Análise Política

A linguagem dos olhos

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Recordar é viver. Texto escrito há um ano, após uma entrevista feita com Paulo Hartung

Por | 28.06.2014

15/06/2013

O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) não falou nada sobre pré-candidatura, mas nunca disse tanto. Por isso, após a entrevista da última quinta-feira na Rádio Cultura, eu e Cesar Nemer saímos com uma certeza: ele deseja muito ser governador novamente. Estava nos olhos e nos gestos dele. Estava na maneira com a qual explicava sobre como um governante deve gerir a coisa pública. E há coisas que falam mais do que as palavras.

 

Se não foi deselegante em nenhum momento com o atual governador Renato Casagrande (PSB), também não dá para dizer que fez algum tipo de comentário entusiasmado. Ao contrário, passou a idéia de que quem governa agora teria a obrigação de fazer muito mais do que ele porque tem muito mais dinheiro e encontrou a máquina estadual bem mais azeitada.

 

Sem citar nenhum governante, criticou situações onde as obras não acontecem com rapidez porque a equipe de governo não cuida de elementos óbvios dentro de uma gestão, como, por exemplo, acelerar as desapropriações. Curiosamente o governo estadual atualmente padece desse mal em alguns casos.

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Em outro momento, também ao falar de gestão, criticou casos em que a máquina administrativa é impregnada por amigos ou por elementos que, brotados de acordos políticos ou partidários, não são capazes de conduzir com precisão e eficiência os interesses da coletividade. Curiosamente também, o atual governo abriga em suas hastes vários exemplos assim. Só ex-prefeitos são oito. Não vou nem falar de casos de lideranças de partidos políticos.

 

Mas se esse é o desejo do ex-governador, de governar novamente, caberá a ele utilizar-se de elementos convencedores para evitar um racha na unanimidade política que ele mesmo construiu. Nacionalmente, os ventos conspiram ao seu favor, porque pode haver um racha nacional entre PSB, PT e PMDB. E isso, por gravidade, atingiria o ES.

 

Mas ainda assim, precisaria retirar, não se sabe como, a candidatura do atual governador à reeleição, dando-lhe, diríamos assim, um novo caminho honroso. Porque mesmo com o racha nacional, Casagrande vai sinalizar com a tese da neutralidade no palanque nacional. Na prática isso não funciona, mas, para justificar o seu interesse político, a ferramenta será ventilada pelo governador para tentar acalmar os partidos.

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Um elemento que pode ser usado pelo ex-governador para esse convencimento político são as pesquisas de intenção de voto. Fatalmente nelas Hartung aparecerá muito forte. E neste caso os desempenhos de Casagrande e do senador e pré-candidato a governador Magno Malta (PR) serão fundamentais. Se surgir numericamente riscos de o republicano chegar ao Palácio Anchieta, pode surgir no cenário político estadual a tese de que é necessária uma nova candidatura, que não a da continuidade.

 

Seja como for o desfecho deste filme, em algum momento Hartung e Casagrande terão que sentar e pensar juntos nas alternativas que possam atenuar, e até casar, os interesses dos dois. Muito embora, e tenho crido cada vez mais nisso, eles pareçam caminhar para o mesmo rumo: o Palácio Anchieta.

 

 

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Análise Política

Os recados dos números do Ibope em Cacheiro

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A pesquisa Ibope (registrada no TRE sob o número 00940/2020) divulgada ontem (21) caiu como bomba em Cachoeiro, sobretudo para os candidatos que concorrem com Victor Coelho (PSB).

Claro que Victor vai manter os pés no chão e trabalhar até o último dia, 15 de novembro, mas a verdade verdadeira é que as eleições deste ano estão praticamente decididas, salvo algum atropelo grave.

Mas olhando os números com lupa, um quesito marcou. A administração de Victor é avaliada como ótima ou boa por 48% das pessoas ouvidas. E outros 33% a consideram regular.

Esses números surpreendem porque o jovem político passou em três testes de fogo: a greve da PM; a maior enchente da história de Cachoeiro; e agora a maior pandemia da história da humanidade.   E pelo levantamento, muito embora não haja pergunta específica sobre as três questões, o que se vê é que ele passou bem pelos grandes desafios.

Mas o levantamento do Ibope traz pelo menos mais dois recados importantes.

O primeiro é que não se deve nacionalizar uma eleição municipal. E me pareceu claro esse interesse na pré-candidatura de Jonas Nogueira (PL). A tentativa de colar a imagem no presidente da República foi perda de tempo.

Em um artigo escrito em 11 de julho, eu já alertava. O vice-prefeito de Cachoeiro e um médico estavam em um debate ferrenho sobre o uso da cloroquina. Então escrevi a época: “Se o vice-prefeito quer dar uma grande contribuição para Cachoeiro vai uma sugestão: debruce sobre temas importantes para o município e no momento eleitoral debata-os com os eleitores. Por exemplo, apresente soluções não para casos complexos da medicina mundial como a Covid-19, mas sobre temas da nossa aldeia, dizendo como resolver a crise do transporte público municipal”.

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Os números do Ibope mostram Jonas com 8% de intenção de votos. Isso significa que se na sua pré-campanha ele tentou nacionalizar a política municipal, isso fracassou.

Vale até um parêntese o tema. Alguns bolsonaristas de Cachoeiro, e aí não me refiro ao candidato Jonas, gostam também de usar termos nacionais, tipo atribuir ao prefeito Victor Coelho a alcunha de comunista.

Essa palavra, que andava sumida desde os tempos do presidente João Goulart, foi ressuscitada e está em voga atualmente, sendo usada de maneira corriqueira e totalmente fora de sua designação correta, inclusive atribuída a pessoas que nada têm a ver.

Victor não comunista, podendo ser, no máximo um socialista, já que seu partido é o Partido Socialista Brasileiro.  Mas se fosse comunista também isso pouco importa para os eleitores que querem mesmo é saber se ele é bom prefeito ou não. E parece que está sendo.

Mas voltando à vaca fria, os números do Ibope também mostram Diego Libardi (DEM) com apenas 6%.  Para Libardi que nunca foi candidato a nada, isso chega até a ser uma grande vitória. Mas para seu padrinho político, deputado Theodorico Ferraço (DEM) esse índice é um sinal claro de que ele não apita mais nada na política cachoeirense.

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Desde 2008, quando perdeu a disputa pela prefeitura para Carlos Casteglione (PT), o demista vem sofrendo derrotas consecutivas no município. Assim também foi em 2012, quando apoiou Glauber Coelho. Depois em 2016 quando apoiou Jathir Moreira. E está sendo até agora quando apoia diretamente Diego Libardi.

A verdade é que hoje esconder  Theodorico Ferraço de uma campanha, e ocultar aos eleitores um apoio seu, acaba ajudando quem quer vencer uma eleição.

Os ferracistas não gostam de ler isso. Mas não sou eu quem digo. São os números do Ibope… são os resultados eleitorais em Cachoeiro desde 2008.

E para não perder o bonde da História, é preciso ficar atento aos recados que ele nos traz.

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“E quem garante que a História / É carroça abandonada / Numa beira de estrada / Ou numa estação inglória/ A História é um carro alegre / Cheio de um povo contente / Que atropela indiferente / Todo aquele que a negue” – Canción Por La Unidad Latino-Americana (Pablo Milanês/ Chico Buarque)

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