Foto da região: Ilauro Oliveira
Muito otimista, e animado, o prefeito de Cachoeiro, Theodorico Ferraço (PP,) anunciou, nesta semana, um importante pacote de obras para a cidade. Mais pessimista, e menos animado, falou de outras duas obras desejosas por ele: o viaduto do trevo do IBC e o Distrito Industrial de Pacotuba.
Essa última esbarra em problemas judiciais com proprietários locais, provavelmente contestando os valores da desapropriação. E o viaduto esbarra em suas dificuldades próprias, tipo engenharia complexa e o alto valor da obra. Tanto assim é, que Ferraço já estuda uma outra alternativa viária para aquela região do IBC. Aguardemos.
Mas o prefeito, nesse pacote de obras, apresentou um projeto que, ao meu ver, é uma grande sacada dentro dessa dificultosa tarefa de solucionar os gargalos do trânsito de Cachoeiro: uma rodovia ligando os bairros Paraiso e São Geraldo à Faculdade Multivix, lá no bairro Monte Belo.
Essa nova estrada (que permito-me apelidar nesse texto de “Linha Verde”, dada a beleza da região que tem muitas árvores e áreas verdes) passaria ao lado do Bom Gosto Bar e sairia lá em Monte Belo. Não foram apresentados números sobre o quanto essa obra desafogaria o trânsito na região, mas, certamente, ajudaria uma grandiosidade.
Feita com recurso e mão-de-obra da própria prefeitura, Ferraço acredita que até o fim deste ano é possível concluí-la. Já existe um trajeto iniciado no local, mostrando que não deve se tratar de algo complexo para ser feito, e nem de valor alto, exceto que haja grandes desapropriações a fazer, o que não é o que parece porque tratam-se de pequenas propriedades.
Não sou engenheiro de trânsito, mas essa me parece uma obra extraordinária, de custo baixo, execução rápida e solução de altíssima relevância para o trânsito. Os estudantes da Multivix, por exemplo, que moram naquela região (Paraiso, São Geraldo, Amarelo e Gilberto Machado) poderão utilizar a “Linha Verde”, desafogando a rodovia original (Viação Itapemirim sentido União).
Ferraço, que teve suas outras gestões marcadas por grandes obras, pode fazer um gol de placa na execução cuidadosa dessa “Linha Verde”. Saindo do papel, e sendo bem feita, muito bem sinalizada, segura, e iluminada, associada à beleza da região e sua indiscutível necessidade, essa intervenção pode ser uma boa marca da sua gestão atual. Marca que, aliás, ainda não existe e o prefeito precisa realizar o quanto antes.
A “Linha Verde” pode ser a nova Linha Vermelha de Cachoeiro. E de Ferraço.
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Já que a reflexão é sobre grandes obras, ocorre-me a lembrança de Saturnino Braga, que quando foi prefeito do Rio de Janeiro, na década de 80, disse que o que mais lhe empolgava na vida pública “eram as pequenas obras”.
Certamente falava de muros, galerias, calçamentos, tapa-buracos, postos de saúde… e de atendimentos básicos do dia-a-dia, tipo coleta de lixo eficiente, atendimentos de saúde bem feitos, educação de qualidade, e por aí a fora.
Em suma, é o que chamamos de zeladoria. É o serviço diário sendo bem feito e mostrando que a administração está presente, ainda que em atividades menores, e não apenas nas grandes obras.
A gestão Ferraço parece estar atenta a isso. Ajustou a coleta de lixo, que não estava bem no início do governo. Não está excepcional ainda, mas a contento. E precisa resolver a questão dos entulhos na cidade, que está um caos.
O prefeito anuncia a reativação da usina de asfalto, que vai ajudar a agilizar as operações tapa-buraco. Anunciou também o asfaltamento de 100 ruas, porque quem paga imposto merece ruas bem conservadas e transitáveis.
E algo muito importante: Ferraço está de olho no atendimento de saúde de Cachoeiro. O prefeito anuncia uma comissão para negociar com os hospitais da cidade uma parceria em que eles assumam a gestão das unidades públicas de sistema 24 horas: “A população precisa de exame na hora, sem necessidade de central de vagas”, disse Ferraço.
É o dia-a-dia, o beabá administrativo, que, bem feito, pode ser tão importante quanto as grandes obras. E Ferraço voltou a ser prefeito para isso, para as grandes e pequenas soluções. Se as vultosas não são simples de sair do papel, faça o dever de casa e o povo, igualmente, ficará deveras feliz.
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Dando os trâmites por findo, quando falo de obras nessa região (Paraiso, Amarelo, São Geraldo e Gilberto Machado) não posso esquecer do saudoso deputado federal Camilo Cola. O empresário, olhando muitos anos à frente de todo mundo, articulou para que fosse feito na região um viaduto, sobre a avenida Lacerda de Aguiar, ligando Amarelo a Paraiso. À época criticaram e crucificaram o deputado, matando a ideia no nascedouro. Hoje, observa-se o quão útil seria. Águas passadas não movem moinho, né!










