Acostumado dentro dos hospitais e consultórios médicos, onde domina com maestria a sua profissão, o deputado estadual Dr. Bruno Resende (União) está sentindo nesses últimos dias, antes do prazo de desincompatibilização – 4 de abril -, o duro jogo jogado da política.
Em vias de decidir se sai do União, ou seja da base do Governo, e segue para um partido não alinhado, tipo PSDB ou Republicanos, Dr. Bruno está ficando encurralado politicamente.
Seus movimentos para sair da base de um Governo que lhe deu tudo nesse seu primeiro mandato não agradaram, porque exatamente agora em que mais se precisa dele, na pré-candidatura de Ricardo Ferraço (MDB), ele ameaça deixar o ninho.
A democracia é o jogo livre das vontades políticas, mas as decisões são acompanhadas de consequências. E neste caso, a consequência que pode comprometer o futuro político de Dr. Bruno é ter em seu caminho à Câmara Federal dificuldades caseiras. Vou explicar:
Em contrapartida ao movimento de Dr. Bruno, o prefeito de Cachoeiro, Theodorico Ferraço (PP), pai de Ricardo, botou a caneta para funcionar nas últimas 24hs. Exonerou o vice-prefeito Junior Corrêa (Novo) e a sua secretária de Saúde Renata Fiório (PP). Ambos estão posicionados estrategicamente para uma possível disputa à Câmara Federal, exatamente contra o médico.
Após usar a caneta com a prudência de uma serpente, Ferração usou as palavras com a mansidão de uma pomba, e mandou recado na imprensa estadual: “Tem a questão do Bruno Resende, que é o candidato digamos que ‘preferido´, mas ele está indeciso sobre o partido…se escolher por um partido fora da base, nosso caminho será diferente do dele”.
Trocando em miúdos: está nas mãos de Dr. Bruno, se ficar na base e apoiar Ricardo para o Governo, terá o caminho livre como candidato do grupo ferracista em Cachoeiro. Se sair da base, deixa de ser o ‘preferido´ e terá pedras no caminho. Pedras como Junior Corrêa e Renata Fiório, além das outras mais.
É o jogo sendo jogado para Dr. Bruno Resende que até então foi um aliado bem tratado pelo Governo, sobretudo na área da Saúde. Um caso exemplar disso é a construção do Hospital do Câncer em Cachoeiro, onde o governador Renato Casagrande (PSB) e o próprio vice-governador, Ricardo Ferraço, nunca se importaram em dividir holofotes com o deputado Bruno, sempre colocado como um grande ator político nesse empreendimento.
Mas agora o jogo é a vera. O grupo governista picado pelos movimentos contraditórios de Arnaldinho (PSDB) em Vila Velha, está aprendendo a usar o antídoto de véspera.


