o mínimo do mínimo a se exigir desses funcionários bem pagos do povo.  Esse é o momento de união dos agentes públicos.

E que o governador Renato Casagrande, com sua capacidade gestora, entenda que encontrar R$ 30 milhões nos cofres para um projeto dessa magnitude será uma pequena solução orçamentária para dar fim a um grande problema humanitário.

Esse não é um pedido do prefeito ao governador. É um pedido de toda Cachoeiro de Itapemirim. E que ele atenda em nome da felicidade geral de quem sofre e também de quem acompanha de longe o sofrimento.

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“Pergunte ao criador / Quem pintou esta aquarela / Livre do açoite da senzala / Preso na miséria da favela” – Cem anos de liberdade: realidade ou ilusão (Jurandir/Alvinho/Hélio Turco)

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Análise Política

Crescimento de Zé Lima em Itapemirim se explica pelo trabalho

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Itapemirim ferve com a eleição do próximo dia 5. E com todo respeito ao candidato Niltinho (PSDB), mas pelo volume das campanhas que se vê na rua, dá pra dizer sem medo que hoje o pleito está polarizado entre Dr. Antonio (PP) e Zé Lima (PDT).

E é necessário explicar que a posição dos nomes está nessa sequencia por ordem alfabética, mas não necessariamente pela preferência entre os eleitores, já que não dá mais para saber qual dos dois lidera a disputa.

O que se sabia há vários dias, sobretudo no início da campanha, que Antonio liderava. Normal, já que vinha de uma disputa recente contra Dr. Thiago (Republicanos) onde tinha sido muito bem votado. Então, boa parte dos eleitores seguiu o fluxo dos votos da eleição anterior.

Mas hoje a verdade é que Zé Lima cresceu muito e por vários motivos. Em síntese, o Zé do povo, como tem sido chamado, foi pra dentro da disputa com um ânimo que pouco se vê nos olhos de Antonio.

Podem se apenas estilo, enquanto Antonio é mais calmo e passa mais tranquilidade, o Zé é mais efervescente, mais vibrante.  E isso pode não parecer nada, mas é meio como aquela partida de futebol onde um carrinho durante o jogo pode determinar uma vontade a mais do jogador e incendiar a torcida. Então é isso, Zé Lima é o jogador que incendiou o jogo com uma vontade fora do normal para vencer. Enquanto que Antonio continua com o futebol cadenciado e pouco empolgante.

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Mas metáforas futebolísticas à parte, tecnicamente há sim uma fator em especial que conta em favor desse crescimento de Zé Lima na disputa. O prefeito em exercício deu conta do recado na cadeira que ocupou por decisão da Justiça Eleitoral.

Em poucos dias no posto Zé Lima botou o bloco na rua, realizou mutirões, deu sequencia nas obras, chegou pra perto dos servidores pagando seus direitos, não deixando a peteca cair. As máquinas continuaram atendendo os produtores rurais e a prefeitura manteve a normalidade administrativa. Por exemplo, em seu diário oficial as licitações, as nomeações, não pararam um dia sequer.

Para quem está de fora vendo, isso chama-se gestão. E o povo percebe. Tanto é assim que hoje ele divide com Antonio o favoritismo ao pleito, posto que anteriormente era apenas de Antonio.

Em pouquíssimo tempo com o poder nas mãos Zé Lima mostrou seu trabalho, ganhou a confiança do eleitor, e isso certamente é seu maior mérito e condição principal para justificar essa arrancada eleitoral.

Era apenas um vereador e hoje um nome político de respeito em Itapemirim, com condições plenas de vencer a eleição. E mesmo que isso não aconteça, conseguirá se consolidar como figura de futuro político na cidade, haja vista que daqui a dois anos teremos outra eleição e certamente ela passará por ele.

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Zé Lima soube trabalhar o peso da máquina administrativa em seu favor. E isso embora possa ser motivo de críticas pelos adversários, também pode ser considerado mérito por aqueles que olham o pleito à distância, isentos, e sem torcer para um ou outro. Saber jogar também é virtude na política. E Zé Lima sabe.

Fato é que a eleição temporã está indefinida em Itapemirim. Enquanto a campanha de Dr. Antonio segue técnica, fria, sem empolgação, a de Zé Lima agita, incendeia. Se isso será suficiente para a vitória, só dia 5 poderá dizer.

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Um outro fator tem pesado por lá nessa eleição: os apoios. A população de Itapemirim tem ojeriza aos Ferraços. E pelo que se diz lá, tanto Theodorico quanto Norma apoiam Dr. Antonio e isso pesa negativamente entre os eleitores.

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Por falar em apoios, os ex-prefeitos Dr. Thiago Peçanha e Dr. Luciano sumiram da cidade e da eleição. Tomaram Doril.

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“Não cante vitória muito cedo, não / Nem leve flores para a cova do inimigo / Que as lágrimas do jovem são fortes como um segredo /Podem fazer renascer um mal antigo” – Não Leve Flores (Belchior)

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