A escolha de Dr. Bruno Resende

Acostumado dentro dos hospitais e consultórios médicos, onde domina com maestria a sua profissão, o deputado estadual Dr. Bruno Resende (União) está sentindo nesses últimos dias, antes do prazo de desincompatibilização – 4 de abril -, o duro jogo jogado da política. Em vias de decidir se sai do União, ou seja da base do Governo, e segue para um partido não alinhado, tipo PSDB ou Republicanos, Dr. Bruno está ficando encurralado politicamente. Seus movimentos para sair da base de um Governo que lhe deu tudo nesse seu primeiro mandato não agradaram, porque exatamente agora em que mais se precisa dele, na pré-candidatura de Ricardo Ferraço (MDB), ele ameaça deixar o ninho. A democracia é o jogo livre das vontades políticas, mas as decisões são acompanhadas de consequências. E neste caso, a consequência que pode comprometer o futuro político de Dr. Bruno é ter em seu caminho à Câmara Federal dificuldades caseiras. Vou explicar:    Em contrapartida ao movimento de Dr. Bruno, o prefeito de Cachoeiro, Theodorico Ferraço (PP), pai de Ricardo, botou a caneta para funcionar nas últimas 24hs. Exonerou o vice-prefeito Junior Corrêa (Novo) e a sua secretária de Saúde Renata Fiório (PP). Ambos estão posicionados estrategicamente para uma possível disputa à Câmara Federal, exatamente contra o médico. Após usar a caneta com a prudência de uma serpente, Ferração usou as palavras com a mansidão de uma pomba, e mandou recado na imprensa estadual: “Tem a questão do Bruno Resende, que é o candidato digamos que ‘preferido´, mas ele está indeciso sobre o partido…se escolher por um partido fora da base, nosso caminho será diferente do dele”. Trocando em miúdos: está nas mãos de Dr. Bruno, se ficar na base e apoiar Ricardo para o Governo, terá o caminho livre como candidato do grupo ferracista em Cachoeiro. Se sair da base, deixa de ser o ‘preferido´ e terá pedras no caminho. Pedras como Junior Corrêa e Renata Fiório, além das outras mais. É o jogo sendo jogado para Dr. Bruno Resende que até então foi um aliado bem tratado pelo Governo, sobretudo na área da Saúde. Um caso exemplar disso é a construção do Hospital do Câncer em Cachoeiro, onde o governador Renato Casagrande (PSB) e o próprio vice-governador, Ricardo Ferraço, nunca se importaram em dividir holofotes com o deputado Bruno, sempre colocado como um grande ator político nesse empreendimento. Mas agora o jogo é a vera. O grupo governista picado pelos movimentos contraditórios de Arnaldinho (PSDB) em Vila Velha, está aprendendo a usar o antídoto de véspera.    

Tininho Batista segue articulando pré-candidatura e pode mudar de partido

Dono de uma teimosia peculiar, o que lhe rende muita gozação entre os amigos, o ex-prefeito de Marataízes Tininho Batista (ainda filiado ao PSB), segue articulando sua pré-candidatura a deputado estadual, mesmo tendo suas contas de 2020 rejeitadas pela Câmara Municipal local. Mas neste caso, garante ele, a sua manutenção na disputa eleitoral deste ano não se trata de teimosia, mas de convicção cercada de entendimento jurídico. O ex-prefeito está convicto de que será candidato porque o simples fato de ter contas rejeitadas não o exclui automaticamente do pleito, cabendo a possibilidade de um novo entendimento pela Justiça Eleitoral na hora de registrar a sua candidatura. Aqui neste mesmo espaço, no ano passado, este colunista já chamava a atenção para este fato, e bem antes das contas do ex-prefeito irem a plenário. À época escrevi sobre a possibilidade de Tininho não ficar inelegível, mesmo sendo derrotado pelos vereadores, porque faltava à sua rejeição de contas analisadas pelo Tribunal de Contas do Espírito Santo uma palavra chamada dolo. Pela Lei de Inelegibilidade, sustenta o ex-prefeito,  o impedimento para disputar as eleições ocorre quando a rejeição decorre de irregularidade insanável  que configure ato doloso de improbidade administrativa e por decisão definitiva do órgão competente.  Portanto, agarrado nesse entendimento, Tininho tem a convicção de que estará na disputa. Até porque, segundo ele, já houve diversos casos de políticos que tiveram contas rejeitadas e ainda assim disputaram eleições. Logo, para isso, o ex-prefeito mantém suas andanças políticas e suas articulações na região Sul, mais precisamente em Marataízes, Itapemirim, Presidente Kennedy e Cachoeiro de Itapemirim. E também estuda mudar de partido. Ainda no PSB, Tininho estuda migrar para o Mobiliza (antigo PMN), sigla que vem articulando uma chapa forte para a disputa desse ano. Mas para entrar no novo partido, ele exige que haja alinhamento político com Renato Casagrande (PSB), Ricardo Ferraço (MDB) e Marcelo Santos (União Brasil). Animado e convicto de que estará nas urnas eletrônicas, parece que não será desta vez que os adversários se verão livres de Tininho Batista. A conferir. ***************************************************  Sobre os políticos que tiveram problemas com as contas ou no exercício dos seus mandatos, e ainda assim disputaram eleições após análise da Justiça Eleitoral, Tininho Batista cita: Carlos Casteglione (PT) Marcus Assad (Podemos), Erimar Lesqueves (MDB) e Norma Ayub (PP). ***************************************************** Ainda em Marataízes, o empresário Breno NilRegi segue articulando sua pré-candidatura a deputado estadual. Para isso, estuda convites de alguns partidos para definir seu novo ninho. Já outro pré-candidato, o Marcos Viváqua (Podemos), fez uma grande reunião em Itapemirim semana passada. Além do apoio do prefeito de Marataízes Toninho Bitencourt (Podemos), Marcão deve ter carta aberta de Dorlei Fontão (PSB) em Presidente Kennedy e de Geninho Alves (PDT) em Itapemirim. **************************************************** “Das cordas do meu violão/ Que só teu amor procurou” – Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá/Antonio Maria)

Discussão entre Ferraço e João Machado não define relação Executivo/Legislativo em Cachoeiro

O disse-me-disse entre o prefeito Theodorico Ferraço (PP) e o vereador João Machado (PDT), nos últimos dias deste ano, não é fator que define a relação entre os dois poderes cachoeirenses. A verdade é que Executivo e Legislativo vivem uma lua de mel e que vai continuar neste 2026 que está prestes a se iniciar. Realmente prefeito e vereador discutiram lá no CMU (Centro de Manutenção Urbana). Mas foi um fato isolado. Debaixo dessa espuma reina águas tranquilas. Ferraço nada de braçada na Câmara Municipal. O prefeito teve todos os seus pleitos atendidos, e raramente existiram votos contrários aos seus projetos encaminhados. Até o empréstimo de R$ 50 milhões que a administração quer fazer foi autorizado pela maioria esmagadora. Apenas dois votos contra. Um do vereador Coronel Fabrício (PL), que lhe faz oposição moderada e equilibrada, e outro do próprio João Machado. E como já está escrito no primeiro parágrafo, o ano que vem vai ser do mesmo jeito. Apesar de ser ano eleitoral, boa parte dos vereadores seguirá a cartilha. É isso que tenho escutado dos edis com os quais converso. Dois fatores contribuirão para a manutenção da boa relação: – O primeiro é a esperança de que em 26 o prefeito seja mais generoso e atenda mais e melhor os pedidos feitos. Os vereadores não estão totalmente satisfeitos, mas estão compreensivos e solidários com Ferraço porque entendem que ele pegou um orçamento do governo anterior, e também enfrenta as dificuldades naturais de um primeiro ano de gestão. Que o próximo ano venha com mais nomeações de aliados e com obras nos seus redutos, é o que pedem os vereadores ao Papai Noel Ferraço. – O segundo fator que unifica a base ferracista na Câmara é exatamente o que costuma desagregar: a eleição. Parece contraditório, mas não é, porque quem está no páreo é justamente o filho do prefeito, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). A maior parte dos vereadores de Cachoeiro está apoiando Ricardo para suceder Renato Casagrande (PSB) e entende que uma boa gestão do pai vai pesar na eleição estadual. Até os 4 vereadores do PSDB não devem embarcar na aventura Arnaldinho, pré-candidato a governador pela sigla. Portanto, seguirão juntos em nome do pai e do filho. Além dos dois elementos contribuidores, há um outro que ajudará Ferraço em 2026. Até agora, pelo que se sabe, apenas três vereadores devem ser candidatos a deputado estadual. Ou seja, não haverá desarranjos maiores na configuração política posta hoje, porque poucas candidaturas contribuem para pouca turbulência e poucas brigas no Legislativo. Quando há muitos vereadores na disputa, isso desarruma a base porque as vaidades se acirram e os conflitos pelo voto são inevitáveis. Isso pode ter reflexos negativos no dia a dia da Câmara e influir nas votações. Mas, pelo visto, não acontecerá. Logo, presume-se por tudo isso que Ferraço seguirá tranquilo em 2026 dentro do Legislativo. Como disse, a discussão entre prefeito e vereador foi fato isolado e não vai manchar uma relação pacifica que sempre existiu entre os poderes. E nem mesmo a conhecida música de Leandro e Leonardo serviria para ser trilha sonora dessa relação vivida entre prefeito e Câmara de Vereadores, porque, a bem da verdade, neste ano não houve tapas, mas apenas beijos.        

Dr. Bruno Resende mira Câmara Federal e isso é bom para Cachoeiro e Sul do ES

Foto: Lucas S. Costa Mesmo cumprindo seu primeiro mandato na vida pública, Dr. Bruno Resende aposta em um grande salto ano que vem. Embora tenha todas as chances de se reeleger deputado estadual, devido ao bom trabalho na área da saúde, ele não se acomoda e vai em busca de uma vaga na Câmara Federal. Essa decisão (que faz muito bem para Cachoeiro, e eu explico nas próximas linhas) vinha sendo ventilada nos bastidores, mas ganhou forma definitiva nos últimos dias quando o deputado também anunciou que vai trocar de partido. Sai do União Brasil e segue para o Podemos. Esse novo rumo, que vai acontecer na próxima janela partidária que é quando a lei eleitoral permite a mudança de sigla, tem seus motivos e quem explica é ele mesmo para este colunista: “Tenho uma posição política clara. Hoje íntegro a base do Governo Casagrande e meu apoio seguirá nessa linha. Então, avaliei os partidos da base, que me fizeram convite, para definir minha casa. Na decisão estavam: ser ideologicamente compatível comigo, uma vez que tenho perfil de centro-direita, além, por óbvio, ter chapa competitiva a Câmara Federal, pois serei candidato a deputado federal. O PODEMOS reuniu essas características, além de ser um partido que já era próximo ao meu grupo em muitos municípios capixabas. Mantenho boa relação com União Brasil e minha saída não será traumática para ninguém. Conversei com presidente e seguiremos com boa relação e respeito mútuo”. A decisão de Dr. Bruno na busca por uma vaga em Brasília é muito benéfica para a região Sul, em especial para Cachoeiro. Desde Norma Ayub, o município e as demais cidades do entorno não têm um representante original da região, o que é muito ruim. E isso não é mero bairrismo, mas de fato uma necessidade regional, tanto no que diz respeito às emendas parlamentares, quanto a uma presença efetiva nas agendas desenvolvimentistas que aqui são travadas. Cachoeiro e Sul carecem de nomes em Brasília. Hoje o deputado federal Evair de Melo (PP), que é da região serrana, tenta fazer este papel, mas sua ligação umbilical apenas com o setor de mármore e granito reduz sua capacidade de articulação em outros setores da sociedade. Seu esforço é bem-vindo, mas não pode ser o único, dado o tamanho regional que temos. É preciso mais. Áreas cruciais como a saúde e desenvolvimento econômico, por exemplo, carecem de um debate mais qualificado e atuante da classe política. E para isso ser feito é necessário que nossos representantes vivam aqui, morem aqui, respirem o ar daqui. Os candidatos de outras regiões serão sempre bem-vindos a se somarem nesse esforço, mas é inadmissível que em uma bancada de 10 deputados o Sul não tenha unzinho sequer. A balança fica muito desproporcional e isso interfere no resultado final. O Voto Sul, movimento liderado pelo ex-deputado Camilo Cola, não foi inspirado apenas no sentido mesquinho de se obter votos. Quando foi pensado, tratava-se muito mais do que simplesmente o ganho na urna. Era o desejo real de se obter novamente a relevância política da região a partir de um (ou mais) mandato que estivesse próximo das cidades, debatendo seu dia a dia. Camilo dedicou seu mandato a isso, ainda que com suas limitações devido a idade avançada. E agora, cerca de 15 anos depois, Dr. Bruno Resende pode trilhar nesse caminho, a partir dessa pré-candidatura consolidada. Ou seja, defender uma agenda política voltada para o Sul, sem desmerecer ou desrespeitar as demais regiões. E parece que é isso que ele vai fazer, como explicou a este colunista: “Entendo que minha ida para Câmara Federal pode preencher dois vazios de representação importantes: primeiro, a não existência de representante da região Sul do estado. Isso faz com que tenhamos concentração de poder e consequentemente de investimentos em outras regiões. Segundo, a Saúde. Não há ninguém que tenha na Saúde a prioridade de mandato. Creio que tenha condições, baseado na minha experiência, de acrescentar protagonismo a essa pauta, que vai impactar em todo Espírito Santo”. Nesse contexto fez questão de mencionar Norma Ayub e Camilo Cola: “Norma foi uma ótima deputada e nossa última representante regional. Assim como Camilo Cola, Norma conseguiu trazer recursos importantes para nossa região. Respeito a toda bancada federal, mas chega a hora de voltarmos a ter protagonismo político na região Sul. O cenário político ainda não está totalmente claro, mas estou trabalhando muito para mostrar as nossas lideranças que temos condições de sentar à mesa com todos e traçarmos juntos os próximos avanços regionais”. Está dado o recado. E bem articulada, debatendo no seio da nossa região os problemas macros, e, claro, respeitando as especificidades de cada município, essa pré-candidatura tem tudo para ser muito forte, com chances reais de êxito. O tempo dirá. ******************************************************************* “Tempo, tempo, tempo, tempo, compositor de destinos” – Oração ao Tempo (Caetano Veloso)

No ritmo de Casagrande, no rumo de Ricardo

Informações de bastidores já davam como certo aquilo que foi confirmado ontem, terça-feira, dia 9 de dezembro, pelo governador Renato Casagrande (PSB) aqui em Cachoeiro: ainda neste mês sai o nome de quem será apoiado por ele para concorrer ao governo do Estado em 2026. Como o rio corre para o mar, e não o contrário, a correnteza ruma no sentido de Ricardo Ferraço (MDB). E não haverá surpresas, porque quem conhece de perto o governador confirma que ele está plenamente convencido de que o seu vice é o nome mais preparado para continuar o seu ritmo de trabalho e de investimentos em todos os 78 municípios capixabas. E há quem até crave a data: seria dia 18. O governador está em fase de consultas a aliados… mas já estaria também comunicando a lideranças e partidos o caminho que deve dar ao processo eleitoral. O rumo é indubitavelmente no sentido de Ricardo Ferraço. Mas por que Ricardo? O governador é a maior liderança política do Espírito Santo. Seu governo está voando na aprovação popular. Só para ter ideia: Lula (PT) deixou seu segundo mandato em 2010 com uma aprovação recorde do seu governo em 80%. Uma pesquisa dessa semana feita pelo Instituto Real Time Big Data (ouviu 1200 eleitores entre os dias 4 e 5, com margem de erro de 3% para mais ou menos, e nível de confiança de 95%) mostra que a gestão de Casagrande é aprovada por 80%. Números extraordinários para quem tá deixando um segundo mandato. Diante dessa realidade o que se vê é um governador plenamente tranquilo para decidir o melhor caminho. Não há desespero na escolha, até porque Casagrande deve ter uma ida tranquila para o Senado Federal ano que vem, como também mostram as pesquisas. Daí, mais que uma necessidade de um bom nome, trata-se de caminho a ser seguido com convicção. E ele está convicto. Mas por que Ricardo? Exatamente porque quando se coloca nas ruas o discurso de que o Espírito Santo precisa de ritmo e rumo, busca-se o nome de alguém que não paralise o ritmo de obras e investimentos que o governador tem dado ao estado, tampouco se desvie do rumo atual que foca não apenas em resultados numéricos, de caixa, mas que também olhe para o social.    Ricardo Ferraço, aos olhos do governador, se encaixa em dois perfis básicos: o da lealdade em continuar o projeto de governo que foi construído até agora, e, principalmente, o da experiência e capacidade de gestão para tocá-lo adiante. Mais que se comprometer em fazer, é preciso saber fazer. Talvez seja isso que diferencie o vice-governador de outros aliados que estão próximos de Casagrande e também desejam suas bênçãos políticas. Experiência não falta a Ricardo.   Foi vice-governador duas vezes, vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, secretário de Agricultura, secretário de Planejamento, secretário de Desenvolvimento Econômico, e mais. É uma vivência que faz diferença para o cargo e Casagrande, mais do que ninguém, sabe disso. Somado a esse conhecimento técnico e administrativo, ele tem o tempero da política, essencial para quem governa.    O Ricardo Humano Contudo isso, ainda assim parecia faltar algo a Ricardo. Ele que sempre andou em outros grupos da política passou a viver o mundo casagrandista. Um mundo que lhe ensinou sobretudo a arte de que um governo não pode viver apenas empilhando resultados numéricos, mas a necessidade de enxergar por trás de cada número um rosto, um cidadão que quer mais educação, mais segurança e mais saúde. Que quer viver bem e melhor a cada dia. Ricardo sempre foi um bom técnico, e bom político. Bom de urna, sempre bem votado, mas ainda assim faltava a ele esse perfil mais humano, mais social, mais pé no chão, mais povão. Esse balacobaco que o político deve ter para gerar paixão. Ter torcedor, e não apenas ser um jogador entre tantos outros. É preciso mais que jogar, ter seu nome gritado pela torcida, e entrar em campo temido pelos adversários.   As redes sociais que mostram um Ricardo que compartilha sua capacidade de gestão no dia a dia do governo mostram também o ser humano Ricardo. Rubro-Negro, pai de família, fazedor de churrasco, comedor de barrinha de cereal e que beiça uma dose ou outra de vez em quando, como todo bom brasileiro. Suas redes sociais mostram um cara que assimilou de fato o mundo do seu líder, porque Casagrande é assim no dia a dia. Um cara que trabalha, mas que também tem vida além do trabalho. E nem só de trabalho vive o homem. Não sois máquinas, homem é que sois, ensinou Charles Chaplin. Ricardo Ferraço tem tudo para sair do próximo processo eleitoral como governador, mas se não sair governador, com certeza sairá um ser humano muito melhor. É isso que o dia a dia mostra. Ele entrou no ritmo de vida de Casagrande e encontrou um novo rumo político. ***************************************************** “De costas voltadas, não se vê o futuro / Nem o rumo da bala, nem a falha no muro” – Quem Me Leva Os Meus Fantasmas (Pedro Abrunhosa)

Casagrande não corre, voa; Ricardo e Pazolini consolidados; Vidigal e Borgo coadjuvam

A um ano das eleições, portanto cedo demais para qualquer prognóstico, pelo menos um cenário vai ficando bem sinalizado para o eleitor capixaba: o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB) vão chegar, de fato em 2026, como nomes bastante competitivos ao Palácio Anchieta. As últimas pesquisas do Instituto Paraná, mas principalmente a que foi divulgada ontem (7 de outubro) pela CNN Brasil, e feita pelo Instituto Real Time Big Data, mostram o alto nível de competitividade dos dois pretendentes, e a consolidação de seus projetos ao Governo do Estado. Os números também mostram que o governador Renato Casagrande (PSB) além de correr pelas ruas do Espírito Santo, como o mais novo atleta, está voando nos números para voltar ao Senado Federal. Lidera todos os cenários de disputa e seu governo tem avaliação recorde. Dos demais nomes, Paulo Hartung (PSD) sempre competitivo, mas, aparentemente, distante de pretensões eleitorais. Sérgio Vidigal (PDT) e Arnaldinho Borgo (Podemos) se consolidando cada vez mais como bons apoaidores, mas de fôlego limitado para acompanhar Ricardo e Lorenzo. Certamente serão coadjuvantes de luxo bastante requisitados. Pelo menos é o que os números iniciais indicam. A conferir: Aos números Pela Real Time Big Data, ambos seguem liderando a disputa, e se alternam entre primeiro e segundo em dois cenários diferentes, mas por margem de apenas 1% de diferença. Logo, há um empate técnico já que a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, entre 1200 pessoas entrevistadas nos dias 4, 5 e 6 deste mês. O nível de confiança é de 95%. Em um cenário Pazolini tem 27% das intenções de votos, seguido por Ricardo Ferraço com 26%. Depois vêm, empatados, mas distantes dos dois primeiros, Sergio Vidigal (PDT) e Arnaldinho Borgo (Podemos) com 11%. Por último Hélder Salomão (PT) com 5%. Votos Nulo e Branco somam 8% e Indecisos e que Não Responderam 12%. Em outro cenário Ferraço lidera com 31% dos votos, seguidos por Pazolini com 30%. Borgo tem 14%. A diferença dessa medição é que Sérgio Vidigal e Helder não tiveram seus nomes inclusos. Nulo e Branco 10% e Não Soube Não Respondeu  15%. E tem ainda um terceiro cenário desta vez com o enigmático Paulo Hartung (PSD). Mas sem Pazolini, Vidigal e Hélder. O ex-governador lidera com 33%; Ferraço tem 27%; e Borgo 14%. Nulo 10% e Não Soube Não Respondeu 16%. A pesquisa mediu a Rejeição dos nomes. Quem lidera é Helder Salomão (PT) com 42%. Sérgio Vidigal (PDT) tem 31%. Arnaldinho Borgo (Podemos) 30%. Paulo Hartung (PSD) 29%. Ricardo Ferraço (MDB) 27%. Lorenzo Pazolini (Republicanos) 26%. Senado A mesma pesquisa Real Time Big Data mostra dois cenários para o Senado Federal ano que vem. O governador Renato Casagrande (PSB) voa alto e lidera os dois quadros apresentados aos entrevistados. Casagrande tem 33%; Sergio Meneghelli (Republicanos) 15%; Josias da Vitória (PP) 11%; Fabiano Contarato (PT) 10%; Maguinha Malta (PL) 8%; Marcos do Val (Podemos) 6%; Nulo/Branco 8%; Não Soube Não Respondeu 9%. No outro cenário a pesquisa incluiu Hartung, que fica em segundo com 21%. Na sua frente o governador Casagrande com 31%. Depois aparecem: Meneghelli com 11%, Vitória com 8%, Contarato com 8%, Maguinha com 8%, Nulo 7%, Não Sobe Não Respondeu 6%. Casagrande O governador Renato Casagrande também segue em aprovação por 81%.  Desaprovação 16%. Não Soube Não Respondeu 3%. E a avaliação de desempenho: Ótimo/Bom 51%. Regular 36%. Ruim/Péssimo 12%. Não Soyube/Não respondeu 1%.

A roda que Camilo inventou – Por Luiz Trevisan*

Para quem veio de Castelo e chegou em Cachoeiro calçando tamancos, Camilo Cola foi longe. Andou pelos campos da Itália como soldado, na Segunda Guerra Mundial, no front economizava os cigarros que vendia depois. Na volta, a partir de uma linha de crédito especial para ex-combatentes, previu o avanço do setor rodoviário e nele investiu adquirindo um ônibus. Daí até erguer a Viação Itapemirim, que chegou a ser a maior da América Latina, gerando renda e emprego para muita gente – minha primeira carteira de trabalho assinada foi lá, escriturário. Contudo, Camilo Cola não conseguiu fazer um sucessor à altura, a empresa patinou na insolvência e foi virando um elefante desmontado no complexo tabuleiro jurídico da recuperação econômica. Em 2017, ele e família venderam a Viação Itapemirim. No dia 29 de maio de 2021, recolhido na fazenda Pindobas, seu xodó, morreu aos 97 anos. Ao longo de sua trajetória, em meio às atividades empresariais, sempre gostou da política e nela investiu até como forma de sobrevivência na selva dos interesses públicos. Ali fez manobras radicais: aderiu ao governo militar pós-1964, filiando-se à Arena, conhecido como “partido da ditadura”, isso entre 1966-1979. Depois ingressou no PSD, partido de centro. Com a redemocratização, rumou para o PMDB, entre 1986-2017, partido de centro-esquerda. Ficou famosa sua participação como candidato a senador, em 1986, numa chapa com o título de “Macaca”, pois reunia Max-Camilo-Camata. O primeiro era candidato a governador, Camilo e Camata (Gerson) concorrendo às duas vagas para o Senado. Parecia imbatível, pois reunia políticos renomados e um empresário bem-sucedido. Durante a campanha, ficaram famosas as “Cartas de Dona Inês” – uma invenção publicitária do jornalista Marien Calixte – publicadas nos jornais, onde a mulher de Camilo comentava a trajetória e os planos do marido no Senado. Apurados os votos, Max Mauro e Camata foram eleitos, mas Camilo perdeu a segunda vaga de senador para João Calmon, o que levou Dona Inês Cola a fazer um comentário bem humorado, diante das circunstâncias: “Dessa Macaca, Camilo ficou com a banana”. Voltaria a disputar nas urnas, em 2006, como candidato a deputado federal, aí sim com sucesso, pela legenda do PMDB. Curiosamente, antes dessa campanha havia resistências ao seu nome entre alguns caciques do partido temerosos da concorrência. Uma das manobras era negar a legenda para Camilo disputar. Na época, eu era redator de coluna política em A Tribuna, tomei conhecimento do fato e publique uma nota relatando os bastidores daquele boicote armado. A assessoria do empresário tratou de replicar aquilo em todos os canais possíveis. O clima pesou no partido e os “caciques” não tiveram mais como negar a legenda ao empresário. Tempos depois recebi um convite dele para ir ao seu camarote, antes de um show de Roberto Carlos, no ginásio Álvares Cabral, em Vitória. Ele queria me agradecer pela tal nota publicada. “Aquilo mudou o curso da minha história na política”, contou, ao me receber oferecendo uísque com caviar. Aliás, somente ali eu soube o que era caviar, só havia ouvido falar, como no samba do Zeca Pagodinho. Durante a conversa, um assessor comentou com Camilo que eu também tinha recebido um título de “Comendador”. Pontuei que agora éramos “iguais no título, e que a nossa diferença estava no saldo bancário”. Foi quando me confidenciou que no início da sua vida lavava carros para sobreviver, não tinha dinheiro para sapatos e usava tamancos. Daí o apelido antigo que ele então reciclou, divertido: “Agora sou o Comendador Tamanco”. Camilo Cola talvez seja o nosso maior exemplo de como a roda dos negócios gira rapidamente. Em cerca de 60 anos, outras grandes empresas que movimentaram a economia do Sul capixaba, como Lojas Dadalto, Calçados Itapoã, Transportadora Chein e Cimento Ouro Branco, sucumbiram, de um jeito ou de outro, mudaram de mãos, foram encampadas ou faliram engolidas pela concorrência. A história da Viação Itapemirim mostra como um sujeito pobre, que calçava tamancos, reinventou a roda do transporte e conseguiu ir tão distante.  ***************************************************************************************************************** *Luiz Trevisan é jornalista (Essa crônica inédita sobre Camilo Cola estará no seu próximo livro, a ser lançado até setembro deste ano.) Foto: Camilo Cola e sua esposa Inês Cola (gentilmente cedida por Alberto Moreira)

Endereço mais famoso de Cachoeiro de Itapemirim terá novos donos

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia” – Nelson Mota/Lulu Santos Uma área nobre na chegada de Cachoeiro de Itapemirim, com aproximadamente 300 mil metros quadrados, totalmente arborizada e com infraestrutura privilegiada (incluindo estradas totalmente calçadas e galpões), marcou, por décadas, a vida dos cachoeirenses. Berço de riqueza e trabalho foi nela que a América Latina viu crescer a maior empresa de transporte rodoviário de passageiros: a Viação Itapemirim. Esse famoso endereço na Avenida Lacerda de Aguiar chegou a receber diariamente 3 mil funcionários no seu auge da Tecnobus (fábrica de ônibus própria da Itapemirim). Dali surgiram profissionais que posteriormente montaram seus próprios negócios e hoje, pequenos ou grandes empresários, colaboram ativamente com a economia do Espírito Santo. Pois bem, essa verdadeira escola profissional e principalmente de vida, que abrigava até o dia de hoje, 13 de maio de 2025, os últimos suspiros idealistas de Dona Ignês Cola e de Camilo Cola, vai encerrar suas atividades definitivamente. Cerca de seis ex-funcionários da empresa, que ainda atuavam no local servindo a família, entregam as chaves aos novos donos: um grupo de empresários investidores de Cachoeiro de Itapemirim. O que será no local ninguém sabe ainda. Uma empresa, um condomínio, um parque… Façam suas apostas. Para quem chega, um novo endereço de perspectivas. Para quem sai, um cemitério de sonhos e lembranças. Ao lado da área, agora de novos donos, ainda permanece a residência dos fundadores: Dona Ignês e Seu Cola. O imóvel não foi vendido por não fazer parte do patrimônio da Viação Itapemirim. Segue com a família. Já o restante, que inclusive vinha sendo fruto de uma guerra judicial, troca de mãos. Há quatro anos, no mês de maio, Camilo Cola fazia sua última viagem, rumo ao desconhecido. Quis o destino que também no mesmo mês seja colocada no seu famoso endereço uma placa amarela: aqui jaz.   Foto: Acervo da Família Cola 

Câmara Federal, um caminho difícil para Victor Coelho

Inicialmente cotado para disputar uma vaga na Câmara Federal, sendo inclusive uma das fortes apostas do seu partido, o PSB, Victor Coelho deve enfrentar resistência entre aliados que já consideram o projeto dificílimo para o ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. Os motivos são vários. O primeiro é o saldo eleitoral de 2024. O fraco desempenho da candidata Lorena Vasques (PSB), mesmo com a força da máquina administrativa, é o primeiro sinal de alerta. Apesar de o Victor ser o Victor, eleito e reeleito com folgas, a fotografia final do seu governo não foi boa, sobretudo o desgaste com a não conclusão da macrodrenagem. Isso atrapalhou muito ela e vai atrapalhá-lo também. Outro fator que vem sendo avaliado no meio político é o esfacelamento do grupo de vereadores que foi eleito nas asas do projeto socialista. Dos 11 eleitos que compuseram a tríade PSB, PDT e PSDB, uma conta simples atualmente mostra que caso Victor se aventure à Câmara Federal, hoje nenhum desses estaria com ele. Mas, se focar na Assembleia, pode reagrupar parte. Soma-se ainda a esses dois raciocínios iniciais a possibilidade de um embate ainda maior entre o grupo ferracista, que hoje governa Cachoeiro, com o grupo socialista. O clima nos bastidores não é bom desde o primeiro dia de governo do prefeito Ferraço (PP) e a aposta é que irá piorar nos próximos dias. Isso pode gerar desgaste a Victor. Vem tempo ruim aí, disse um marinheiro da política cachoeirense.    Para finalizar, existem as pré-candidaturas socialistas de Thiago Hoffman e Emanuela Pedroso, secretários estaduais de Saúde e Governo, respectivamente. Ambas vê comendo pelas beiradas os redutos do PSB na região Sul e isso atingirá em cheio Victor Coelho, caso ele insista em disputar a Câmara Federal. O ideal, avalia-se, é que o ex-prefeito associe-se a um desses nomes (ou aos dois) onde for possível, formando assim uma dobradinha e desça para deputado estadual. Em tese, seria um caminho mais fácil para que adquira um mandato futuramente e se fortaleça para disputar a prefeitura de Cachoeiro em 2028. O que é certo no bastidor é que aquela ideia inicial de uma dobradinha Victor e Lorena, para Câmara e Assembleia, ou vice-versa, não tem a menor razão de ser, e seria suicídio eleitoral para o ex-prefeito e atual secretário estadual de Turismo. ************************************************** Está cada dia pior o clima político em Marataízes. O grupo do atual prefeito Toninho Bitencourt (Podemos) e do ex-prefeito Tininho Batista (PSB) prometem grandes enfrentamentos de agora em diante. A semana iniciou com uma entrevista do ex-prefeito onde não economizou críticas a atual gestão. A bronca maior dele é saber sobre as dívidas que deixou, ou teria deixado, no montante de R$ 150 milhões, segundo números da nova administração. O caso está na justiça. E no pedido, Tininho pergunta o nome dos fornecedores e os valores devidos a cada um. Ainda não foi respondido. Pelo que se entendeu da entrevista, o ex-prefeito não nega que tenha deixado de honrar compromissos. O que lhe incomoda é o montante divulgado. Seriam números infinitamente menores. Por outro lado, aposta-se que o revide será nas contas do ex-prefeito que ainda serão votadas na Câmara Municipal. Este ano serão duas. O relatório está sendo preparado e a Câmara Municipal deve seguir o parecer do Tribunal de Contas que é pela rejeição das mesmas. Uma águia nesses assuntos diz que o problema dessas contas rejeitadas está em uma palavra: dolo. E nos dois relatórios constam. Se a Câmara afastar o dolo o ex-prefeito não fica inelegível. Isso é possível, com muita articulação. Porém, dificilmente os vereadores irão contra o parecer prévio do Tribunal que é pela rejeição. ************************************************** “Deus, grande Deus / Meu destino bem sei foi traçado pelos dedos teus” – Grande Deus (Cartola)

Crônicas e Fotos Bem Depois

Muitos vi de perto. De outros já não me lembro. Mas todos estiveram pelas ruas de Cachoeiro de Itapemirim à procura de alguém que captasse, com antena delicadíssima, suas histórias e formas de viver, e depois espalhasse crônicas que são verdadeiras fotos de suas vidas. Assim fez Wilson Márcio Depes em seu Fotocrônicas. É livro que não se lê com os olhos. Por isso, talvez, tenha demorado tanto para passar página por página, e parar em cada parágrafo, relembrando essas figuras doces e misteriosas que podiam ser vistas diariamente pelas ruas de Cachoeiro. Certamente por isso demorei décadas para ler e me emocionar. Aos poucos foram sumindo, todos eles, silenciosamente, como entre nossos dedos passam os anos de nossa breve vida. Dos personagens do belo livro do cronista cachoeirense, talvez Seu Zezinho seja o único que muitos conheçam ou ouviram falar. Os demais simplesmente desapareceram na poeira das ruas, anonimamente, mas não esquecidos.     Ler o Fotocrônicas foi me emocionar tanto pela lembrança de figuras lendárias do nosso cotidiano que já partiram, quanto por esse Cachoeiro que igualmente se vai, triste, pelo mesmo caminho de esquecimento. Nossa cidade está pobre e vazia de personagens. Nossas ruas passam por nós irreconhecíveis. E passamos por elas na esperança de ver alguém que relembre o que fomos. Não temos. Somos, no fundo, todos personagens que caberiam em um novo Fotocrônicas do escritor. Vagamos pelos bairros vazios do nosso glorioso passado, procurando o rumo que Cachoeiro perdeu. É uma cidade que aos poucos se vai anonimamente, como os personagens dos olhos do cronista. Não se fala aqui de dinheiro, de riqueza, mas de gente. Das mais simples às mais importantes. A Cachoeiro que tem os ricos de sempre está cada vez mais pobre. Não há dinheiro que pague a ausência de gente que respire sua cidade. Em uma das últimas vezes que estive com Marco Antonio Carvalho, biógrafo de Rubem Braga, no Mercado do Amarelo, já falávamos sobre a pobreza que se iniciava por aqui. Ao ler o Fotocrônicas hoje volta à memória essa conversa. Era uma conversa triste e ao mesmo tempo boa. Como cada rosto de cada personagem de Wilson Márcio Depes. O Fotocrônicas vale e valerá ser lido, agora ou muito tempo depois. Porque é um livro que fala de pessoas simples, mas sem as quais não se pode construir uma verdadeira cidade. *********************************************** “Tanta coisa eu tinha a dizer / Mas eu sumi na poeira das ruas” – Sinal Fechado (Paulinho da Viola)