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Autoexame e mamografia contra o câncer

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Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) de 2020, 66.280 casos novos de câncer de mama no Brasil estão previstos para 2021. O número significa que quase 44 brasileiras a cada 100 mil descobrirão a doença este ano.

De acordo com a mastologista Danielle Chambô, o câncer de mama é o que mais acomete as mulheres no Brasil e também o que mais mata. Dados da Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa) apontam que 680 mulheres morreram no estado em decorrência da doença em 2019 e 2020.

Esse tipo de câncer tem prognóstico de cura de 100% se detectado em seu estágio inicial, quando o nódulo se apresenta pequeno, não palpável e identificado apenas pela mamografia. Além do procedimento, o autoexame também é fundamental. 

ARTE AUTOEXAME

Mamografia de rastreio

Aproximadamente 90 mil exames de mamografia foram realizados de janeiro a dezembro de 2019, no Espírito Santo, segundo a Sesa. Já em 2020, foram 50.016 procedimentos realizados. A Sesa ressalta que, em decorrência do enfrentamento da emergência de saúde pública da Covid-19, as consultas e exames eletivos foram suspensos no Estado, conforme definido pelas Portarias 004-R e 052-R, e começaram a ser retomados gradualmente em maio deste ano. Este ano, 33.088 procedimentos foram realizados no Espírito Santo, segundo informações da Sesa emitidas em meados de setembro.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda o início das mamografias aos 40 anos. Já o Instituto Brasileiro de Câncer fixa a idade entre 50 e 59 anos. Chambô explica que essa diferença nas recomendações ocorre porque a SBM leva em conta “a faixa etária com maior incidência de câncer de mama no país. No Brasil, predomina a partir dos 40 anos”.

A mastologista destaca que, quando há registros de câncer de mama na família, o exame deve ser feito ainda mais cedo. “Se tiver caso na família, deve-se começar as mamografias anuais 10 anos antes da idade em que o familiar descobriu o câncer”. 

Pessoa olha imagem de seios em tela de computador e no fundo mulher fazendo mamografia

Hoje a mamografia assume protagonismo nas campanhas de conscientização, apesar do autoexame continuar a ser muito importante. “Quando uma pessoa leiga detecta um nódulo, ele já está maior. Com a tecnologia que temos hoje, conseguimos detectar o câncer mais cedo nas mamografias, que são capazes de encontrar câncer em estado bastante inicial, ainda não palpável, quando ele aparece como uma microcalcificação”.

A detecção precoce não só aumenta a chance de cura, mas permite um tratamento menos traumático. “A paciente não vai precisar fazer a quimioterapia, não vai perder o cabelo e não vai precisar tirar a mama. Hoje temos vários avanços. Se o câncer for descoberto em estágio um pouco mais avançado, temos a touca hipotérmica para evitar a queda de cabelo e há técnicas de reconstrução da mama que preservam a pele, aréola e mamilo. Mas, em casos muito avançados, nada disso é possível”, alerta Chambô.

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Atendimento

Duas pessoas em balcão de posto de saúde, na parede, painel do Outubro Rosa

A Sesa informa que, para fazer mamografia na rede pública, a mulher precisa procurar uma das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município em que ela reside. O exame é agendado após avaliação feita pelo médico e, a partir do resultado e a depender do nível de complexidade, a paciente é regulada para acompanhamento em um serviço de referência do município ou da região.

A secretaria esclarece que pacientes assintomáticas, entre 50 e 69 anos, devem procurar as UBS para o agendamento do serviço da mamografia de rastreamento prioritário. Para as demais faixas etárias, o procedimento é realizado de acordo com a solicitação médica.

Autoexame

Foto de Danielle Chambô e à esquerda ela diz: mamografia e autoexame são complementares

A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que a mamografia seja feita anualmente. Segundo artigo publicado em junho de 2021 na revista Radiology, fazer mamografias anuais é capaz de reduzir o risco de morrer de câncer de mama em 50% em 10 anos, quando comparado com quem não faz exame ou o realiza esporadicamente.

Entretanto, Chambô explica que pode acontecer de o câncer se desenvolver no intervalo entre os exames. “Esse tipo de câncer costuma ser agressivo e de crescimento rápido. Por isso, é fundamental fazer o autoexame para detectar a doença no intervalo entre as mamografias, aumentando assim as chances de cura”, orienta. 

A mastologista destaca também que em locais sem estrutura para detectar doença, que não possuem mamógrafos ou que eles são insuficientes, o autoexame é a única forma de detectar a doença precocemente. “Mamografia e autoexame não são excludentes e sim complementares”, explica. 

A enfermeira Layra Monteiro, detectou um nódulo em seu seio em abril de 2019 durante o autoexame. Preocupada, procurou atendimento médico. Após ultrassom, mamografia e uma biópsia, o câncer foi confirmado. Sem nenhum caso de doença na família, ela recebeu o diagnóstico em 2020, aos 30 anos. 

“Eu nunca tinha feito mamografia até o diagnóstico em razão da minha idade e da inexistência de casos na família. Contudo, eu sempre fazia o autoexame. No banho, notei um nódulo e fui investigar. Alguns exames depois, eu descobri que estava com câncer de mama”, como conta no vídeo abaixo.

Layra Monteiro chama atenção para a importância de as mulheres cuidarem da própria saúde:  “Precisam fazer o autoexame e – quem tem idade – tem que fazer a mamografia”, aconselha. Confira o vídeo. 

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Danielle Chambô explica que o câncer de mama é silencioso. Por isso, é preciso ter atenção redobrada aos sinais. “Quando o câncer está maior, é possível perceber sinais como retração do mamilo e em partes da mama, pele do seio com aspecto casca de laranja, nódulo na mama, vermelhidão”, enumera.

Arte Sinais de Alerta: imagens de seios sobre linhas grossas onduladas na cor rosa

Juntos pela Mama 

O projeto “Juntos pela Mama”, criado em 2020 por médicos do Serviço de Mastologia da Santa Casa de Misericórdia, em Vitória, em parceria com um grupo de empresários engajados na causa, surgiu na tentativa de reduzir a fila de espera pela cirurgia de câncer de mama de pacientes atendidos pela rede pública. 

Danielle Chambô conta que todas as metas de 2020 do “Juntos pela Mama” foram alcançadas, como oferecimento da touca hipodérmica na Santa Casa, ultrassom no ambulatório e redução da fila. “Hoje não temos mais fila para operar na Santa Casa”, comemora. Essa não é a realidade do resto do país. 

Muitos locais não têm estrutura para obedecer a Lei Federal 13.896/2019, a qual garante que, em caso de suspeita de câncer, os exames necessários à elucidação devem ser realizados no prazo máximo de 30 dias, mediante solicitação fundamentada do médico responsável. “Infelizmente, essa lei ainda é uma utopia em muitos lugares”, lamenta.

Chambô revela que este ano o projeto lança um serviço digital de triagem e direcioname