Saudoso capitão Getúlio Santos, ex-presidente do MDB de Cachoeiro de Itapemirim, dizia que só tinha uma coisa que resistia às mentiras e aos arranjos do mundo político antes de uma eleição: o calendário eleitoral. Ele é implacável.
E o que estamos assistindo no início desta semana é isso, o calendário eleitoral empurrando as verdades sobre a mesa e obrigando aos partidos e seus atores revelarem-se. Eles têm até o dia 5 para realizar as convenções e, portanto, correm contra o tempo. É o momento das definições. Impossível fugir a essa realidade.
O grande mestre dos enigmas eleitorais no Espírito Santo, o ex-governador Paulo Hartung (PSD), saiu de cena na manhã desta segunda-feira (3). Não vai ser candidato a nada, abrindo a brecha para que seu partido negocie mais diretamente com outros palanques.
Quem deve ganhar com isso é o governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (MDB). Existe uma vaga ao Senado na chapa governista e tudo faz crer que ela seja ocupada por Sérgio Meneguelli (PSD), fazendo dobradinha com Renato Casagrande (PSB).
Ninguém pode cravar nada, mas o Republicano de Enzo Pazollini optou pelo PL, deixando o PSD em segundo plano. Deixou o próprio Hartung perdido no jogo. Tudo leva a crer que o troco venha agora. Além dessa forra, existe outro problema que dificulta uma aliança PSD/Republicanos: Meneguelli. O pré-candidato a senador assusta o grupo do PL, porque pode tirar a vaga da também pré-candidata ao Senado, Maguinha Malta.
E já que estamos falando de possibilidades, continuo acreditando que a vaga de vice-governador na chapa de Ricardo será indicação da federação União Progressista. E arrisco que seja uma mulher: a capitã Andresa.
Além da sua desenvoltura nas redes sociais, Andresa representaria toda força do eleitorado feminino, com contribuição na área da segurança. Área essa que não por acaso o adversário Pazolini vem batendo em seus discursos. Sem contar que seu nome atende ao anseio da federação.
Se o nome da capitã se confirmar e se Ricardo se reeleger, o Espírito Santo mostrará mais uma vez a força feminina na política, já que em 2018 o então governador Casagrande emplacou como vice a Jaqueline Moraes.
Por fim, ainda tenho muitas dúvidas se a segunda vaga ao Senado no palanque de Pazolini será mesmo dada ao deputado federal Evair de Melo. Acredito na resistência do PL ao nome, porque se essa dobradinha se confirmar, Maguinha Malta corre grande risco de ser engolida por ele.
Mas são apenas projeções. De concreto mesmo é o fato que nada vai resistir ao calendário eleitoral, que está em cima.










